"Gêmeos à Vista: O Papai CEO Não Me Deixa em Paz" Bônus 08 — A felicidade não precisava de sobrenome
Marina não comentou a mão de Theo sobre a sua imediatamente. Deixou os dedos se acomodarem entre os dele e continuou contando uma história sobre uma colega que tinha trocado a ordem de duas apresentações. Só se perdeu no assunto quando percebeu que ele passava o polegar devagar sobre sua pele.
"Você está dificultando meu raciocínio."
Theo sorriu. "Achei que eu fosse a pessoa que falava pouco."
"Pode continuar falando pouco desse jeito."
O olhar que trocaram fez o resto da cantina parecer menos importante. Theo queria dizer alguma coisa mais clara. Estava escolhendo as palavras quando ouviu seu nome atrás deles.
Ana Paula parou perto da mesa, segurando a própria bolsa com as duas mãos. Marina a reconheceu de uma fotografia antiga que vira por acaso no telefone de Caio, antes de o amigo explicar a história. Não puxou a mão de volta. Também não apertou os dedos de Theo como se precisasse marcar uma propriedade.
Ele se virou.
"Oi."
Ana Paula olhou para Marina, depois para as mãos unidas sobre a mesa. "Vocês estão juntos?"
Theo não respondeu depressa o suficiente para impedir que ela continuasse.
"Eu ouvi algumas coisas, mas achei que fosse brincadeira. Você sempre foi tão... reservado."
Marina sentiu o desconforto na maneira como a frase tentava colocá-la fora de uma imagem que a outra conhecia. Ficou quieta por um instante, dando a Theo o espaço de responder por si.
"Você queria falar alguma coisa comigo?", perguntou ele.
Ana Paula deixou escapar um sorriso pequeno. "Eu só queria saber se você está bem. Depois do que aconteceu, às vezes a gente faz escolhas por carência."
O rosto de Marina se aqueceu. Theo percebeu o movimento antes que ela falasse.
"Eu estou bem. E não quero que você fale da Marina desse jeito."
"Não foi o que eu quis dizer."
"Você acabou de dizer que estar com ela pode ser uma decisão que eu tomei por carência. Eu não pedi essa avaliação."
Ana Paula olhou em volta, incomodada com a possibilidade de outras pessoas ouvirem. A voz de Theo continuava baixa. Não havia espetáculo disponível para justificar o que estava acontecendo.
"Eu só espero que você seja feliz", disse ela.
Theo encontrou seu olhar. "Obrigado. Eu estou feliz."
A resposta não trouxe uma explicação sobre a família, o estágio ou tudo que ela não soubera perguntar. Era suficiente por si. Ana Paula apertou a alça da bolsa, murmurou uma despedida e se afastou.
Marina ficou olhando para o café. A mão de Theo continuava na sua, agora menos relaxada.
"Você está bem?", perguntou ele.
Ela assentiu antes de perceber que queria responder melhor.
"Fiquei sem saber se era melhor falar ou deixar você conversar. Eu não gostei de ser tratada como uma reação a outra pessoa."
"Eu também não gostei. Você não é isso para mim."
Marina ergueu os olhos. Theo afastou o copo para não derrubá-lo e se voltou por inteiro para ela.
"Eu sei que fui devagar. No começo, eu achava que não queria me envolver com ninguém. Depois passei a esperar o café, lembrar do que você tinha contado e procurar uma maneira de falar sem parecer que já estava dizendo mais do que entendia."
"Você já entendia alguma coisa."
Ele sorriu, reconhecendo a provocação. "Já. Só estava demorando para acompanhar."
Marina respirou mais fundo. O frio, o comentário de Ana Paula e a alegria nova pareciam disputar espaço dentro dela.
"Eu não quero que você diga isso só porque ela veio aqui."
Theo apertou seus dedos com delicadeza. "Eu estava tentando dizer antes de ela chegar. Você estava falando da apresentação. Eu fiquei distraído com a sua mão."
O sorriso apareceu no rosto de Marina antes que conseguisse segurá-lo.
"Então a culpa foi minha?"
"A responsabilidade pela demora é toda minha."
Ela riu, e Theo sentiu o alívio atravessar os dois. Aproximou-se um pouco, esperando que o olhar dela encontrasse o seu outra vez.
"Eu gosto de você, Marina. Quero estar com você. Como seu namorado, se a vaga ainda estiver aberta."
Ela levou a mão livre ao rosto por um instante.
"Eu fiz uma campanha bastante pública. Seria estranho fechar sem avisar o candidato."
Theo riu baixo. Marina se aproximou também, reduzindo a distância que ele ainda tentava medir.
"Está aberta. E eu quero."
O primeiro beijo começou com uma timidez que não combinava com quase nenhuma das conversas anteriores. Marina tocou sua bochecha. Theo levou a mão ao seu cabelo e sentiu a boca dela sorrir contra a sua antes de se afastarem.
Ficaram perto por alguns segundos, com a surpresa boa de descobrir que uma coisa imaginada podia existir de verdade.
