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"O Chefe da Máfia Salvou Seu Primeiro Amor Primeiro… Três Anos Depois, Sua Esposa Voltou com um Filho" Capítulo 5 — O Pai Que Chegou Três Anos Atrasado

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Aurora percebeu o carro preto antes de alcançar a avenida.

Ele saiu da garagem do Palácio Tangará logo depois do táxi e manteve a mesma distância em todas as conversões. No banco ao lado, Gabriel abraçava a pasta com o projeto da pousada e cantava baixinho, alheio ao perigo.

— Renata, não olhe para trás — Aurora disse. — Tem alguém nos seguindo.

Renata observou pelo retrovisor.

— O sedan sem placa dianteira?

— Sim.

— Pode ser segurança de Dante.

— Ou pode ser Sophia terminando o que começou.

O motorista do táxi acelerou, mas o carro preto se aproximou. Aurora ligou para Rafael. Não possuía o número de Dante e se recusava a pedir que alguém o obtivesse, mas Rafael deixara um cartão em sua bolsa durante a confusão na gala.

— Senhora Aurora?

— Há um carro nos seguindo.

O tom dele mudou imediatamente.

— Onde vocês estão?

Ela deu a localização. Rafael ordenou que o táxi não parasse e seguisse para uma unidade da Polícia Civil em Pinheiros.

— Dante está indo até vocês.

— Eu pedi proteção, não a presença dele.

— Neste momento, são a mesma coisa.

O sedan avançou pela faixa esquerda e tentou emparelhar. O vidro traseiro baixou. Aurora viu um homem levantar o celular e fotografar Gabriel.

O menino percebeu o clarão.

— Mamãe, por que aquele moço tirou foto de mim?

Antes que ela respondesse, duas caminhonetes blindadas surgiram no cruzamento. Uma entrou entre o táxi e o perseguidor; a outra fechou a passagem adiante. O carro preto freou e fugiu pela rua lateral.

A caminhonete dianteira parou. Dante desceu antes que Rafael abrisse sua porta. Ainda vestia o terno da gala, mas a gravata havia desaparecido e a expressão era de uma violência controlada.

Aurora saiu do táxi.

— Você mandou aquele carro?

— Se eu tivesse mandado, não teria fugido.

— Seus homens me arrancaram a paz uma vez. Não espero delicadeza agora.

Dante parou a dois passos dela.

— Pode me odiar. Mas não confunda minha culpa com uma ameaça ao meu filho.

— Meu filho.

— Nosso filho.

Aurora sustentou o olhar dele.

— Você não pode aparecer três anos depois e usar uma palavra bonita para apagar tudo que eu fiz sozinha. Eu tive Gabriel numa sala de cirurgia sem saber se ele respiraria. Passei noites contando cada movimento do peito dele. Quando teve febre, fui eu quem ficou acordada. Quando perguntou pelo pai, fui eu quem inventou respostas que não destruíssem a imagem de um homem que ele nem conhecia.

Dante recebeu cada frase sem interromper.

— Não quero apagar — disse. — Quero estar presente no que vier depois.

— Presença não é um discurso.

— Então observe minhas ações.

Gabriel desceu e ficou entre os dois.

— Vocês sempre brigam assim?

Aurora respirou fundo.

— Não. Nós quase nunca nos vemos.

— Isso vai mudar? — ele perguntou.

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Dante se agachou, mas não tentou tocar no menino.

— Se sua mãe permitir, eu gostaria que mudasse.

Gabriel analisou-o com seriedade.

— Você tem brigadeiro?

Dante abriu a mão. O doce amassado que recebera na gala ainda estava ali, protegido por um guardanapo.

— Ainda tenho o seu.

O menino sorriu. Aurora sentiu o coração traí-la com uma dor diferente.

Rafael aproximou-se.

— Identificamos o carro. Foi alugado por uma empresa ligada a Sérgio Ferraz.

Dante se levantou.

— Encontre-o.

— Sem violência — Aurora exigiu.

Ele a encarou.

— Ele perseguiu uma criança.

— E Gabriel não precisa descobrir que o pai resolve tudo destruindo pessoas.

Dante levou alguns segundos para responder.

— Encontre-o vivo — ordenou a Rafael. — E entregue-o à polícia com provas.

Aurora percebeu o esforço contido naquela mudança. Não era redenção, mas era a primeira vez que ele aceitava uma regra dela.

