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"A Filha da Empregada Acordou o Chefe da Máfia Após 49 Dias em Coma… E Sua Primeira Palavra Chocou a Todos" Capítulo 3 — A Única Voz Que Ele Queria Ouvir

正文开头

— Não quero ninguém neste quarto.

A voz de Dante Montenegro ainda estava rouca, mas a ordem fez os três funcionários recuarem imediatamente.

Era a manhã do quinquagésimo primeiro dia desde o ataque.

O homem mais poderoso da família Montenegro estava acordado.

Mas não estava bem.

Seus músculos haviam perdido força.

As mãos tremiam quando tentava segurar um copo.

E qualquer esforço prolongado provocava um cansaço que o deixava furioso.

Dante odiava depender de outras pessoas.

Odiava ainda mais perceber que não se lembrava de tudo o que acontecera antes do acidente.

— Senhor, precisa tomar o medicamento — insistiu uma enfermeira.

— Saia.

— O doutor Henrique deixou instruções.

Dante virou o rosto.

— Eu disse para sair.

A mulher colocou o copo sobre a mesa e deixou o quarto.

Helena Batista, que observava a cena, suspirou.

— Desse jeito, o senhor vai transformar a recuperação em uma guerra.

Dante não respondeu.

Olhou para a janela.

Do lado de fora, o jardim estava iluminado pelo sol.

Ele conseguia ouvir pássaros.

O som trouxe uma lembrança desconfortável.

Uma mulher cantando.

Uma mão acariciando sua cabeça.

Uma palavra.

Passarinho.

Dante fechou os olhos.

— Onde está a menina?

Helena ergueu as sobrancelhas.

— Sofia?

Ele assentiu.

— Está com a mãe.

— Traga.

— O senhor precisa descansar.

Dante voltou a encará-la.

— Helena.

A enfermeira soltou uma risada discreta.

— Está bem. Mas nada de assustar a criança.

Marina estava organizando lençóis quando recebeu o recado.

Ficou tão nervosa que deixou cair uma pilha inteira de toalhas.

— Ele quer ver a Sofia?

Rafael confirmou.

— Foi o que pediu.

— Mas por quê?

— Talvez queira agradecer.

Marina olhou para a filha.

Sofia estava sentada no chão, desenhando uma estrela torta em uma folha de papel.

— Filha, o senhor Dante quer falar com você.

A menina levantou a cabeça.

— O moço dorminhoco?

Rafael disfarçou um sorriso.

— Esse mesmo.

Sofia se levantou imediatamente.

— Posso levar meu desenho?

Marina hesitou.

— Pode, mas você precisa se comportar.

— Eu sempre me comporto!

A mãe lançou um olhar significativo.

Sofia abaixou os olhos.

— Quase sempre.

Quando entraram na suíte, Dante estava sentado com apoio de travesseiros.

Usava uma camisa preta de tecido leve.

As tatuagens apareciam nos antebraços.

Seu rosto continuava pálido, mas os olhos escuros acompanhavam cada movimento.

Marina parou perto da porta.

— Bom dia, senhor Montenegro.

Dante olhou para ela.

Depois para Sofia.

A expressão endurecida suavizou-se quase imperceptivelmente.

— Oi… passarinha.

Sofia sorriu.

— Oi, moço!

Marina ficou vermelha.

— Sofia, chame o senhor pelo nome.

Dante ergueu a mão.

— Deixe.

A menina se aproximou da cama.

— Eu fiz uma coisa pra você.

Estendeu a folha de papel.

Dante tentou segurá-la, mas seus dedos tremeram.

Sofia percebeu.

Sem dizer nada, colocou o desenho sobre o cobertor.

Era uma estrela amarela.

Ao lado, havia três figuras humanas.

正文1

Uma grande.

Uma média.

Uma pequena.

— Essa sou eu — explicou, apontando para a menor.

Depois indicou a figura média.

— Essa é a mamãe.

Dante olhou para a terceira.

— E… esse?

Sofia respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Você.

Marina levou a mão à boca.

— Sofia!

A menina olhou para a mãe.

— Ué, mamãe. Ele tava sozinho no papel.

Dante permaneceu imóvel.

Durante anos, vira pessoas se aproximarem por dinheiro.

Por poder.

Por medo.

Nunca porque achavam que ele estava sozinho.

A pequena menina continuou:

— Agora ninguém fica sozinho.

Dante baixou os olhos para o desenho.

E sorriu.

Foi um sorriso discreto.

Quase doloroso.

Mas verdadeiro.

Helena, parada perto da porta, percebeu imediatamente.

Era a primeira vez que via Dante Montenegro sorrir.

Nos dias seguintes, Sofia passou a visitar Dante durante períodos curtos, sempre com autorização médica e acompanhada pela mãe ou por Helena.

A recuperação não foi milagrosa.

Dante ainda precisava de fisioterapia.

Ainda tinha dores.

Ainda acordava assustado durante a noite.

Mas algo havia mudado.

Quando Sofia aparecia, ele deixava os profissionais trabalharem com mais tranquilidade.

Aceitava conversar.

Comia algumas colheradas da comida preparada especialmente para ele.

E, principalmente, tentava recuperar movimentos que antes se recusava a praticar.

Certa tarde, Sofia encontrou Dante tentando segurar uma bola de borracha usada nos exercícios.

A bola caiu no chão.

O homem fechou os olhos, irritado.

— Droga.

Sofia pegou o objeto.

— Não pode falar palavrão.

Dante abriu os olhos.

— Não?

— Minha mamãe disse que é feio.

Ele soltou uma respiração que quase parecia uma risada.

— Sua mãe manda em todo mundo?

Sofia pensou.

— Em mim, sim.

Colocou a bola novamente na mão dele.

