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"Minha Filha Entrou no Escritório Proibido do Bilionário… E Mudou Nossas Vidas." Capítulo 3

正文开头

MEU NOME NAQUELA LISTA

"Eu me lembro", respondi.

Henrique olhou para mim.

"Do programa?"

"Dela. Cecília conversou comigo quando comecei aqui."

O rosto dele se modificou de um jeito discreto. Até então, parecia ter esquecido que eu também trabalhara naquela casa enquanto ela estava viva.

"Ela conversava com todo mundo."

"Sim."

Não contei sobre a lavanderia. Não naquela manhã, diante do café e dos olhos cansados dele. Era uma lembrança pequena e minha, duas conversas que eu guardava sem saber onde colocar.

Henrique abriu a pasta.

"Ela não suportava ouvir que um funcionário precisava escolher entre buscar uma criança e manter o emprego. Insistiu tanto que o projeto saiu do papel. Depois que morreu, me disseram que o custo tinha crescido demais."

Ele esfregou a testa.

"Autorizei uma revisão. Uma pausa para novas adesões. Não que continuassem cobrando por um serviço que ninguém recebia."

"Talvez os descontos tenham sido mantidos por engano."

"Por oito meses?"

Era a mesma pergunta que eu fizera na véspera. Ouvi-la na voz dele tirou qualquer alívio possível.

O telefone tocou antes que continuássemos. Renata precisava falar com ele na empresa. Levantei para voltar ao escritório administrativo, mas Henrique pediu que eu ficasse mais um instante.

"Você me envia o comunicado original? Sem encaminhar para outras pessoas. Renata quer conferir o cabeçalho e a data de envio."

"Envio."

"E, Marina..."

Esperei.

"Obrigado. Sei que teria sido mais fácil fechar o arquivo."

Eu não tinha uma resposta confortável para aquilo.

"Pensei em fechar."

"Imagino."

Ele não me pediu que fosse corajosa. Não disse que não havia motivo para medo. Por alguma razão, isso me ajudou a terminar o café.

Passei a manhã trabalhando. Às onze, corrigi uma cobrança duplicada da empresa de jardinagem. Ao meio-dia, confirmei o conserto de uma geladeira. A casa continuava funcionando, indiferente à descoberta de que alguém mantivera dinheiro de funcionários parado numa conta.

No almoço, Lourdes colocou mais feijão no meu prato sem perguntar.

"Você não dormiu."

"Você também não."

"Eu tenho idade para dormir mal por esporte. Você tem uma criança. Come."

Contei apenas que estavam conferindo o problema. Ela assentiu e não insistiu.

"A Cecília ia gostar de saber que você percebeu", comentou.

Fiquei olhando para o prato.

"Eu só entendo um pouco de números."

"Às vezes é o bastante para começar."

Henrique voltou no meio da tarde. Não me chamou. Vi o carro pela janela, ouvi os passos na escada e depois a porta do escritório se fechar.

Uma hora mais tarde, Renata chegou. Pediu a Lourdes uma sala onde pudesse trabalhar e me chamou para confirmar o código que usáramos nos registros da casa. Havia uma cópia mais antiga da folha na pasta da família, e ela precisava entender como os identificadores eram relacionados.

Respondi ao que sabia. O restante deixei claro que desconhecia.

"Já conseguiram descobrir quanto?", perguntei.

"Ainda estamos conciliando os valores. Há contribuições, recursos da empresa e uma reserva criada por Cecília. Não quero misturar coisas diferentes antes de conferir."

正文1

Gostei dela por não transformar uma dúvida em certeza só para me tranquilizar.

Quando Henrique entrou, Renata mostrou um documento no computador. Ele ficou atrás da cadeira, lendo. Vi seus dedos apertarem o encosto.

"Ela usou dinheiro dela?"

"Sim. O aporte está documentado. E existe uma mensagem enviada ao senhor explicando a finalidade."

Renata virou a tela na direção dele.

Eu me levantei.

"Vou deixar vocês."

"Espere", pediu Henrique.

Hesitei.

Ele leu em silêncio. A expressão mudou primeiro para concentração, depois para uma imobilidade que me fez desviar o olhar. Quando falou, a voz estava baixa.

