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"Meu Marido Me Enterrou Grávida: “Quando Aprender a Obedecer, Eu Te Tiro Daí.”" Capítulo 1

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A lição

"Quando aprender a obedecer, eu te tiro daí."

Eduardo disse aquilo apoiado no cabo da pá, sem levantar a voz. Eu estava grávida de trinta e uma semanas, enterrada até os ombros no quintal da nossa casa.

Minha sogra assistia da varanda. Minha cunhada tinha trazido uma cadeira para perto de mim.

"Ela ouviu, mãe", Camila disse. "Só está fazendo charme."

Tentei virar o rosto. A terra úmida encostou no meu queixo.

Poucas horas antes, eu estava na cozinha, olhando o extrato da nossa conta. Havia três transferências que eu não reconhecia. Dinheiro reservado para o parto, para o berço, para as semanas em que eu ficaria sem trabalhar.

"Você podia ter falado comigo", eu disse.

Eduardo pegou o celular da minha mão.

"Agora tenho que pedir autorização para usar meu dinheiro?"

"Nosso dinheiro. E eu fiz uma pergunta."

Ele pousou o aparelho na bancada com um cuidado que me assustou mais do que um grito.

"É desse jeito que você fala comigo?"

Tereza apareceu na porta antes que eu respondesse. Não perguntou o que havia acontecido. Disse que eu precisava parar de provocar o filho dela.

Camila veio logo atrás.

"Depois que engravidou, acha que manda em todo mundo."

Peguei meu celular enquanto Eduardo olhava para a mãe. Não para continuar a discussão. Queria chamar Renata e pedir que viesse me buscar.

Mas ouvi Eduardo dizer no corredor:

"Conversar não adianta. A Mariana só entende passando vergonha."

Tereza respondeu alguma coisa baixa. Depois escutei a porta dos fundos abrir.

Fiquei imóvel, com a mão na barriga.

Nos últimos meses, meu marido tinha começado a explicar minhas reações antes que eu pudesse falar. Se eu chorava, estava tendo uma crise. Se lembrava de algo que ele negava ter dito, andava confusa. Se recusava uma visita da família dele, estava me isolando.

Uma vez, ouvi Eduardo dizer a um vizinho que eu precisava de acompanhamento.

Naquela noite, perguntei por quê.

"Porque eu me preocupo com você", respondeu. "Mas até isso você transforma em problema."

Passei a guardar meus documentos juntos. Anotei o telefone da minha irmã num papel. Configurei os atalhos de emergência do celular e aprendi a iniciar uma gravação sem abrir a tela principal.

Depois me senti ridícula.

Guardei tudo mesmo assim.

Na cozinha, enfiei o aparelho num saquinho plástico que estava na bancada e o escondi no bolso largo da calça de gestante.

Eduardo voltou e segurou meu braço.

"Vamos conversar lá fora."

"Solta. Você está me machucando."

Ele apertou mais.

No quintal, perto do muro dos fundos, havia uma abertura na terra. Na véspera, ele dissera que estava preparando um canteiro.

Quando percebi para onde me levava, agarrei a porta.

"Eduardo, não. Eu estou grávida."

"Então para de fazer força."

Camila soltou meus dedos da madeira. Tereza fechou a porta atrás de nós.

Gritei por ajuda. O muro alto devolveu minha própria voz. Do outro lado ficava um terreno sem construção; a casa vizinha mais próxima estava fechada havia semanas.

Eduardo me obrigou a descer. Minhas pernas ficaram dobradas, uma mais alta que a outra. Tentei me erguer, mas ele empurrou meus ombros.

"Você vai ficar quieta e me ouvir."

Enquanto ele puxava terra para dentro, consegui tirar o saquinho do bolso. Meu braço esquerdo estava dobrado junto ao corpo, a mão perto da clavícula. Encaixei o telefone ali, com a lateral voltada para meus dedos.

Tereza percebeu o movimento.

"O que você está fazendo?"

"Protegendo minha barriga."

Ela olhou para o filho.

"Cuidado para não dar motivo para ela dizer que você bateu."

Ele continuou.

Não sei em que momento parei de pedir. Lembro da terra entrando na gola da minha blusa e de Camila reclamando que tinha sujado a sandália.

Quando Eduardo finalmente se afastou, tentei mover o braço. Nada. A pressão prendia meu cotovelo, meu pulso, quase toda a mão.

Minha filha deu um chute.

Forte o suficiente para eu fechar os olhos.

"Está vendo?", Tereza disse. "Até a criança sente quando você fica nervosa."

Eu precisava do telefone. Precisava antes de qualquer outra coisa.

Mexi o indicador. Uma pontada correu pelo braço, mas a ponta do dedo encontrou o plástico.

Camila inclinou a cadeira para a frente.

"Vai pedir desculpa ou vai passar a tarde aí?"

Olhei para ela para que não olhasse para minha mão.

Debaixo da terra, meu dedo tocou a borda do celular.

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