"O Chefe da Máfia Salvou Seu Primeiro Amor Primeiro… Três Anos Depois, Sua Esposa Voltou com um Filho" Capítulo 4 — O Menino Com os Olhos de Dante
Gabriel olhou para o homem alto que o impedira de cair.
— Sua segurança é péssima.
Dante ficou imóvel. Até o tom impaciente parecia familiar. O menino ajeitou o pequeno paletó, ergueu o queixo e encarou-o sem medo, como se estivesse diante de um espelho de trinta e quatro anos no futuro.
— Quem é você? — Dante perguntou.
— Gabriel.
— Gabriel o quê?
O menino hesitou. Aurora o ensinara a não dar o sobrenome a estranhos.
— Primeiro você diz seu nome.
Rafael, a poucos passos, quase sorriu. Dante Montenegro não era questionado daquela forma por adultos, muito menos por uma criança com chocolate no bolso.
— Dante.
Gabriel franziu a testa.
— Só Dante?
— Dante Montenegro.
O menino arregalou os olhos para o retrato no palco e depois voltou a encará-lo.
— Você conhecia minha mãe quando ela tinha barriga grande.
O sangue abandonou o rosto de Dante.
Sophia surgiu entre os convidados.
— Dante, a apresentação vai começar.
Então viu Gabriel de perto.
A taça escapou de sua mão e se quebrou no chão.
O menino se assustou com o barulho. Dante instintivamente o puxou para junto do corpo, protegendo sua cabeça dos fragmentos.
— Afaste-se do vidro.
Sophia não conseguia falar.
Rafael acompanhou a direção de seu olhar e compreendeu antes de todos. A criança não apenas lembrava Dante. Tinha a idade exata que o filho dele teria.
No corredor, Aurora acertou o segurança com o salto e se libertou. Entrou no salão chamando pelo filho.
— Gabriel!
Dante reconheceu a voz.
Não foi uma lembrança vaga. Foi a mesma voz que gritara seu nome dentro do avião.
Ele se virou lentamente.
Aurora parou a poucos metros. Três anos de luto, culpa e noites diante de um berço vazio ruíram no mesmo instante. Dante abriu a boca, mas nenhum som saiu.
Sophia deu um passo para trás.
— Isso não é possível.
Aurora caminhou até Gabriel. O menino soltou-se de Dante e correu para ela.
— Mamãe, encontrei o homem do retrato.
Aurora o abraçou, verificando seus braços e rosto.
— Você está machucado?
— Não. Ele me segurou.
Dante olhou para as mãos vazias. A mulher que enterrara estava diante dele. O filho que chorara sem conhecer estava abraçado às pernas dela.
— Aurora — conseguiu dizer.
Ela se levantou mantendo Gabriel atrás do corpo.
— Não se aproxime.
Os convidados começaram a perceber o que acontecia. Celulares foram erguidos. O mestre de cerimônias interrompeu a música. No telão, o retrato da Aurora grávida continuava pairando sobre a Aurora viva.
Dante avançou um passo.
— Eu vi o avião explodir.
— Eu estava dentro dele.
A resposta cortou o salão.
— Procurei você em todos os hospitais.
— Não em todos.
— Por que não voltou?
Aurora riu sem humor.
— Você quer discutir abandono comigo, Dante?
Ele recebeu a palavra como um golpe.
Sophia recuperou a voz.
— Ela está tentando humilhar você diante da imprensa. Não sabemos nem se essa criança...
Aurora abriu a bolsa e retirou uma pasta.
— Termine a frase, Sophia.
Gabriel apertou a mão da mãe.
— É a moça que não conseguia andar?
O silêncio se tornou absoluto.
Dante virou-se para Sophia.
— Como ele sabe disso?
Sophia empalideceu.
Aurora respondeu:
— Porque eu nunca menti para meu filho sobre o dia em que nasceu.
Dante baixou os olhos para Gabriel.
— Ele nasceu naquele dia?
— Duas horas depois da explosão.
— Meu filho.
Não foi uma pergunta. Mesmo assim, Aurora recusou-se a facilitar sua redenção.
— Biologicamente, sim.
Dante fechou os olhos por um segundo. Quando tornou a abri-los, estavam úmidos.
