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"A Filha da Empregada Acordou o Chefe da Máfia Após 49 Dias em Coma… E Sua Primeira Palavra Chocou a Todos" Capítulo 5 — O Homem Que Nunca Protegeu Ninguém

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— Se aquela mulher sair viva daqui, você não recebe um centavo!

Marcelo Montenegro desligou o telefone antes que o homem do outro lado pudesse responder. Eram sete da manhã, e a mansão do Jardim Europa começava a despertar. No terceiro andar, seu irmão fazia fisioterapia.

No jardim, uma menina de vestido amarelo conversava com as flores. E, em algum lugar da casa, Marina Oliveira preparava mais um dia de trabalho sem imaginar que acabara de se tornar um problema a ser eliminado.

Marcelo observou Sofia pela janela da biblioteca. A criança segurava o coelho de pelúcia pela orelha remendada e ria sozinha. Aquela risada o irritava mais do que deveria. Quarenta e nove dias de coma não tinham conseguido destruir Dante. Bastara uma menina cantar para que o irmão voltasse a abrir os olhos.

— Você está exagerando — disse Verônica, encostada à porta. — Se acontecer alguma coisa com elas, Dante vai desconfiar.

— E se não acontecer, ele vai continuar se lembrando.

— De quê?

Marcelo encarou a mulher.

— Da noite do acidente. Do contrato. De mim.

Verônica ficou em silêncio. Não perguntou mais nada.

Na lavanderia, Marina dobrava os uniformes quando recebeu uma ligação da clínica pediátrica da Vila Mariana. Sofia precisava comparecer à consulta de acompanhamento que fora adiada duas vezes. Marina pediu autorização para sair mais cedo. Rafael Costa, responsável pela segurança, não apenas concordou como ofereceu um motorista.

— Não precisa, senhor Rafael. Sei pegar ônibus.

— O senhor Dante pediu que você não saísse sozinha.

Marina parou de dobrar uma toalha.

— Pediu por quê?

Rafael demorou um segundo além do necessário para responder.

— Precaução.

Ela não gostou daquela palavra. Precaução era o nome elegante que homens poderosos davam a perigos que não explicavam às pessoas comuns.

— Minha filha não é prisioneira desta casa — respondeu.

— Ninguém disse que é.

— Então vamos à consulta e voltamos no nosso horário.

Rafael respirou fundo. Não queria assustá-la, mas havia visto um carro preto parado diante do portão nas duas noites anteriores. A placa não correspondia ao veículo registrado. E um dos novos seguranças contratados por Marcelo fizera perguntas demais sobre os horários de Marina.

— Pelo menos me avise quando chegar — pediu.

Marina assentiu, desconfiada.

Dante estava tentando dar três passos entre as barras paralelas quando Sofia apareceu na porta da sala de fisioterapia.

— Moço! Olha meu sapato novo!

Ele ergueu a cabeça. A menina usava sandálias amarelas que Marina comprara numa promoção. Eram um número maiores, para durarem mais.

— Bonito — respondeu Dante, ofegante.

Sofia observou suas pernas trêmulas.

— Você tá aprendendo a andar?

O fisioterapeuta prendeu um sorriso. Dante lançou-lhe um olhar que o fez voltar imediatamente ao trabalho.

— Estou reaprendendo — explicou o homem.

A menina aproximou-se das barras.

— Eu também caía quando era bebê. A mamãe segurava minhas mãos.

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Dante olhou para Marina, parada na porta. Ela corou.

— Sofia, não atrapalhe.

— Não atrapalha — disse ele. — Onde vocês vão?

— Ao médico — respondeu Marina. — É só uma consulta de rotina.

Dante largou uma das barras, apoiando-se no fisioterapeuta.

— Rafael vai acompanhar.

— Eu já conversei com ele, senhor Montenegro. Vamos ficar bem.

Dante percebeu a firmeza de sua voz. Não insistiu. Mas quando Marina se virou, chamou-a pelo nome.

— Marina.

Ela parou.

— Me avise quando chegarem.

Sofia acenou com a mão.

— Tchau, moço dorminhoco! Não cai!

Pela primeira vez naquela manhã, Dante riu.

A consulta terminou pouco depois das três. Sofia ganhou um adesivo de estrela por ter ficado quieta durante o exame e insistiu em mostrá-lo a todos que passavam. Marina comprou um pão de queijo para dividir com a filha antes de caminhar até o ponto de ônibus.

Foi então que percebeu o carro cinza.

Estava parado do outro lado da rua. Os vidros eram escuros. Marina já o vira perto da clínica quando chegara.

Apertou a mão de Sofia.

— Vamos, meu amor.

— Mas eu quero mostrar a estrela pro moço!

— Depois.

O carro começou a andar lentamente.

Marina mudou de calçada. O veículo fez a mesma curva.

Seu coração disparou. Não queria assustar Sofia. Tirou o telefone da bolsa e procurou o número de Rafael, mas uma motocicleta surgiu pela frente, bloqueando sua passagem. O homem que dirigia usava capacete fechado.

— Marina Oliveira? — perguntou.

Ela recuou.

