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"Ela Era Só Minha Faxineira. Declarei Guerra Por Ela." Capítulo 4 — Proteção não é prisão

正文开头

Capítulo 4 — Proteção não é prisão

Helena encostou o ombro na porta do carro quando viu meu nome no documento.

Não havia espaço suficiente para se afastar mais.

Eu apaguei a tela.

Ela olhou para minha mão.

“Não esconda.”

Abri a imagem outra vez e entreguei o aparelho.

“Pode ler.”

O motorista manteve os olhos na estrada. Entre nós, a luz do telefone iluminava o rosto machucado dela.

“Você saiu para buscar o homem que me bateu”, Helena disse. “Enquanto isso, alguém usou sua autorização para me tirar do hospital.”

“Sim.”

“Quem consegue fazer isso?”

“É o que vou descobrir.”

“Essa resposta não me protege.”

Eu poderia ter dito que ninguém voltaria a tocá-la. Algumas horas antes, acreditava que bastava ordenar para aquilo se tornar verdade.

Agora havia uma maca vazia, minha irmã ferida e um documento com meu nome.

“Não”, respondi. “Ainda não.”

Helena devolveu o telefone.

“Quero ficar com minha família.”

“Depois dos exames.”

“Com minha família”, repetiu. “Não na sua casa.”

Olhei para ela por alguns segundos.

“Vou organizar.”

A nova internação ocorreu num hospital indicado por Afonso. Raul enviou apenas dois homens, escolhidos pessoalmente, e nenhuma mudança de quarto poderia acontecer sem confirmação direta comigo e com a equipe médica.

Também pedi que Helena fosse informada de qualquer decisão.

Foi a primeira ordem daquela madrugada que ela ouviu sem se encolher.

Teresa chegou antes do amanhecer. Quando entrou no quarto, Helena ergueu o braço bom.

A mãe se aproximou com cuidado.

Não houve gritos.

Teresa beijou o cabelo da filha e permaneceu ali, inclinada sobre ela, até Helena dizer:

“Mãe, você vai cair.”

Só então Teresa sentou.

Gabriel veio logo atrás, trazendo o carregador do telefone e uma sacola com roupas.

“Você escolheu as piores”, Helena murmurou.

“Escolhi as que não têm logotipo de mafioso.”

Ele me olhou ao dizer aquilo.

Eu permaneci junto à porta.

“Gabriel”, Teresa repreendeu.

“Ele pode ouvir.”

“Posso”, falei.

Helena fechou os olhos por um momento. Quando os abriu, pediu que o irmão se aproximasse.

Os dois conversaram baixo. Vi Gabriel colocar um envelope na bolsa dela.

Não pedi para olhar.

Já tinha exigido informações demais de pessoas que não haviam escolhido estar naquela situação.

Raul me encontrou no corredor pouco depois.

“O código não foi criado ontem”, disse. “É uma autorização antiga, de quando seu pai ainda acompanhava o escritório.”

“Eu mandei cancelar os acessos dele.”

“Cancelaram o usuário principal. Esse ficou como integração administrativa.”

“Responsável?”

“Otávio Lacerda.”

Eu conhecia Otávio desde os dezessete anos.

Ele organizava contratos, resolvia pagamentos atrasados e aparecia nas reuniões com uma pasta fina e uma caneta que nunca emprestava.

Meu pai confiava nele.

Durante anos, considerei isso uma recomendação.

“Bloqueie tudo”, ordenei.

“Já bloqueei o acesso usado no hospital. Para o resto, preciso da sua assinatura.”

Peguei o tablet e assinei.

Raul observou meu rosto.

“Se ele estiver envolvido, vai perceber.”

“Então que perceba.”

正文1

“E pode destruir o que ainda não encontramos.”

Devolvi o tablet.

“Preserve os registros antes de comunicar. Depois suspenda.”

Raul assentiu e se afastou.

Quando voltei ao quarto, Helena estava sozinha com Gabriel. Teresa tinha ido fazer uma refeição, acompanhada por uma funcionária do hospital.

“Encontrou alguém?”, Helena perguntou.

Contei sobre o acesso antigo e Otávio.

Gabriel encostou as mãos nas rodas.

“Ele sabia que você estava no galpão?”

“Ainda não sei.”

“Então não sabe se só falsificou um papel ou se ajudou a matar aquele homem.”

Helena olhou para o irmão.

“Como você sabe que alguém morreu?”

Ele apontou para mim.

“Perguntei ao Raul.”

Eu precisava lembrar que aquela família conversava entre si. Não eram três pessoas isoladas esperando que eu distribuísse informações.