— Eu perdi três anos.
— Eu quase perdi a vida.
Sérgio Ferraz aproximou-se com dois homens da segurança.
— Senhor Montenegro, essa mulher invadiu um evento privado e está usando uma criança para extorquir sua família. Sugiro que seja retirada.
Dante olhou para o segurança que Aurora havia golpeado. O homem ainda segurava o pulso mordido.
— Foi você quem tentou tirá-la daqui?
— A credencial apresentava irregularidades.
— Quem deu a ordem?
O segurança olhou para Sérgio.
Rafael se posicionou ao lado de Dante.
— Posso verificar as câmeras.
Sérgio levantou as mãos.
— Estamos tentando proteger o instituto de uma fraude.
Aurora jogou a pasta sobre uma mesa de apoio. Fotografias, comprovantes e uma cópia do registro hospitalar se espalharam.
— Fraude foi o que vocês tentaram fabricar há três anos.
Ela mostrou a Dante a imagem de Sérgio entrando em seu quarto de hospital.
— Ele apareceu poucas horas depois de Gabriel nascer. Ofereceu dinheiro, passagens e documentos para que eu permanecesse morta.
Dante pegou a fotografia. Seus dedos apertaram o papel.
— Quem mandou você?
Sérgio manteve a expressão neutra.
— Uma imagem sem áudio não prova nada.
Aurora retirou um pequeno gravador da bolsa.
— Por isso gravei nossa conversa.
Sophia avançou.
— Dê isso a mim.
Dante segurou o braço dela antes que alcançasse Aurora.
— Não toque na minha esposa.
As palavras saíram automáticas. Aurora encarou-o.
— Você perdeu o direito de me chamar assim quando atravessou aquela porta com outra mulher nos braços.
Dante soltou Sophia como se sua pele queimasse.
— Eu voltei.
— O fogo chegou primeiro.
Gabriel observava os adultos com os olhos arregalados. Aurora percebeu e guardou o gravador.
— Não farei isso diante dele.
Ela pegou a mão do filho e tentou sair. Dois seguranças bloquearam a passagem, aguardando ordem.
Dante falou sem desviar os olhos de Aurora.
— Ninguém impede os dois de sair.
Os homens abriram caminho.
Sophia aproximou-se dele.
— Se deixá-la ir, ela desaparece de novo.
Dante respondeu sem olhar para ela:
— Se eu a impedir, serei exatamente o homem que ela pensa que sou.
Aurora alcançou o saguão. Gabriel puxou sua mão.
— Mamãe, aquele homem é meu pai?
Ela se ajoelhou.
— É.
— Ele sabia de mim?
— Não.
— Então ele ficou triste sem saber onde eu estava?
Aurora viu Dante parado dentro do salão, cercado por pessoas, mas completamente sozinho.
— Ficou.
Gabriel soltou a mão dela e correu de volta antes que pudesse detê-lo.
Dante se abaixou quando o menino parou à sua frente.
Gabriel tirou um brigadeiro amassado do bolso e colocou-o na palma do pai.
— Quando eu fico triste, isso ajuda.
Dante fechou os dedos em torno do doce. Seus olhos se encheram de lágrimas.
— Obrigado.
— Mas você fez minha mãe chorar.
— Eu sei.
— Então brigadeiro não resolve tudo.
Gabriel voltou para Aurora. Dessa vez, ela o pegou no colo e saiu.
Dante permaneceu ajoelhado, segurando o doce como se fosse a coisa mais valiosa que já recebera.
Rafael aproximou-se com um tablet.
— Encontrei algo nas câmeras do hospital. Sérgio não foi o único a visitar Aurora naquele dia.
Na tela, uma mulher de verde entrava no corredor da maternidade e entregava dinheiro a um funcionário.
Sophia.
Dante levantou o rosto. Ela já não estava no salão.
Na garagem, Sophia entrou no carro e ligou para Sérgio.
— Aurora tem a gravação. E Dante viu o menino.
— O que quer que eu faça?
Sophia observou Aurora sair do hotel com Gabriel nos braços.
— O que deveria ter sido feito três anos atrás.
Do banco traseiro, ela retirou um envelope com duas passagens sem nome e uma fotografia recente de Gabriel na escola.
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