O hotel onde Aurora estava hospedada já não era seguro. Dante ofereceu a mansão; ela recusou antes que terminasse. Rafael propôs um apartamento protegido pertencente ao instituto, com porteiro, câmeras e acesso independente.

— Ficaremos até amanhã — decidiu Aurora. — Depois voltamos a Paraty.

— Não podem voltar enquanto Sophia souber onde Gabriel estuda — disse Dante.

— Você não decide para onde vamos.

— Não. Mas posso mostrar o risco.

No apartamento, Rafael exibiu a fotografia retirada do carro de Sophia: Gabriel no pátio da escola, tirada duas semanas antes. Havia anotações no verso com horários, endereço e nome da professora.

Aurora empalideceu.

— Ela vigiava meu filho.

Dante fechou a mão.

— Por que não me procurou quando descobriu?

— Porque eu não sabia se você estava com ela.

— Nunca estive.

— Você a carregou para fora do avião.

— E passei três anos desejando ter escolhido diferente.

Aurora afastou-se. Não queria ouvir a dor dele. Durante anos, imaginara Dante vivendo com Sophia, consolado pela mulher que salvara. Descobrir que ele mantivera o quarto de Gabriel intacto tornava tudo mais confuso.

Gabriel encontrou uma caixa de blocos no armário e chamou Dante para ajudá-lo a montar um avião. O pedido atingiu os dois adultos.

Dante sentou-se no tapete, ainda de terno. Gabriel encaixou asas azuis numa fuselagem amarela.

— Esse não explode — anunciou.

Dante perdeu o ar.

Aurora fez menção de interromper, mas ele respondeu:

— Então será melhor que o meu.

— Mamãe disse que avião não é mau. Pessoas podem fazer escolhas ruins dentro dele.

Dante olhou para Aurora.

— Sua mãe está certa.

O menino colocou um boneco no assento dianteiro e outro atrás.

— Esse volta para buscar todo mundo.

Dante baixou a cabeça. Uma lágrima caiu sobre uma peça azul. Gabriel limpou-a com o dedo.

— Adulto também chora?

— Quando chega muito atrasado.

Aurora precisou sair da sala.

Na cozinha, apoiou as mãos na bancada. Dante apareceu alguns minutos depois, mantendo distância.

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— Faremos um exame de DNA onde você escolher — ele disse. — Sem advogados meus, sem médicos meus.

— Você ainda tem dúvida?

— Não. Quero um documento que impeça Sophia ou qualquer Montenegro de chamar Gabriel de fraude.

Aurora concordou com uma condição: a guarda permaneceria exclusivamente com ela até que um juiz avaliasse o caso, e Dante não levaria Gabriel a lugar algum sem autorização.

— Aceito.

— Tão facilmente?

— Passei três anos sem saber que ele respirava. Posso esperar o tempo necessário para que você acredite que não vou tirá-lo de você.

Naquela noite, Gabriel acordou pedindo leite morno. Aurora estava no banho, e Renata atendia uma ligação na varanda. Dante entrou na cozinha como se estivesse diante de uma operação militar.

Encontrou três tipos de leite, duas panelas e um aparelho sofisticado que não sabia ligar. Gabriel subiu num banco e apontou para a caneca amarela.

— Mamãe coloca pouco mel.

Dante aqueceu demais, queimou a ponta dos dedos e derramou metade na bancada. Gabriel observou em silêncio.

— Você é ruim nisso.

— Sou.

— Mas não foi embora.

Dante preparou outra caneca.

Quando Aurora apareceu, encontrou o filho bebendo no colo dele. Dante não tentou transformar o momento em vitória. Apenas perguntou se a temperatura estava correta.

— Está — ela respondeu.

Era uma palavra pequena, mas foi a primeira aprovação que lhe dava desde o reencontro.

Na manhã seguinte, fizeram a coleta num laboratório indicado por Lígia. Gabriel não chorou. Disse ao enfermeiro que homens corajosos podiam achar a agulha desagradável sem fazer escândalo.

Dante quase sorriu.

Ao saírem, Rafael ligou. A polícia encontrara Sérgio tentando embarcar num voo para o Uruguai. No carro dele havia um passaporte falso com a fotografia de Gabriel e outro com a fotografia de Sophia.

Aurora sentiu o chão desaparecer.

Dante recebeu no celular a imagem do documento infantil. O sobrenome impresso era Ferraz.

Sophia não planejava apenas silenciar Gabriel.

Planejava levá-lo para fora do Brasil.

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