“Não sabemos a extensão da participação dele”, respondi. “Por isso estamos preservando os registros.”

Helena ajeitou a manta.

“Quero ver esses registros.”

“Helena, você precisa descansar.”

“Eu sei do que preciso. Também sei que vocês estão procurando alguém que conheça sua rotina. Eu passei quatorze meses vendo essa rotina.”

Puxei uma cadeira.

“Então vamos combinar como fazer isso.”

Ela me olhou desconfiada.

“Combinar?”

“Você não vai trabalhar enquanto se recupera. Sua família terá transporte e proteção. E qualquer coisa que diga respeito a vocês será discutida com vocês.”

“Sem usar meu salário para cobrar depois.”

“Sem cobrar depois.”

“Sem trancar portas.”

Olhei para Gabriel antes de responder.

“Vocês não serão impedidos de sair. Mas preciso que avisem, para que a proteção acompanhe.”

“E se eu não quiser um dos seus homens perto?”

“Você diz por quê. Nós procuramos uma alternativa.”

Helena estudou meu rosto.

Eu não sabia o que ela procurava.

Sabia apenas que não queria vê-la recuar contra uma porta outra vez.

“Uma advogada”, ela disse. “Alguém que não trabalhe para você.”

“Você escolhe.”

Gabriel ergueu o telefone.

“Já achei duas.”

Pela primeira vez desde a agressão, Helena quase sorriu.

No fim da manhã, Afonso explicou que ela permaneceria em observação por mais um dia. Depois, poderia ir para um local onde houvesse apoio e acesso aos cuidados necessários.

O apartamento da Vila Mariana era apertado para os três e a equipe de proteção.

Ofereci uma casa térrea que eu usava para receber parentes distantes. Raul verificou os acessos, e Gabriel confirmou por vídeo que conseguiria circular sem ajuda.

Helena aceitou depois de ouvir que teria a própria chave.

À tarde, Teresa pediu para conversar comigo.

Encontramo-nos numa pequena sala do hospital. Ela segurava a fotografia antiga dentro de um saco transparente.

“Meu marido se chamava Paulo”, começou. “Ele dirigia para uma empresa que prestava serviço ao grupo do seu pai.”

Sentei diante dela.

“Eu cuidava de contas. Não de todas. Do que mandavam para o meu setor.”

“E encontrou alguma coisa.”

Ela assentiu.

“Pagamentos que não combinavam com as entregas. Empresas que recebiam sem prestar serviço. Fiz cópias porque achei que estavam usando meu nome.”

“Seu marido sabia?”

“Ele me ajudou a guardar.”

“Depois houve o acidente.”

Teresa apertou a fotografia.

“O caminhão saiu da pista. Disseram que ele estava cansado. Augusto apareceu antes do enterro.”

Eu mantive as mãos abertas sobre os joelhos.

“O que ele disse?”

“Que eu precisava pensar na minha filha.”

Helena tinha seis anos.

Olhei para a menina na foto.

“Ele ameaçou vocês.”

“Não usou essa palavra.”

Eu conhecia o método.

Meu pai raramente usava.

“Por que não contou à polícia?”

Teresa levantou o rosto.

“Você cresceu com ele. Precisa mesmo perguntar?”

Não.

Eu não precisava.

Quando retornei ao quarto, Helena estava tentando prender o cabelo com uma mão.

O elástico caiu no lençol.

Peguei e estendi para ela.

“Obrigada.”

Tentou de novo, ficou irritada e soltou os fios.

“Quer ajuda?”, perguntei.

Ela demorou a assentir.

Passei o elástico com cuidado, evitando tocar no lado ferido do rosto. Meu polegar roçou a nuca dela.

Helena ficou imóvel.

Eu também.

Durante quatorze meses, tinha passado por ela em corredores sem dizer mais do que bom-dia. Agora conseguia sentir o calor da pele sob os dedos e precisava me lembrar de que ela estava machucada, exausta e dependendo de uma segurança que eu ainda não tinha conseguido oferecer.

Afastei as mãos.

“Está muito apertado?”

“Não.”

Ela se virou.

“Minha mãe contou?”

“Parte.”

“Eu queria que fosse só um medo antigo.”

Antes que eu respondesse, Teresa entrou no quarto.

Segurava o celular.

“Mandaram uma mensagem.”

Peguei o aparelho quando ela me ofereceu.

Na tela havia uma fotografia de Gabriel, ainda no asfalto, ao lado da moto destruída.

A legenda dizia:

“Você já perdeu um marido. Não obrigue seus filhos a pagar o resto.”

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