Helena Duarte estava sangrando nos braços do meu chefe de segurança quando entrou na minha casa. Mesmo com duas costelas quebradas e o rosto machucado, não pediu que eu a salvasse. Pediu que eu protegesse seu irmão. Durante quatorze meses, ela limpou minha mansão enquanto trabalhava em outros empregos para sustentar a mãe doente e o irmão que havia perdido as pernas. Eu conhecia seus horários. Não conhecia seus segredos. Os homens que a espancaram reconheceram o brasão no uniforme. Queriam me atingir usando alguém que julgavam indefesa. Decidi descobrir quem tinha dado a ordem. Então Helena desapareceu de uma cama de hospital, levada com uma autorização em meu nome. No travesseiro, deixaram uma fotografia de vinte anos atrás. Meu pai. A mãe dela. E Helena ainda criança. Eu achava que sabia de quem precisava protegê-la. Até perceber que a resposta podia estar dentro da minha própria família.