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"Meu Marido Me Enterrou Grávida: “Quando Aprender a Obedecer, Eu Te Tiro Daí.”" Capítulo 5

正文开头

O quintal da minha filha

Josefina nasceu seis semanas depois.

Era pequena, tinha os punhos fechados e chorou com uma indignação que fez Renata rir ao meu lado.

"Puxou a vó."

Olhei para minha filha, enrolada na manta do hospital.

"Foi por isso que escolhi o nome."

Minha avó nunca tinha conhecido Eduardo. Durante a gravidez, eu sentira falta dela de um jeito quase físico. Queria sua voz na cozinha, sua mão no meu cabelo, sua capacidade de perceber quando alguma coisa estava errada.

Agora havia uma Josefina respirando contra o meu peito.

Passei o dedo pela bochecha dela. A mão esquerda ainda doía às vezes, e eu fazia exercícios para recuperar os movimentos. Naquela manhã, consegui abrir todos os dedos sem pensar na terra.

O processo não terminou com a chegada da polícia.

Vieram depoimentos, exames, documentos e dias em que uma carta na caixa do correio era suficiente para me fazer tremer. Renata me acompanhava quando eu pedia. Em outros dias, levava Josefina para passear enquanto eu tentava dormir.

Eduardo continuou dizendo que tinha sido um mal-entendido.

Na audiência, ouvi a defesa falar em conflito familiar, descontrole e preocupação com meu estado emocional.

Ele estava sentado a poucos metros de mim. Usava uma camisa que eu havia passado muitas vezes. Quando nossos olhos se encontraram, inclinou a cabeça, como se ainda esperasse que eu entendesse o recado e colaborasse.

Então reproduziram a gravação.

"Você pode comer dentro de casa. É só dizer ao Eduardo que passou dos limites."

A voz de Tereza preencheu a sala.

Ouvi minha própria voz pedindo que me tirassem dali.

Eu lembrava da fome. Não lembrava de soar tão fraca.

Renata estava sentada atrás de mim. Senti a mão dela tocar de leve meu ombro.

Depois veio Eduardo.

"Amanhã você vai ligar para sua irmã e explicar que teve outra crise. Na minha frente."

Ele baixou os olhos.

Não houve uma frase brilhante capaz de devolver aquela noite. Nenhuma reação na sala apagou o que eu tinha vivido. Mas ninguém precisou me perguntar se eu tinha entendido errado.

Tereza e Camila insistiram que não haviam usado a pá.

Foram confrontadas com sua participação: a porta fechada, meus dedos arrancados do batente, a comida negada, a história combinada para quem perguntasse por mim.

Ao final do processo, os três foram condenados. Eduardo recebeu pena de prisão. Minha advogada me explicou as medidas de proteção e o que havia sido decidido sobre o contato comigo e com Josefina.

Pedi que repetisse algumas partes.

Não por confusão. Porque eu queria entender tudo antes de sair daquela sala.

Não voltei a morar na casa de Campinas.

Com a ajuda de Renata, aluguei uma casinha perto dela. A cozinha tinha azulejos azul-claros e uma janela que emperrava quando chovia. O quintal era pequeno, com espaço para um varal e dois vasos.

Na primeira visita, a proprietária pediu desculpa pelo tamanho.

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"Para mim está bom", respondi.

Meses depois, numa manhã após a chuva, abri a porta dos fundos e parei.

O cheiro veio antes da lembrança.

Terra molhada.

Minha mão ficou gelada no trinco. Eu sabia onde estava, via os vasos, ouvia uma moto passando na rua. Mesmo assim, meu corpo não queria atravessar a porta.

Atrás de mim, Josefina bateu a palma no chão. Estava sentada no tapetinho, tentando alcançar um brinquedo que havia rolado para longe.

Voltei, peguei o brinquedo e me sentei com ela.

Não saí naquele dia.

Na manhã seguinte, levei uma cadeira até a porta. Em outra manhã, coloquei um pé do lado de fora. Renata estava lavando uma xícara na cozinha e continuou falando sobre o preço absurdo dos tomates, sem transformar aquilo numa prova que eu precisava passar.

Foi assim que consegui.

Um dia, atravessei o quintal com Josefina no colo para recolher uma toalha do varal. Só percebi depois.

Fiquei ali, com a toalha no braço e minha filha puxando meu cabelo.

Nada aconteceu.

O chão ficou debaixo dos meus pés.

Guardei o telefone numa gaveta. Não para ouvir as gravações. O aparelho voltou para mim depois de tudo, com marcas de umidade e uma rachadura na tela. Não consegui jogá-lo fora.

Às vezes, ao procurar outra coisa, vejo o saquinho dobrado ao lado dele.

Fecho a gaveta e continuo o que estava fazendo.

Tenho contas atrasadas de vez em quando. Tenho roupa acumulada e café frio. Tenho uma irmã que entra dizendo que só vai ficar cinco minutos e acaba jantando conosco.

Josefina está aprendendo a correr. Quando cai, procura meu rosto antes de decidir se vai chorar.

Eu vou até ela.

Nunca peço que pare de chorar para merecer colo.

Ainda não sei como contarei tudo quando ela perguntar pelo pai. Sei apenas que não vou pedir que o perdoe para facilitar minha vida, nem esconder a verdade para proteger o nome dele.

Houve uma manhã em que Eduardo me olhou de cima e disse que eu só sairia quando aprendesse a obedecer.

Hoje, a porta do quintal fica aberta enquanto preparo o almoço. Vejo minha filha pela janela, sentada com Renata diante dos vasos, as duas discutindo seriamente onde plantar uma muda de manjericão.

"Aqui, mamãe!", Josefina chama quando me vê.

Desligo o fogo e vou.

Não preciso pedir permissão para sair.

FIM

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