Eu precisava daquele emprego. Minha filha de três anos precisava aprender a não entrar em portas proibidas. Naquela tarde, nenhuma de nós fez o que deveria. Encontrei Lili sentada no tapete do escritório de Henrique Avelar, segurando uma peça do xadrez dele. O bilionário que eu nunca tinha visto rir estava no chão, tentando negociar com ela. Preparei meu pedido de desculpas. Ele perguntou quando ela voltaria. Desde a morte da esposa, Henrique mantinha aquela parte da casa intocada. Mas minha filha começou a mudar as regras. E, entre partidas impossíveis, jantares inesperados e olhares demorados, eu comecei a esquecer que ele era meu patrão. Até encontrar uma irregularidade nos documentos da empresa. O dinheiro destinado a ajudar famílias estava parado. Meu nome aparecia numa lista que eu nunca tinha visto. E a mulher que Henrique perdera havia deixado algo que mudaria a maneira como ele me enxergava. Eu só queria garantir o futuro da minha filha. Não estava preparada para desejar um lugar na vida dele.