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"O Chefe da Máfia Salvou Seu Primeiro Amor Primeiro… Três Anos Depois, Sua Esposa Voltou com um Filho" Capítulo 1 — A Promessa Antes do Fogo

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O jato tocou a pista de Jundiaí com tanta violência que uma das malas se soltou do compartimento e atravessou a cabine.

Aurora Nascimento Montenegro abraçou a barriga de oito meses e gritou o nome do marido. O cinto comprimiu seu ventre. Uma dor aguda subiu por suas costas, enquanto o cheiro de combustível invadia o ar.

— Dante!

Do outro lado do corredor, Dante Montenegro arrancou a máscara de oxigênio do rosto. O homem que controlava empresas, portos clandestinos e homens armados parecia, pela primeira vez, incapaz de controlar alguma coisa.

O piloto surgiu atrás da cortina da cabine.

— Evacuação imediata! O motor direito pegou fogo!

A porta dianteira foi aberta. A luz brutal da manhã entrou junto com o som das sirenes. Lá fora, caminhões de bombeiros corriam pela pista sob um céu azul sem uma nuvem.

Sophia Ferraz soltou um gemido e caiu entre os assentos.

— Meu tornozelo... Dante, eu não consigo andar!

Aurora olhou para ela. Aquela viagem deveria ter sido a última antes do nascimento do bebê, um fim de semana só para o casal. Sophia, o primeiro amor de Dante, aparecera no aeroporto dizendo que precisava voltar a São Paulo com urgência.

Dante permitira que ela embarcasse sem consultar a esposa.

Agora Sophia estendia os braços para ele.

— Por favor!

Dante deu um passo na direção dela. Aurora segurou a manga de seu paletó.

— Não me deixe aqui.

Ele baixou os olhos para a mão da esposa. O fogo ainda não era visível dentro da cabine, mas a fumaça engrossava perto do teto.

— Vou tirar Sophia e volto para buscar você.

— Eu sou sua esposa — Aurora disse, sem acreditar no que ouvia. — E estou grávida.

O maxilar de Dante se contraiu.

— Eu sei.

— Então me leve primeiro.

Sophia chorou mais alto.

— Dante, está queimando! Eu vou morrer aqui!

Aurora viu a decisão nascer no rosto dele antes que ele falasse. Não foi uma decisão de amor, disse a si mesma. Sophia estava mais perto da saída. Sophia dizia que não conseguia andar. Talvez ele realmente voltasse em menos de um minuto.

Mas o medo não obedecia à lógica.

— E se não houver tempo? — Aurora perguntou.

Dante segurou o rosto dela entre as mãos. Os olhos escuros que aterrorizavam meio submundo paulista estavam cheios de uma segurança que ela quis tomar emprestada.

— Eu volto por você. Eu prometo.

Ele beijou sua testa, soltou-a e se abaixou diante de Sophia.

— Passe os braços pelo meu pescoço.

Dante a ergueu no colo. Sophia escondeu o rosto contra o peito dele.

Aurora ficou presa atrás dos assentos, observando o marido carregar outra mulher em direção à luz. Quando ele chegou à porta, ainda olhou para trás.

— Fique aí! Eu vou voltar!

Então desapareceu pela rampa de emergência.

Uma comissária surgiu na parte traseira. Sangue escorria de sua testa.

正文1

— Senhora Montenegro, não podemos usar a saída da frente! Venha comigo!

Aurora tentou destravar o cinto. A fivela não abriu.

— Está presa!

A comissária se ajoelhou e puxou o mecanismo. Nada. O metal havia entortado com o impacto.

Do lado de fora, Dante atravessou a pista com Sophia nos braços. Os bombeiros sinalizavam para que ele se afastasse ainda mais.

— Oitenta metros! Leve-a para a zona segura!

Dante correu. Cada passo o afastava da mulher que havia prometido buscar.

Aurora ouviu uma explosão menor sob a asa. As janelas vibraram. A comissária pegou um extintor e bateu a base contra a fivela.

— Proteja o bebê!

Aurora cobriu a barriga. O primeiro golpe falhou. O segundo abriu uma rachadura no plástico. No terceiro, a trava cedeu.