"Eu nunca abri."

Renata não respondeu. Ele deslizou o computador um pouco para mim.

"Leia o último parágrafo."

A mensagem era prática, íntima de um jeito que me constrangeu. Cecília explicava por que reservara recursos próprios e pedia ao marido que verificasse qualquer decisão de encerramento. Havia famílias contando com aquela ajuda. Os acertos não podiam desaparecer numa troca de administradores.

No fim, escrevera que discutir orçamento era importante, mas nenhuma planilha buscava uma criança na escola.

Henrique soltou uma pequena expiração.

"Eu consigo ouvir a voz dela nessa frase."

Dobrei as mãos no colo. Ele fechou o computador e saiu sem dizer mais nada.

Esperei alguns segundos.

"Vou ver se precisa de alguma coisa."

Renata assentiu.

Encontrei-o no escritório, diante do tabuleiro. A janela estava aberta. O cheiro da chuva que se aproximava entrava pelo jardim.

"Posso entrar?"

"Já entrou."

Parei no batente.

Ele se virou, percebeu meu movimento e passou a mão pelo rosto.

"Desculpe. Não foi uma ordem para sair."

Entrei, mas fiquei perto da porta.

"Ela estava no hospital quando mandou aquela mensagem", disse. "A cirurgia tinha corrido bem. A infecção veio depois. Naquele dia, reclamava da comida e queria saber se eu tinha lido uma proposta."

Ele olhou para o tabuleiro.

"Achei que leria depois."

Não disse que ele não devia se culpar. Eu conhecia a inutilidade daquela frase.

"Meu pai me ligou na noite anterior ao infarto", contei.

Henrique ergueu os olhos.

"Tínhamos brigado. Vi o nome no telefone e deixei tocar. Pensei em ligar no dia seguinte."

A chuva começou com gotas grandes contra o vidro.

"Durante muito tempo, fiquei inventando o que ele queria dizer. Um pedido de desculpas. Alguma coisa que teria mudado tudo."

"E parou?"

"Nem sempre. Mas tento lembrar que ele também ligava para perguntar onde estava a escada que eu pegava emprestada."

Um canto da boca dele se moveu.

"Você não devolvia?"

"Eu morava num apartamento sem escada. Era ótimo continuar com a dele."

Henrique baixou a cabeça. Quando voltou a olhar para mim, o rosto estava menos fechado.

"Sinto muito pelo seu pai."

"Eu também sinto pela Cecília."

Ele apontou a poltrona. Dessa vez, sentei sem esperar um segundo convite.

Ficamos ouvindo a chuva. Meu uniforme estava um pouco apertado nos ombros; eu não sabia onde pôr as mãos. Henrique segurava uma peça branca, fazendo-a girar devagar, mas não parecia querer terminar a conversa.

"Ela falaria que estou atrasado", disse por fim.

"Para quê?"

"Para abrir a mensagem e fazer alguma coisa."

Assenti.

"Essa parte ainda dá tempo."

Renata bateu na porta alguns minutos depois. Trazia uma impressão com marcações e pediu que voltássemos à sala.

Os registros mostravam que Otávio Brandão, diretor administrativo e velho conhecido da família, havia determinado a suspensão das liberações. Os motivos ainda precisavam ser esclarecidos. Henrique começou a fazer perguntas, mas eu deixei de acompanhar quando reconheci uma sequência de números na última folha.

Era meu identificador na folha da casa.

Inclinei o corpo para a frente.

Ao lado, estava escrito meu nome completo.

Marina Duarte. Auxílio emergencial de educação infantil. Valor reservado: R$ 2.400.

A data era de sete meses antes.

Exatamente o mês em que quase tirara Lili da escola.

"Isso está errado", falei.

Renata seguiu meu dedo.

"O nome?"

"Eu nunca pedi esse dinheiro. Nunca recebi aviso nenhum."

Henrique se aproximou. Leu a linha e depois olhou para mim.

Senti uma pressão dolorosa atrás dos olhos.

"Como o meu nome foi parar na reserva da sua mulher?"

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