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"Ela Era Só Minha Faxineira. Declarei Guerra Por Ela." Capítulo 8 — Se quiser ficar

正文开头

Capítulo 8 — Se quiser ficar

A van chegou quatro minutos depois que Teresa e Gabriel saíram.

Quatro minutos.

Olhei o horário da imagem até os números perderem o sentido.

O homem diante do portão usava uma camisa de manutenção e carregava uma maleta.

Esperou.

Tocou a campainha de novo.

Depois falou ao telefone e voltou para a van.

Raul manteve a câmera ativa enquanto providenciava a entrega dos registros às pessoas que investigavam o caso.

Dessa vez, não mandou ninguém entrar num galpão por minha ordem.

Eu tinha aprendido alguma coisa.

Ainda não sabia se era suficiente.

Encontramos a família num imóvel que Camila ajudara a escolher por meio de pessoas sem ligação com o grupo Bellandi.

A casa era menor.

Não tinha portão ornamentado nem uma garagem para seis carros.

Tinha quartos no térreo e portas largas o bastante para Gabriel passar.

Ele estava na cozinha quando entrei.

Helena se abaixou com cuidado para abraçá-lo.

O rapaz apertou os olhos.

“Você está machucada.”

“Já estava antes.”

“Então para de se dobrar.”

Ela soltou uma risada curta e começou a chorar de novo.

Gabriel a segurou pela cintura, evitando o lado ferido.

Teresa se aproximou dos dois.

Fiquei na entrada.

Eu havia levado aquela família a uma casa que meu pai ainda conseguia alcançar.

Não era hora de pedir que confiassem em mim.

Era hora de explicar.

Quando Helena se sentou, contei sobre Sérgio, a credencial e a van.

Gabriel abriu a imagem no próprio telefone.

“Vocês olharam a casa inteira e deixaram isso passar?”

“Sim.”

Ele ergueu o rosto.

“Quem?”

“Minha equipe. Sob minha responsabilidade.”

Raul permaneceu ao meu lado.

Não se defendeu.

Teresa perguntou se precisariam mudar de lugar outra vez.

“Não por uma decisão minha”, respondi. “Os acessos daqui não fazem parte do nosso sistema. A Camila vai acompanhar qualquer alteração.”

“E seus homens?”, Helena perguntou.

“Ficam do lado de fora, se vocês concordarem. As chaves ficam com vocês.”

Ela olhou para a mãe.

Depois para Gabriel.

Os três conversaram sem baixar a voz.

Concordaram com a proteção externa, recusaram câmeras dentro da casa e pediram que apenas Raul coordenasse os contatos comigo.

Aceitei.

Antes de sair, encontrei Helena na varanda dos fundos.

Ela tinha retirado os sapatos e apoiado os pés num banco.

“Você parece cansado”, disse.

“Você parece irritada.”

“Também.”

Sentei na outra cadeira.

Uma luz amarela iluminava a mesa pequena entre nós. Havia um vaso com uma planta quase seca.

Helena tocou uma folha.

“Essa ainda volta.”

Eu olhei para a planta.

“Você entende disso?”

“Entendo de coisa que esquecem num canto.”

A frase me fez baixar os olhos.

Ela não tentou suavizá-la.

“Eu deixei meu pai conservar acesso a lugares que achava que controlava”, falei. “Também deixei gente próxima a ele continuar decidindo por mim.”

“Porque era conveniente.”

“Sim.”

Helena soltou a folha.

“E porque as vítimas não chegavam na sua porta.”

正文1

Pensei no sangue sobre o mármore.

“Sim.”

Ela me observou por alguns segundos.

Era mais difícil dizer aquelas coisas do que ameaçar alguém.

Mesmo assim, as ameaças não tinham impedido o sequestro, a falsificação ou a van.

“Eu ouvi o que falam de você”, Helena disse.

“Imagino.”

“Não quero imaginar. Quero saber o que acontece quando você perde a paciência comigo.”

Olhei diretamente para ela.

“Você não é alguém que precisa me obedecer.”

“Eu era sua funcionária.”

A frase ficou entre nós.

Eu tinha pensado no perigo, na casa, nos cuidados médicos.

Não tinha resolvido aquilo.

“Não vai voltar a trabalhar para mim.”

Helena retirou os pés do banco.

“Você está me demitindo?”

“Estou dizendo que não quero manter essa relação.”

“Então fale direito.”

Respirei fundo.

“Seu afastamento e seus direitos serão tratados com a Camila. Se você quiser encerrar o vínculo, será feito sem prejudicar o que lhe é devido. Se preferir decidir depois, decide depois. Mas eu não vou pedir que volte para a minha casa como funcionária.”