Ela se levantou, mas uma contração dobrou seu corpo.

— Não agora — sussurrou. — Filho, por favor, não agora.

Na área de segurança, Dante ainda carregava Sophia quando alcançou um bombeiro. Sem mudar a posição dos braços, entregou-a ao homem.

— Cuide dela.

O bombeiro recebeu Sophia contra o peito. Dante começou a se virar.

O jato explodiu.

Uma bola de fogo alaranjada engoliu a fuselagem. O estrondo atravessou o aeroporto, lançou fragmentos sobre a pista e empurrou Dante para trás. Sophia gritou nos braços do bombeiro.

Dante caiu de joelhos.

— NÃO!

As chamas cobriram as janelas. A fumaça negra subiu contra o céu azul. Dois bombeiros seguraram Dante quando ele tentou correr de volta.

— Minha esposa está lá!

— O senhor não pode se aproximar!

— Ela está grávida! Soltem-me!

Dante acertou um deles no peito e avançou dois passos, mas outra explosão abriu a lateral dianteira do avião. O calor o obrigou a proteger o rosto.

Enquanto todos olhavam para a parte da frente, a comissária arrastava Aurora para uma saída de serviço na cauda. A fumaça tornou tudo escuro. Aurora já não conseguia distinguir a porta.

— Continue falando comigo! — ordenou a mulher.

— Meu nome é Aurora.

— E o bebê?

— Gabriel.

— Então leve Gabriel até a minha voz.

A comissária empurrou uma alavanca. Um painel estreito se abriu, mas a rampa não inflou. Abaixo delas havia concreto, destroços e uma queda alta demais para uma gestante.

— Vamos ter de pular.

Aurora olhou uma última vez para a cabine em chamas. Pensou em Dante prometendo voltar. Pensou nos braços dele em volta de Sophia.

Então saltou.

Ela caiu sobre uma faixa de grama atrás da aeronave. A comissária veio logo depois e rolou por cima do ombro. Um veículo de manutenção abandonado protegia aquele ponto da visão das equipes concentradas na frente.

Aurora tentou se erguer. Uma dor rasgou seu ventre. Quando levou a mão ao vestido, viu sangue.

— Meu bebê.

A comissária pediu socorro pelo rádio, mas só recebeu chiado. O sistema interno havia morrido.

Um funcionário do hangar apareceu correndo. Sem reconhecer Aurora, colocou-a numa caminhonete de apoio.

— A ambulância está presa do outro lado. Vou levar vocês ao hospital municipal.

Aurora olhou pela janela traseira. À distância, Dante lutava contra quatro homens para alcançar o avião.

Por um segundo, ela quis gritar.

Então viu Sophia no chão, agarrada ao braço dele, e percebeu que Dante continuava olhando apenas para o fogo.

Ele acreditava que ela estava morta.

No hospital, Aurora foi levada direto ao centro cirúrgico. A médica explicou que a placenta começara a se desprender. O bebê precisava nascer imediatamente.

— O pai está vindo? — perguntou a enfermeira.

Aurora apertou os olhos. A promessa de Dante ainda ardia mais que as queimaduras leves em seu braço.

— Não.

— Quer que avisemos alguém?

Aurora pensou no sobrenome Montenegro, nos seguranças, nos advogados e em Sophia. Pensou no marido escolhendo quem carregar primeiro.

— Registre meu nome de solteira. Aurora Nascimento.

Horas depois, um choro pequeno atravessou a sala.

— Seu filho está vivo — disse a médica.

Aurora chorou sem força. Gabriel foi colocado perto de seu rosto por poucos segundos. Tinha cabelos escuros e uma pequena marca junto à sobrancelha, igual à de Dante.

— Ninguém pode saber quem é o pai — ela murmurou.

Na pista, Dante permanecia diante dos destroços quando um bombeiro se aproximou com um pedaço chamuscado de tecido marfim.

Era parte do vestido de Aurora.

Dante o recebeu com as mãos trêmulas.

Atrás dele, Sophia observou em silêncio. Em seu salto esquerdo, não havia inchaço, ferimento nem sequer uma marca vermelha.

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