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"Ela Era Só Minha Faxineira. Declarei Guerra Por Ela." Capítulo 7 — Foi você

正文开头

Capítulo 7 — Foi você

“Teresa, o acidente do Gabriel aconteceu porque você achou que podia voltar a me enfrentar.”

A voz do meu pai atravessou o salão.

Helena manteve o telefone próximo ao microfone.

Na gravação, Teresa começou a chorar.

“Ele tem dezenove anos.”

“Então ainda tem uma vida inteira para aprender a respeitar as consequências.”

“Você mandou bater no meu filho?”

“Eu mandei dar um aviso. Se o motorista exagerou, resolva com ele. Mas não me obrigue a mandar outro.”

Uma taça caiu numa das mesas.

Meu pai estendeu a mão para o telefone.

Eu segurei seu pulso antes que alcançasse Helena.

O gesto fez dois homens junto à parede se moverem.

Raul apareceu na lateral do palco.

Augusto olhou para minha mão.

Depois para meu rosto.

“Solte.”

Soltei.

Não porque ele tivesse ordenado.

Porque já havia impedido o que precisava impedir.

Helena encerrou o trecho da gravação.

Seu rosto estava pálido. A mão esquerda tremia, mas ela não baixou o microfone.

“Meu irmão perdeu as duas pernas. Passou meses perguntando se tinha feito alguma coisa errada no trânsito.”

Ninguém falou.

“Minha mãe ouviu essa ameaça depois que ele saiu do hospital. Guardou a gravação porque teve medo de não sobreviver à próxima.”

Augusto ajeitou o punho da camisa.

Era um gesto que eu conhecia desde criança. Meu pai o usava para ganhar alguns segundos antes de decidir qual versão da realidade oferecer.

“Uma montagem.”

Helena olhou para ele.

“Então explique os pagamentos.”

“Eu não tenho que responder a uma funcionária descontrolada.”

“Responda aos documentos”, Bianca disse.

Ela entregou a Camila, que se aproximara do palco, uma pasta com cópias dos registros.

A advogada não tentou assumir o espetáculo.

Falou num tom firme:

“O material foi preservado e encaminhado para avaliação. Há documentos que permitem verificar datas, empresas e pessoas envolvidas. Qualquer contestação deve ser feita pelos meios apropriados.”

Augusto apontou para o telefone.

“Você chama isso de material?”

“Chamo de uma gravação que não está sozinha.”

Meu pai voltou-se para os convidados.

“Lamento que uma tentativa de extorsão tenha interrompido uma noite dedicada a ajudar famílias.”

Ouvi murmúrios.

Algumas pessoas já seguravam os próprios celulares.

Helena também percebeu.

“Não pedi dinheiro ao senhor”, disse. “Pedi respostas.”

“Você entrou na casa do meu filho escondendo sua identidade.”

Ela respirou com dificuldade.

A frase tinha sido escolhida para fazer o salão esquecer a voz que acabara de ouvir.

“Eu entrei com meu nome verdadeiro. Com meus documentos. Trabalhei e recebi pelo meu trabalho.”

“Mas tinha outras intenções.”

“Queria saber o que aconteceu com meu pai.”

Augusto sorriu.

Aquele sorriso pequeno, calculado.

“Seu pai morreu num acidente. Você passou vinte anos alimentando uma fantasia porque sua mãe não soube aceitar.”

Helena ficou imóvel.

Eu dei um passo.

Ela encostou os dedos no meu braço.

Consegui parar.

“Então não deve ter dificuldade em permitir que tudo seja investigado”, respondeu.

Meu pai olhou para mim.

正文1

“Você vai mesmo destruir o nome da sua família por ela?”

O salão parecia esperar que eu escolhesse uma resposta aceitável.

Não ofereci.

“Você usou esse nome para destruir a família dela.”

Augusto baixou a voz.

“Você não sabe quem está ouvindo.”

“É a primeira vez que você parece preocupado com testemunhas.”

A expressão dele endureceu.

À nossa direita, um homem derrubou uma bandeja ao se levantar. O som fez várias pessoas se virarem.

Ao mesmo tempo, outro convidado começou a gritar que havia uma arma.

Raul me puxou pelo ombro.

“Saída lateral. Agora.”

Procurei meu pai.

Ele já descia do palco pelo lado oposto.

Um dos homens que se aproximara quando segurei seu pulso abriu passagem entre as mesas. Outro empurrou um funcionário do hotel.

Eu poderia ter seguido.

