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"Meu Marido Me Enterrou Grávida: “Quando Aprender a Obedecer, Eu Te Tiro Daí.”" Capítulo 4

正文开头

Está tudo aí

A policial se levantou imediatamente.

"O senhor vai se afastar."

Eduardo abriu as mãos.

"Eu sou o marido dela."

"Afaste-se."

Outro agente o segurou pelo braço e o conduziu para perto da varanda. Camila começou a dizer que eu estava inventando coisas.

"Onde está o aparelho, Mariana?", a policial perguntou.

"Na minha mão. Esquerda. Dentro de um saquinho."

Ela avisou aos socorristas. Ninguém puxou meu braço. Começaram a retirar a terra com cuidado, primeiro perto do meu peito e do ombro, abrindo espaço até alcançarem meu pulso.

Quando minha mão apareceu, parecia pertencer a outra pessoa. Estava inchada, suja, os dedos curvados ao redor do plástico.

Eu não conseguia soltá-lo.

"Não precisa apertar mais", a policial disse. "Eu estou segurando."

O telefone saiu devagar. Ela informou pelo aparelho que a equipe estava comigo e encerrou a chamada.

Do outro lado do quintal, Eduardo ficou imóvel.

Olhei para ele.

"Você estava falando", consegui dizer. "Eles estavam ouvindo."

Ele olhou para os policiais, depois para a mãe.

"Mariana, pensa bem no que você está fazendo."

A policial guardou o telefone.

"Não fale com ela."

Tereza começou a chorar. Um choro alto, sem lágrimas no início.

"Meu filho não é criminoso. Foi uma discussão."

Um dos socorristas pediu espaço. Colocaram oxigênio em mim e continuaram cavando. Cada porção de terra retirada aliviava uma pressão e revelava outra dor.

Quando soltaram minhas pernas, precisei gritar.

"Eu sei", disse o homem ao meu lado. "Nós vamos devagar."

Não pedi desculpa pelo grito.

Foi uma coisa pequena, mas lembro disso.

Na maca, consegui ver a varanda inteira. A cadeira de Camila, o prato vazio na mesa, a pá encostada no muro.

Eduardo estava algemado.

"Você vai destruir nossa família", ele disse.

Eu estava cansada demais para responder. Mas olhei para a pá até ele acompanhar meu olhar.

Depois virei o rosto para o socorrista.

"Minha filha. Por favor."

No hospital, levaram-me para avaliação imediatamente. Havia perguntas que eu não conseguia terminar de ouvir. Luzes, mãos, tecido sendo cortado, alguém perguntando se eu tinha perdido líquido.

Só entendi de verdade o que estava acontecendo quando ouvi o coração dela.

Rápido. Presente.

Procurei o rosto da médica.

"Está batendo?"

"Está. Estamos acompanhando vocês duas."

Chorei sem conseguir parar. A médica não prometeu que tudo estava resolvido. Explicou o que precisavam observar e repetiu as informações quando percebeu que eu não tinha entendido.

Algumas horas depois, Renata entrou no quarto.

Usava uma camiseta pelo avesso. Tinha saído de São Paulo assim que recebeu a notícia.

Parou perto da cama, olhando meus braços, meu rosto, a terra que ainda restava debaixo das unhas.

"Eu devia ter ido te buscar", disse.

Balancei a cabeça.

"Senta aqui."

Ela sentou. Não me pediu que contasse tudo. Segurou minha mão boa e ficou.

Mais tarde, acordei e a encontrei limpando meus dedos com uma compressa úmida.

"Não sai", pedi.

"Não vou sair."

Nos dias seguintes, soube que o telefone ainda continha a gravação iniciada por engano. Ela havia registrado a visita de Tereza com o pão e parte da conversa em que Eduardo exigia que eu ligasse para minha irmã.

Havia também o registro da ligação de socorro e o que a equipe encontrara ao chegar.

Eu não precisava mais sustentar sozinha cada palavra.

Quando um investigador me perguntou por que eu achava que Eduardo espalhava aquelas histórias sobre minha saúde, lembrei da ligação que ele queria me obrigar a fazer.

"Porque, quando eu contasse, ele queria que vocês duvidassem de mim."

O homem anotou. Depois perguntou se eu precisava descansar.

Olhei para Renata. Ela estava ali, esperando que eu decidisse.

"Preciso", respondi.

E, pela primeira vez em muito tempo, ninguém discutiu comigo.

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