Ela permaneceu quieta.

“E a ajuda à minha família?”

“Não depende de você trabalhar para mim.”

“Nem de gostar de você?”

Olhei para as próprias mãos.

“Nem disso.”

Helena se recostou.

A pergunta tinha sido feita com firmeza.

A resposta me custou mais do que deixei aparecer.

Eu queria que ela gostasse de mim.

Queria descobrir como seria a mão dela no meu rosto quando não estivesse procurando uma ameaça.

Mas não podia comprar aquela resposta com transporte, tratamento ou um lugar seguro para Gabriel dormir.

“Eu posso continuar protegendo vocês enquanto precisarem”, acrescentei. “Também posso ajudar a organizar algo em que vocês não dependam de mim.”

“Quero isso.”

Assenti.

“Vamos organizar.”

“E quero continuar a investigação.”

“Camila já tem os documentos.”

“Você tem a empresa. Minha mãe tem as lembranças. Eu tenho coisas que vocês não viram.”

Era verdade.

“Então continuamos.”

Nos dois dias seguintes, a família encontrou uma rotina possível dentro da casa.

Teresa foi ao tratamento acompanhada por uma mulher indicada por Camila. Gabriel manteve os horários de fisioterapia e recebeu um telefone com as informações necessárias para acionar ajuda sem passar por mim.

Helena revisou seus contratos de trabalho.

Quando me contou, parecia esperar alguma objeção.

“Eu aceitei encerrar o vínculo com a casa”, disse.

“Tudo certo com os valores?”

“Camila conferiu.”

“Ótimo.”

Ela ficou me olhando.

“Só isso?”

Eu queria dizer muito mais.

Disse o que importava.

“Só isso.”

Na mesma tarde, Raul trouxe informações sobre Sérgio.

O supervisor tentara justificar a consulta ao endereço como uma verificação técnica. Mas havia se encontrado com Otávio depois da suspensão dos acessos.

Parte da conversa aparecia nas câmeras de um posto.

Sérgio acabou indicando um local para onde mandavam caixas do arquivo externo.

Um armazém antigo, ligado a uma empresa de fachada no caminho de Santos.

“Augusto pode estar preparando a saída”, Raul disse.

“Com dinheiro ou documentos?”

“Os dois, provavelmente. Há movimentação de veículos e retirada de equipamentos.”

Camila pediu que as informações fossem encaminhadas formalmente, sem provocar uma ação improvisada.

Eu concordei.

Helena ouviu a conversa da sala.

Mais tarde, encontrei-a na cozinha, tentando abrir um pote.

Peguei e afrouxei a tampa.

Devolvi sem fazer comentário.

Ela sorriu.

Era um sorriso inteiro dessa vez.

Pequeno, mas sem esforço.

“Obrigada.”

Eu deveria ter ido embora depois disso.

Não fui.

Ela também não se afastou.

“Você fica esperando eu pedir para você sair?”, perguntou.

“Às vezes.”

“E quando eu não peço?”

“Eu fico.”

Helena apoiou o pote na bancada.

Deu um passo na minha direção.

Meu olhar desceu até a boca dela e voltou aos olhos.

“Você ainda está se recuperando.”

“Eu sei.”

Ela tocou meu rosto com a mão esquerda.

Nenhuma manga puxada por desespero.

Nenhum pedido de socorro.

Só a mão dela, quente contra minha pele.

“Se você quiser me beijar, pode perguntar.”

Engoli em seco.

“Você quer?”

“Quero.”

Inclinei-me devagar.

Helena fechou os olhos antes de nossos lábios se encontrarem.

O beijo foi cuidadoso. Eu não a apertei contra a bancada nem tentei transformar a escolha dela numa oportunidade para exigir mais.

Quando me afastei, ela ainda segurava meu rosto.

“Eu não fiz isso porque você me tirou daquele depósito.”

“Eu sei.”

“Nem porque pagou alguma coisa.”

“Eu sei.”

Ela sorriu de lado.

“Ótimo. Porque eu gosto de deixar claro.”

Encostei minha testa na dela por um segundo.

Meu telefone vibrou.

Afastei-me para atender, mostrando antes o nome de Raul.

Helena assentiu.

A voz dele veio baixa.

“Encontramos uma mensagem entre Sérgio e Otávio.”

“Sobre o armazém?”

“Sim.”

Olhei para Helena.

Raul continuou:

“Mandaram tirar o que tem valor até amanhã. O resto vai ser queimado.”

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