— Quem quer saber?

O passageiro desceu da moto.

— Tem gente querendo conversar com você.

Sofia se escondeu atrás da mãe.

— Mamãe, vamos embora.

Marina ergueu o celular.

— Vou chamar a polícia.

O homem avançou e tentou arrancar o aparelho de sua mão. Marina puxou Sofia para trás e gritou. O telefone caiu na calçada. Uma senhora saiu de uma farmácia e parou, assustada.

— Fique longe da minha filha! — Marina gritou.

O motociclista deu um passo na direção delas.

Nesse instante, uma caminhonete preta freou junto ao meio-fio. Rafael saiu pela porta do passageiro, acompanhado de outro segurança.

— Afastem-se delas! Agora!

Os dois homens da motocicleta hesitaram. Um deles correu de volta ao veículo. O motor rugiu, e os agressores fugiram por uma rua lateral. O carro cinza desapareceu na direção oposta.

Rafael correu até Marina.

— Você está ferida?

Ela abraçou Sofia, que chorava em silêncio.

— Eles sabiam meu nome.

— Eu vi.

— Como me encontrou?

— Seu telefone parou de responder. Eu estava por perto.

Marina percebeu que ele evitava explicar tudo. Mas Sofia tremia, e aquilo era mais importante do que qualquer pergunta.

— Quero ir para casa — sussurrou a menina.

Rafael se ajoelhou diante dela.

— Você vai ficar segura, pequena. Eu prometo.

Quando Dante soube do ataque, derrubou o copo de água que tentava segurar.

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— Onde estão?

— Voltando com Rafael — respondeu Helena. — As duas estão bem.

Dante tentou levantar-se da poltrona. As pernas falharam. Henrique o segurou pelo braço.

— O senhor não pode fazer isso!

— Solte.

— Vai cair!

Dante apoiou a mão na mesa, respirando com dificuldade.

— Minha gente foi atacada na rua, doutor. Não me peça calma.

— Sua recuperação não vai ajudar ninguém se o senhor voltar para a cama.

A frase o obrigou a parar. Dante odiava a própria fraqueza. Odiava ainda mais não poder sair correndo atrás de quem ameaçara uma criança.

Quando Marina entrou, ele já estava esperando na sala menor. Sofia correu até sua cadeira e abraçou sua perna.

— Moço… tinha um homem mau.

Dante ficou imóvel. Depois pousou a mão sobre os cabelos dela.

— Eu sei, passarinha.

— Ele assustou a mamãe.

— Não vai fazer isso de novo.

Marina ergueu o rosto.

— Não prometa uma coisa que não pode garantir.

Rafael baixou os olhos. Henrique se afastou discretamente.

Dante sustentou o olhar dela.

— Tem razão. Eu não posso apagar o que aconteceu. Mas posso descobrir quem mandou fazer.

— É isso que me assusta — respondeu Marina. — O senhor fala como se já soubesse que alguém mandou.

Dante não mentiu.

— Acho que sei por onde começar.

Marina segurou a filha no colo.

— Não quero que Sofia pague pelo passado da sua família.

As palavras doeram porque eram justas. Dante passara a vida cercado por violência. Pela primeira vez, a consequência desse mundo tinha o rosto de uma menina de três anos.

— Então vou mudar o que for preciso — disse ele.

Marina o observou, sem saber se podia acreditar.

Naquela noite, Sofia adormeceu num quarto próximo à ala médica. Marina permaneceu sentada ao lado da cama até ouvir uma batida discreta.

Dante estava à porta, apoiado numa bengala e no braço de Rafael.

— Posso entrar?

Marina se surpreendeu. Ele nunca pedira permissão para entrar em nenhum cômodo da própria casa.

— Pode.

Dante aproximou-se devagar. Sofia dormia abraçada ao coelhinho. Ele ficou olhando a criança por um longo momento.

— Eu nunca protegi ninguém direito — confessou.

Marina franziu a testa.

— O senhor tem uma equipe inteira de seguranças.

— Não estou falando de segurança.

Ele olhou para a menina.

— Estou falando de estar presente. De perceber quando alguém tem medo antes de ser tarde demais.

Marina sentiu a dureza de sua expressão ceder.

— Ainda pode aprender.

Dante ergueu os olhos para ela. A distância entre os dois pareceu diminuir.

— Você acredita nisso?

— A Sofia acredita. E ela costuma enxergar coisas que os adultos ignoram.

Dante sorriu de leve.

Quando se virou para sair, Rafael recebeu uma mensagem. Leu-a, e seu rosto mudou.

— Senhor, encontramos a motocicleta.

Dante parou.

— E?

— Um dos homens foi identificado pelas câmeras. Ele também apareceu perto do local do seu acidente, quarenta e nove dias atrás.

Marina sentiu um frio na espinha.

Rafael continuou:

— E há uma semana, esse mesmo homem entrou no escritório de Marcelo Montenegro, na Faria Lima.

Dante fechou os olhos por um instante.

Quando os abriu, a ternura havia desaparecido.

— Então meu irmão está mais perto dessa história do que eu imaginava.

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