— Tenta outra vez.

Dante apertou os dedos.

A bola escapou.

Sofia a pegou novamente.

— Outra vez.

Ele tentou.

Falhou.

A menina não demonstrou impaciência.

— De novo.

Na quarta tentativa, Dante conseguiu manter a bola entre os dedos por alguns segundos.

Sofia bateu palmas.

— Viu? Eu falei!

Dante olhou para ela.

A pequena comemoração o atingiu de uma maneira inesperada.

Durante toda a vida, homens haviam comemorado suas vitórias porque esperavam recompensas.

Aquela criança comemorava simplesmente porque ele conseguira segurar uma bola.

Marina, entretanto, estava cada vez mais preocupada.

Numa noite, encontrou Rafael perto da lavanderia.

— Preciso conversar com o senhor.

— Aconteceu alguma coisa?

Ela respirou fundo.

— Quero pedir demissão.

Rafael franziu a testa.

— Por quê?

— Minha filha está ficando próxima demais do senhor Dante.

— Ele gosta dela.

— Eu sei.

Marina apertou as mãos.

— Mas esse não é o nosso mundo.

Rafael permaneceu em silêncio.

— Eu não quero que Sofia cresça achando que pode entrar numa mansão, chamar um homem poderoso de moço e receber tudo o que deseja.

— Ninguém está oferecendo tudo a ela.

— Ainda assim, isso não é normal.

正文2

Marina olhou para o corredor.

— E tem outra coisa.

Rafael esperou.

— O senhor Marcelo me olha como se eu tivesse cometido um crime.

O segurança endureceu a expressão.

— Ele fez alguma ameaça?

— Não diretamente.

— Então não fique sozinha com ele.

A resposta confirmou o medo de Marina.

— Está vendo? É exatamente por isso que precisamos ir embora.

Dante soube da decisão na manhã seguinte.

Rafael lhe entregou o pedido de demissão.

O papel permaneceu sobre a mesa por vários segundos.

— Não.

Rafael manteve a postura.

— Senhor, Marina tem o direito de decidir.

Dante olhou para ele.

— Eu sei.

— Então?

O homem respirou fundo.

— Quero conversar com ela.

Marina entrou na biblioteca da ala particular com o coração acelerado.

Dante estava sentado em uma poltrona, com uma manta sobre as pernas.

A fisioterapia o deixara exausto.

Mesmo assim, seus olhos continuavam atentos.

— Sente-se — pediu.

Marina permaneceu de pé.

— Prefiro ficar assim, senhor.

Ele observou seu rosto.

— Quer ir embora.

— Sim.

— Por minha causa?

Ela hesitou.

— Por causa da minha filha.

Dante ficou em silêncio.

Marina continuou:

— Sofia é pequena. Ela se apega facilmente às pessoas. Já perdeu muita coisa na vida.

— O pai dela?

Marina desviou os olhos.

— Nunca fez parte da nossa vida.

Dante não insistiu.

— E você acha que vou machucá-la?

— Acho que o senhor vive em um mundo onde pessoas se machucam o tempo todo.

A resposta foi direta.

Dante a encarou por alguns segundos.

Pouquíssimas pessoas tinham coragem de falar daquela maneira com ele.

— Você está certa.

Marina ergueu os olhos, surpresa.

— Estou?

— Minha vida nunca foi um lugar seguro.

Ele olhou para a própria mão.

— Mas aquela menina entrou no meu quarto quando ninguém mais esperava que eu voltasse.

Sua voz ficou mais baixa.

— E falou comigo como se eu ainda fosse alguém.

Marina sentiu o peito apertar.

Dante levantou o rosto.

— Não vou obrigar vocês a ficar.

Ela soltou o ar lentamente.

— Obrigada.

— Mas posso oferecer segurança enquanto você decide o que fazer.

— Não quero caridade.

— Então continue trabalhando. Com salário justo e horário adequado.

Marina observou o homem diante dela.

Pela primeira vez, não viu apenas o chefe da família Montenegro.

Viu alguém tentando aprender a pedir, em vez de ordenar.

— Preciso pensar.

Dante assentiu.

— Pense.

Quando Marina chegou à porta, ele voltou a falar.

— Marina.

Ela virou-se.

— Sim?

— Sofia deixou um desenho no meu quarto.

Marina sorriu discretamente.

— Ela gosta de desenhar.

Dante olhou para a janela.

— Faz muito tempo que alguém me coloca num desenho de família.

Marina não soube o que responder.

Naquela mesma noite, Helena entrou na sala de Henrique carregando uma pasta.

O médico levantou os olhos.

— O que aconteceu?

Ela fechou a porta.

— Encontrei uma coisa estranha.

Colocou os registros de medicação sobre a mesa.

Henrique examinou as páginas.

As datas correspondiam aos últimos quarenta e nove dias.

— O que estou procurando?

Helena apontou para uma sequência de anotações.

— Aqui. E aqui também.

O médico franziu a testa.

— Essas doses foram alteradas?

— Várias vezes.

— Quem autorizou?

Helena engoliu em seco.

— É justamente esse o problema.

Henrique virou a página.

Havia registros de administração sem justificativa clínica adequada.

E assinaturas que não correspondiam à equipe responsável.

— Isso precisa ser investigado imediatamente.

Helena aproximou-se.

— Doutor… e se Dante não ficou inconsciente durante todo esse tempo apenas por causa do ferimento?

Henrique permaneceu imóvel.

O silêncio respondeu antes de suas palavras.

— Se alguém interferiu no tratamento, estamos diante de algo muito grave.

Helena olhou para a porta fechada.

— E se essa pessoa ainda estiver dentro da mansão?

O médico guardou os documentos.

— Então não podemos deixar que saiba o que descobrimos.

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