O telefone de Marina vibrou sobre a mesa. Era um lembrete da aula. Ela olhou a tela como se tivesse recebido uma notícia pessoalmente inconveniente.
"Eu esperei tudo isso e agora preciso ir estudar."
"Eu também."
"Você podia ter organizado melhor."
Theo a beijou outra vez, breve, e recebeu uma risada de que saberia lembrar durante o resto da manhã. Depois caminharam até a divisão dos prédios, ainda de mãos dadas. Despediram-se sem precisar inventar que deixariam de ter outras coisas para fazer.
O namoro começou nos horários que conseguiram encontrar. Houve cafés, almoços rápidos e uma tarde em que Theo foi assistir a Marina treinar, agora participando de mais atividades. Ela apareceu numa apresentação dele com perguntas genuínas sobre um assunto que não era o seu. Nenhum dos dois acertou todas as primeiras combinações.
Theo se esqueceu de avisar que sairia mais tarde do estágio e encontrou uma mensagem simples pedindo confirmação do horário. Respondeu, pediu desculpas e reorganizou o encontro. Marina passou um dia inteiro concentrada numa tarefa e só viu o telefone à noite. Ele sentiu falta, disse isso sem fazer uma acusação e ouviu a história do trabalho que finalmente terminara.
Caio e Júlia começaram a se encontrar também, embora os dois alegassem ter muitas razões acadêmicas para frequentar os mesmos cafés. Leo considerou o disfarce pouco convincente e ofereceu ajuda para uma apresentação que ninguém lhe pedira. Estela declarou que o irmão deveria ocupar o próprio tempo em vez de fiscalizar romances alheios.
Theo percebeu que estava contando mais sobre a família a Marina sem precisar preparar uma revelação. Falava do trabalho da mãe, das manias do pai, dos desenhos guardados e de como a irmã ainda conseguia negociar quase qualquer coisa quando tinha tempo para montar um argumento.
Quando a convidou para almoçar em casa, perguntou se ficaria à vontade com tanta gente querendo conhecê-la. Marina pensou no assunto antes de responder.
"Eu fico nervosa. Mas quero ir. Posso levar alguma coisa?"
"Você pode vir."
"Isso é uma frase bonita e uma resposta muito ruim para quem está tentando escolher uma sobremesa."
Acabaram combinando um bolo simples que ela gostava de fazer. Na manhã do almoço, Theo foi buscá-la. Recebeu o recipiente com a recomendação de que nenhuma curva brusca seria perdoada e passou boa parte do caminho segurando-o com uma atenção que a divertiu.
Lara estava na porta quando chegaram. Marina sorriu, apresentou-se e só depois confessou que tinha escolhido um vestido sem saber que encontraria a pessoa responsável por algumas das roupas que mais admirava nas vitrines.
"Hoje eu estou cuidando do almoço", respondeu Lara, recebendo o bolo. "Se tiver alguma costura incomodando, a gente conversa depois."
Marina riu, aliviada. Rafael a cumprimentou, Leo apareceu com uma observação sobre futuros namorados que finalmente cumpriam o processo seletivo e recebeu de Theo um olhar perfeitamente compreensível.
Estela lhe ofereceu uma informação mais útil: onde poderia deixar a bolsa e qual cadeira da varanda era mais confortável. Pouco depois, todos estavam sentados, conversando sobre a atividade com as crianças e o dragão que morava num apartamento.
Marina descobriu a história completa do cavalo desenhado por Rafael. Theo precisou confessar sua própria criatura alada. Lara ouviu o filho rir, inclinado para perto da namorada, e se permitiu ficar alguns segundos apenas olhando.
Depois do almoço, enquanto os outros levavam os pratos, encontrou Theo sozinho perto da bancada. Ele pegou o recipiente do bolo para guardar o que sobrara.
"Você gostou dela?", perguntou, tentando soar casual.
Lara sorriu. "Gostei. E gostei de ver você com ela."
Theo abaixou os olhos por um instante. Quando voltou a olhar para a mãe, havia no rosto uma confiança que ela conhecia desde pequeno, agora acompanhada de uma vida que já não precisava organizar por ele.
"Eu estou feliz."
Ela lhe beijou o rosto. "Eu sei, meu filho."
Na varanda, Marina o chamou para conferir uma fotografia. Theo voltou até ela sem esconder o sorriso, ocupou o lugar ao seu lado e entrelaçou seus dedos aos dela.
Rafael encontrou Lara junto à porta. Passou o braço por sua cintura e seguiu a direção de seu olhar. Leo fazia Estela rir de uma história exagerada. Theo inclinava a cabeça para ouvir Marina. O jardim estava cheio de vozes que, durante tantos anos, tinham dado forma à casa.
Lara encostou-se no marido. Ele beijou sua cabeça antes de perguntar em voz baixa se ela queria mais café.
"Quero. Eu vou com você."
Seguiram juntos até a cozinha. Atrás deles, o sol tocava a mesa onde o filho deixara a mão pousada sobre a da mulher que escolhera.
Fim dos bônus.
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