"O Chefe da Máfia Salvou Seu Primeiro Amor Primeiro… Três Anos Depois, Sua Esposa Voltou com um Filho" Capítulo 2 — A Mulher Que Morreu Sem Cadáver
Dante tentou entrar nos destroços antes que o fogo fosse totalmente controlado.
Rafael Moura, chefe de sua segurança, precisou segurá-lo pelos ombros enquanto os bombeiros retiravam partes retorcidas da fuselagem.
— Se você entrar agora, morre também.
— Ela me esperou.
— As equipes estão procurando.
— Eu mandei que ela esperasse!
A frase quebrou algo dentro dele. Dante se soltou de Rafael e encarou a carcaça fumegante. Nunca havia pedido confiança a alguém para depois desaparecer. Nunca havia falhado de forma tão absoluta.
Sophia estava sentada numa ambulância com uma manta sobre os ombros. Quando um paramédico pediu que mostrasse o tornozelo, ela recusou.
— Foi só uma torção. Procurem Aurora.
Rafael ouviu. Seus olhos desceram até os saltos intactos de Sophia, mas ele não disse nada. Ainda.
No Hospital Municipal de Jundiaí, Aurora acordou ao anoitecer. A primeira coisa que sentiu foi o vazio em sua barriga. A segunda foi uma mão desconhecida apertando a sua.
— Seu bebê está na UTI neonatal, mas respirando sozinho — explicou a médica, doutora Lígia Salles. — Você perdeu muito sangue.
Aurora tentou se sentar.
— Preciso vê-lo.
— Precisa sobreviver para criá-lo.
A porta se abriu. A comissária entrou numa cadeira de rodas, com o braço imobilizado.
— Eu sou Renata Paes — disse ela. — E devo minha vida a você. Se não tivesse continuado andando, eu teria desmaiado naquela cabine.
Aurora soltou um riso fraco.
— Foi você quem me tirou de lá.
Renata colocou um celular sobre a cama. A tela exibia uma reportagem ao vivo. O repórter falava diante dos destroços.
“As autoridades confirmam duas desaparecidas: a empresária Aurora Montenegro, grávida de oito meses, e uma tripulante. A família oferece recompensa por qualquer informação.”
A imagem mudou para Dante. Ele estava coberto de fuligem, com os olhos vermelhos.
“Eu não sairei daqui sem minha esposa”, declarou.
Aurora desviou o rosto.
— Ele está procurando você — disse Renata.
— Depois de salvar Sophia.
— Ela disse que não conseguia andar.
— Eu também não conseguia. Eu carregava o filho dele.
Renata não tentou defender Dante. Isso fez Aurora confiar nela.
A médica voltou com documentos. Por causa do caos após o acidente, Aurora havia entrado sem identificação. Sua bolsa, telefone e aliança ficaram no avião. Para o hospital, ela era apenas Aurora Nascimento, vítima trazida por um funcionário que partira antes de prestar depoimento.
— A polícia virá colher seu relato amanhã — disse Lígia.
Aurora olhou para Gabriel através do vidro da UTI. O menino cabia entre os braços de uma enfermeira. Tão pequeno, tão alheio à escolha que definira seu nascimento.
— Se eu disser quem sou, os Montenegro vão levar meu filho.
— O pai tem direitos — observou Lígia, com cautela.
— E eu tinha o direito de não ser abandonada num avião em chamas.
Naquela noite, Sophia entrou na suíte de Dante na mansão do Jardim Europa. Ele estava sentado no escuro, ainda usando a camisa manchada de fuligem.
— Encontraram alguma coisa? — ela perguntou.
— O relógio dela. Parte do vestido. Nenhum corpo.
— Talvez isso signifique que ela saiu.
Dante levantou os olhos. Por um instante, Sophia se arrependeu de ter oferecido esperança.
— Se saiu, por que não apareceu?
Ela se aproximou.
— Trauma. Confusão. Pode estar em algum hospital.
— Mandei verificar todos.
— Então espere.
Dante olhou para o tornozelo dela.
— Como está a lesão?
Sophia hesitou apenas um segundo.
— Melhor. O médico disse que foi uma distensão leve.
— Qual médico?
— Um dos paramédicos.
— Quero o nome.
