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"Minha Filha Entrou no Escritório Proibido do Bilionário… E Mudou Nossas Vidas." Capítulo 4

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A CAIXA DE MORANGOS

Renata puxou a cadeira para perto da minha.

"O projeto cruzava informações da folha para identificar funcionários que poderiam precisar de auxílio. Depois, a pessoa deveria receber um convite, confirmar os dados e decidir se queria solicitar o valor reservado."

"Eu não recebi."

"Não. Encontramos os convites preparados, mas o envio foi suspenso junto com os pagamentos. Seu registro entrou porque a administração da casa participava do programa."

Ela abriu outra página, mostrando a sequência.

"Cecília criou a reserva antes. A seleção deste valor aconteceu sete meses atrás, conforme as regras que continuaram ativas. Não foi uma solicitação feita por ela depois."

Assenti, ainda tentando acompanhar. Não havia um pedido secreto em meu nome. Havia uma ajuda prevista, uma mensagem que nunca chegara e uma decisão impedindo ambas.

"Quantas pessoas ficaram nessa situação?", perguntei.

"Centenas. Estamos verificando caso a caso."

Passei o polegar pela beirada da folha.

Henrique ficou ao meu lado, tão quieto que a presença dele parecia maior.

"Naquele mês", comecei, "a escola aumentou a mensalidade. Eu estava pagando o conserto do carro."

Não sabia por que precisava contar. Talvez porque, até então, o valor no papel parecesse pequeno demais para justificar a confusão no meu peito.

"Eu fui ao mercado com Lili numa quinta-feira. Tinha separado o dinheiro do combustível. O resto precisava durar até o pagamento. Ela viu morangos."

A voz falhou de um jeito ridículo. Eu não chorara quando a direção da escola me ofereceu parcelar o atraso. Não chorara quando o carro parou no acostamento. Agora, por causa de fruta, mal conseguia falar.

"Ela colocou a caixinha no carrinho. Não fez birra. Só disse que queria comer com a colher pequena."

Henrique apoiou a mão no encosto da minha cadeira.

"Tive que devolver. Disse que não estavam bons. No estacionamento, ela perguntou se o mercado inteiro tinha morangos estragados."

Limpei o rosto antes de perceber que estava molhado.

"Dois mil e quatrocentos reais teriam resolvido aquele mês. Teriam resolvido o seguinte também."

Renata me ofereceu um lenço. Peguei e pedi desculpas por hábito.

"Não tem pelo que se desculpar", disse ela.

Henrique afastou a mão da cadeira e foi até a janela. Quando voltou, tinha o telefone na mão.

"Me passe seus dados bancários."

Olhei para ele.

"Para quê?"

"Você não deveria ter passado por isso. Eu posso transferir agora. Renata regulariza o auxílio depois."

"Não."

Ele franziu a testa.

"Marina."

"Quero receber o que me cabe, quando verificarem. Não quero contar uma coisa difícil e sair daqui com uma transferência pessoal."

"Você não está me pedindo."

"Eu sei."

Ele guardou o celular com um movimento brusco.

"Então não entendo o problema."

Levantei. Precisava ficar de pé para responder sem me sentir ainda menor.

"Amanhã eu vou perguntar se o senhor quer trocar o fornecedor de café. Depois de amanhã, vou errar uma nota. Não quero pensar nesse dinheiro toda vez que falar com o senhor."

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Henrique abriu a boca, mas ficou em silêncio.

Eu respirei.

"Já é difícil estar aqui contando que não pude comprar uma fruta para minha filha. Por favor, não torne isso mais difícil."

Renata fechou a pasta devagar.

"Vou deixar vocês conversarem. Tenho uma ligação."

Quando a porta se fechou, me arrependi da força da última frase. Meu patrão estava tentando ajudar. Eu parecia uma ingrata de olhos inchados.

"Não quis ser grosseira."

"Você não foi."

Ele tirou o relógio, pousou sobre a mesa e tornou a colocá-lo. Era a primeira vez que o via sem saber o que fazer com as mãos.

"Ouvi você e pensei em resolver a parte que eu sabia resolver."

"Eu entendi."

"Mas não era isso que você estava me pedindo."

Balancei a cabeça.

"Eu nem estava pedindo. Só precisava que alguém entendesse o que ficou preso naquela conta."

Ele olhou para a linha com meu nome.

"Entendi agora."

Não era uma promessa bonita. Mesmo assim, meus ombros cederam um pouco.

Renata voltou e explicou os próximos passos sem me prometer uma data impossível. Meu cadastro seria conferido comigo; qualquer regularização viria pelo programa, documentada. Eu receberia uma cópia e poderia perguntar o que não entendesse.

Antes de sair, Henrique pediu que ela priorizasse o levantamento dos convites bloqueados para todas as famílias.

Não apenas o meu.

Voltei à mesa da administração com a cabeça latejando. Lourdes apareceu com um copo de água e não perguntou por que eu tinha chorado. Ficou ali até eu beber.

Às quatro e meia, minha vizinha deixou Lili na portaria. Saí para buscá-la e encontrei Henrique no caminho, com uma pasta debaixo do braço.

Minha filha correu até ele.

"O rei acordou!"

Eu tinha esquecido completamente a peça.

Abri a mochila e tirei o saquinho de tecido em que a guardara para evitar arranhões. Henrique se agachou, mas não estendeu a mão.

"Dormiu bem?"

"Sim. Eu não ronco."

"Eu estava perguntando pelo rei."

"Ele também não."

A risada que me escapou saiu um pouco rouca. Henrique ergueu os olhos para mim e depois voltou à minha filha.

"Podemos conferir se ele ainda sabe onde fica o tabuleiro."

Lili me procurou com o olhar.

"Posso?"

Aquela pergunta foi tão importante quanto o convite.

"Pode. Dez minutos. E não corra."

Ela começou andando depressa, fez um esforço visível para diminuir e desapareceu com ele pelo corredor.

Quando fui buscá-la, o rei estava no lugar. Lili apontava uma peça branca e exigia saber por que um cavalo estava preso num jogo de gente.

Henrique me viu na porta.

"Preciso de uma tradução."

"Eu também preciso às vezes."

Ele puxou uma cadeira para mim com o pé.

Fiquei apenas cinco minutos. Foram suficientes para Lili tentar alimentar o cavalo com uma migalha de biscoito e para eu rir sem lembrar dos morangos.

Na saída, Henrique não mencionou dinheiro. Perguntou se a escola tinha resolvido o vazamento. Lembrou que o mecânico precisava examinar a partida do meu carro. Quando respondi que já tinha agendado para sábado, apenas assentiu.

Na segunda-feira, chegou às quatro e vinte.

Na terça, às quatro e meia.

Na quarta, eu estava na copa quando ouvi o carro. Olhei para o relógio antes de conseguir me impedir.

Lourdes cortava um bolo.

"Vai buscar a Lili?", perguntou.

"Ela chega daqui a pouco."

"Eu sei."

Olhei para ela.

A faca continuou atravessando o bolo com uma calma provocadora.

"Você quer dizer alguma coisa?"

"Não. Só acho bom cortar três fatias."

Pela janela, vi Henrique sair do carro ainda terminando uma ligação. Olhou primeiro para a entrada de serviço, por onde Lili costumava chegar. Só depois seguiu para a porta principal.

Peguei o terceiro prato antes que Lourdes pudesse sorrir para mim.

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