O corpo inteiro queria seguir.

Helena ficou prensada contra a borda do palco quando duas pessoas tentaram passar por nós.

Segurei o corrimão e abri espaço para ela.

Bianca desceu primeiro. Camila vinha logo atrás, com a pasta apertada contra o peito.

Raul colocou dois homens entre nós e a confusão.

“Dante.”

Ouvi Helena me chamar.

Meu pai desapareceu por uma porta de serviço.

Eu olhei para a porta.

Depois para ela.

“Estou aqui”, respondi.

Saímos pelo corredor indicado pelo hotel.

Na área reservada, Helena se sentou numa cadeira e levou a mão às costelas.

Camila pediu que ninguém apagasse arquivos, mensagens ou gravações. Bianca ligou para a administração do fundo e exigiu a preservação dos registros.

Raul confirmou que ninguém da nossa equipe havia encontrado arma alguma no salão.

“Foi uma distração”, disse.

“Eu sei.”

“Um dos homens estava na lista de fornecedores convidados por Otávio.”

Peguei o telefone.

Antes que eu escolhesse um número, Helena me chamou outra vez.

“Você vai atrás dele?”

“Vou descobrir para onde foi.”

“E depois?”

Não respondi imediatamente.

Ela observou minha mão sobre o aparelho.

“Eu não fiz tudo isso para você desaparecer numa madrugada e me trazer mais um corpo.”

Leandro.

Ela não precisava dizer o nome.

“Meu pai não vai parar.”

“Eu sei. É por isso que precisamos de pessoas vivas. Minha mãe. Meu irmão. Bianca. Quem viu o que aconteceu.”

Eu estava acostumado a interromper ameaças atacando quem as fazia.

Helena tinha passado a vida tentando impedir que as ameaças chegassem às pessoas que amava.

Naquela noite, entendi a diferença.

Baixei o telefone.

“Raul, primeiro a família.”

Ele assentiu.

Afonso recebeu uma ligação sobre o estado de Helena. Camila foi acompanhar os encaminhamentos da denúncia e prometeu atualizar a família assim que tivesse informações.

Eu entrei no carro com Helena e Bianca.

Minha irmã tremia.

Estendi uma garrafa de água.

“Você sabia de tudo isso?”, perguntou.

“Ouvi a gravação antes do jantar.”

“E conseguiu sentar naquela mesa?”

Olhei para Helena.

“Era o plano.”

Bianca abriu a garrafa.

“Eu passei anos assinando convites para ele.”

Ninguém disse que ela não tinha culpa.

Naquele momento, minha irmã precisava de espaço para entender o que havia feito sem saber.

No caminho, Gabriel ligou.

Helena atendeu.

“Estamos indo.”

Ele fez uma pergunta que não consegui ouvir.

Ela fechou os olhos.

“Todo mundo ouviu, Gabi.”

Houve um silêncio longo.

Depois ela aproximou o telefone do peito e começou a chorar.

Eu não tentei tirar o aparelho da mão dela.

Não pedi que fosse forte.

Fiquei ao lado enquanto ela respirava aos poucos e voltava a falar com o irmão.

Raul ligou antes de chegarmos à casa.

“Não entrem.”

Endireitei o corpo.

“Por quê?”

“Encontramos outra permissão de acesso. Faz parte do sistema das casas de apoio. A casa onde Teresa e Gabriel estão ainda pode ser aberta por uma credencial antiga.”

“Já bloquearam?”

“Sim. Mas houve uma consulta ao endereço há vinte minutos.”

Olhei pela janela.

O motorista aguardava minha instrução.

“Leve-nos para o ponto alternativo”, ordenei.

Helena retirou o telefone do ouvido.

“O que aconteceu?”

Expliquei.

Ela empalideceu.

“Minha mãe e Gabriel?”

“Raul está tirando os dois de lá.”

Na ligação, ouvi meu chefe de segurança falar com alguém.

Depois voltou para mim.

“O carro acessível acabou de sair. Teresa está com ele.”

Soltei o ar.

“Quem usou a credencial?”

“Um supervisor de manutenção. Sérgio Mota. Trabalha no grupo há onze anos.”

Eu conhecia Sérgio.

Tinha visto o homem naquela casa dois dias antes.

Ele se oferecera para verificar uma câmera que falhava perto do portão.

Na ocasião, agradeci.

Agora Raul me enviava uma imagem daquela câmera.

Uma van branca estava parada diante da casa.

E alguém já havia descido para tocar a campainha.

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