Sophia empalideceu.
— Por quê?
— Porque carreguei você para fora enquanto minha esposa e meu filho morreram. Quero saber se era impossível você andar.
O silêncio respondeu antes dela.
Sophia começou a chorar.
— Eu entrei em pânico.
Dante se levantou devagar.
— Você mentiu?
— Eu achei que minha perna estivesse quebrada! Havia fumaça, gritos... você teria voltado a tempo se o tanque não tivesse explodido.
Dante segurou o encosto da cadeira para não avançar sobre ela.
— Saia.
— Dante...
— Saia antes que eu esqueça que um dia amei você.
Sophia saiu, mas no corredor encontrou Rafael. O segurança havia ouvido tudo.
— Se contar isso à imprensa, eu nego — ela sussurrou.
— Não trabalho para a imprensa.
— Trabalha para Dante. E ele não sobreviverá à culpa se souber que me levou por causa de uma mentira.
Rafael aproximou o rosto.
— Ele já sabe.
No hospital, Aurora recebeu uma visita inesperada. Um advogado chamado Sérgio Ferraz apresentou-se como representante da família de Sophia.
— A senhorita sobreviveu a um acidente envolvendo pessoas muito poderosas — disse ele. — A exposição não será boa para seu bebê.
Aurora sentiu o perigo antes de compreender a ameaça.
— Como descobriu que estou aqui?
Sérgio sorriu.
— Hospitais falam. Funcionários precisam de dinheiro.
Ele colocou sobre a cama uma pasta com passagens para Recife, documentos provisórios e dinheiro.
— A senhora Montenegro morreu no acidente. Aurora Nascimento e o filho podem começar de novo.
— Sophia mandou você?
— Minha cliente não deseja que Dante descubra que abandonou uma esposa viva e um herdeiro. Imagine o que essa verdade faria com ele.
— Isso destruiria Sophia, não Dante.
O sorriso do advogado desapareceu.
— Se voltar, haverá uma disputa de guarda. Os Montenegro possuem juízes, hospitais e metade da polícia que importa. A senhora está fraca, sem dinheiro e emocionalmente instável após um acidente. Quem acredita que ficará com o menino?
Aurora olhou para a UTI.
Sérgio deixara claro que não precisava tocar em Gabriel para tirá-lo dela.
— Vá embora.
— O carro estará nos fundos às cinco da manhã.
Quando ele saiu, Aurora chamou Renata e Lígia. Contou tudo. A médica ficou indignada; Renata, prática.
— Se permanecer, ele volta com uma ordem judicial verdadeira ou falsa — disse a comissária. — Você precisa sair, mas não com o carro dele.
Renata tinha uma irmã em Paraty que administrava uma pequena pousada. Lígia conseguiu a transferência de Gabriel para uma clínica neonatal particular sob sigilo médico. Ao amanhecer, Aurora deixou o hospital numa ambulância, registrada como paciente sem parentes.
Antes de partir, enviou anonimamente à polícia a localização da pasta e gravou o dinheiro sendo entregue à assistência social. Não aceitaria o preço de Sophia. Aceitaria apenas o tempo necessário para proteger o filho.
Dois dias depois, Dante recebeu o laudo preliminar: não havia restos identificáveis de Aurora nem do bebê. A ausência de corpos deveria alimentar esperança. Em vez disso, o delegado explicou que o calor poderia ter destruído tudo.
Uma cerimônia simbólica foi marcada.
Dante colocou a aliança de Aurora dentro de um caixão vazio e permaneceu sozinho diante dele até a madrugada.
Em Paraty, Aurora segurava Gabriel contra o peito quando viu pela televisão o próprio funeral.
Dante tocou o caixão e disse algo que os microfones não captaram.
Aurora aumentou o volume, mas já era tarde.
Renata entrou com uma notícia pior: alguém havia acessado os registros da clínica procurando um recém-nascido do sexo masculino, filho de uma sobrevivente do acidente.
Aurora apertou o bebê.
Sophia ainda estava procurando por eles.
E, enquanto o carro deixava a clínica por uma estrada secundária, Aurora fez uma promessa silenciosa: voltaria apenas quando tivesse provas suficientes para impedir que qualquer Montenegro arrancasse Gabriel de seus braços.
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