"A Filha da Empregada Acordou o Chefe da Máfia Após 49 Dias em Coma… E Sua Primeira Palavra Chocou a Todos" Capítulo 2 — “Tirem Essa Criança Daqui!”
— TIREM ESSA CRIANÇA DAQUI!
O grito de Marcelo Montenegro fez Sofia se encolher ao lado da cama.
A menina apertou Bolinha contra o peito.
Seus olhos grandes se encheram de lágrimas.
— Eu fiz alguma coisa errada?
Ninguém respondeu.
A suíte hospitalar da mansão estava tomada por médicos, enfermeiros e seguranças.
O doutor Henrique Sampaio examinava Dante com uma lanterna pequena, enquanto Helena verificava os sinais vitais.
Marcelo, porém, parecia mais preocupado com a presença da menina do que com a recuperação do irmão.
— Quem deixou essa criança entrar? — exigiu.
Helena tentou explicar.
— Senhor Marcelo, ela estava cantando quando…
— Eu não perguntei o que estava fazendo! Perguntei quem deixou entrar!
Dois seguranças apareceram à porta.
Marcelo apontou para Sofia.
— Levem essa menina embora. Agora!
Um dos homens avançou.
Sofia recuou até encostar na cama.
— Eu quero minha mamãe…
O segurança estendeu a mão.
Antes que pudesse tocá-la, uma voz fraca cortou o quarto.
— Não.
Todos ficaram imóveis.
Henrique levantou a cabeça.
Dante Montenegro estava olhando diretamente para o segurança.
Seus lábios se moveram novamente.
— Ninguém… toca… nela.
O silêncio foi absoluto.
Marcelo perdeu a cor.
— Dante?
O irmão mais velho tentou erguer a mão, mas o esforço provocou uma expressão de dor.
Henrique imediatamente se aproximou.
— Não tente se levantar. O senhor está muito debilitado.
Dante ignorou o médico.
Seus olhos continuaram fixos em Sofia.
A menina soluçou.
— Moço… aquele homem tá bravo comigo.
Dante respirou com dificuldade.
— Não… tenha… medo.
Marcelo deu um passo para trás.
Durante toda a vida, conhecera o irmão como um homem que não tolerava desobediência.
Um homem capaz de silenciar uma sala inteira com um único olhar.
E agora aquele mesmo homem, mal conseguindo falar, estava usando as poucas forças que tinha para proteger uma criança desconhecida.
Marina Oliveira percebeu que Sofia havia desaparecido quando voltou à área onde deixara o cobertor.
O coração quase parou.
— Sofia?
Olhou atrás dos carrinhos.
Nada.
— Sofia!
Correu pelo corredor da lavanderia.
Perguntou a dois funcionários se tinham visto uma menina de vestido amarelo.
Ambos negaram.
Então avistou o elevador de serviço.
As portas estavam fechadas.
Uma sensação terrível percorreu seu corpo.
Marina apertou o botão repetidamente.
— Por favor… por favor…
Quando o elevador chegou, ela entrou sem pensar.
Subiu até o terceiro andar.
Assim que as portas se abriram, ouviu a voz da filha.
— Mamãe!
Sofia apareceu na entrada de um quarto cercado de pessoas.
Marina correu.
Ajoelhou-se e abraçou a menina com tanta força que Sofia reclamou.
— Mamãe, tá apertando!
— Meu Deus, Sofia! Você me matou de susto!
Beijou seu rosto várias vezes.
Depois percebeu onde estava.
Viu os médicos.
Os seguranças.
E o homem deitado na cama.
Dante Montenegro.
O patrão que todos temiam.
Aquele cujo quarto era absolutamente proibido aos funcionários comuns.
Marina sentiu as pernas enfraquecerem.
— Senhor Montenegro… eu…
Marcelo avançou.
— Então essa criança é sua?
Marina levantou-se, mantendo Sofia atrás das pernas.
— Sim, senhor.
— Você trouxe uma criança para dentro da minha propriedade sem autorização?
— Eu não tinha com quem deixá-la. A pessoa que cuida dela ficou doente e…
— Não quero ouvir desculpas!
Marina abaixou a cabeça.
— Eu sei que errei.
— Você colocou meu irmão em risco!
Helena interveio.
— Na verdade, senhor Marcelo, a presença dela coincidiu com a primeira resposta consciente do paciente.
— Está dizendo que uma criança acordou um homem que os melhores médicos do país não conseguiram acordar?
— Estou dizendo o que observamos — respondeu Helena, firme. — Precisamos de exames para compreender a recuperação.
Marcelo soltou uma risada amarga.
— Ridículo.
Voltou-se para Marina.
— Está demitida.
A palavra atingiu a jovem como um golpe.
— Senhor, por favor…
— Recolha suas coisas e desapareça.
Marina apertou a mão de Sofia.
O aluguel venceria em cinco dias.
Havia contas atrasadas.
Pouco dinheiro na carteira.
Mas não podia discutir diante de tantos homens armados.
— Entendi, senhor.
Ajoelhou-se diante da filha.
— Vamos embora, meu amor.
Sofia olhou para Dante.
— Mas o moço acabou de acordar…
— Sofia, vamos.
A menina caminhou até a cama antes que Marina pudesse impedi-la.
Colocou o coelhinho de pelúcia ao lado da mão de Dante.
— Pode ficar com o Bolinha. Ele ajuda quando a gente tá com medo.
Marina sentiu os olhos arderem.
— Filha…
Dante olhou para o brinquedo.
Depois para a menina.
E, com enorme esforço, fechou os dedos ao redor de uma das orelhas costuradas.
— Fica.
A palavra saiu baixa.
Mas todos ouviram.
Marina ficou imóvel.
Marcelo aproximou-se.
— Dante, você não sabe o que está dizendo. Essa mulher violou as regras da casa.
O olhar do irmão mais velho mudou.
Mesmo enfraquecido, havia nele algo que Marcelo conhecia muito bem.
Autoridade.
— Elas… ficam.
— Você precisa descansar.
— Marcelo.
O irmão engoliu em seco.
— O quê?
Dante demorou alguns segundos para conseguir falar.
— Eu… decido.
Duas horas depois, Henrique terminou os primeiros exames.
Dante demonstrava sinais de consciência, mas estava extremamente debilitado.
Sua fala era lenta.
Os movimentos, limitados.
E a memória recente, fragmentada.
O médico reuniu Helena, Marcelo e Rafael Costa, chefe da segurança pessoal de Dante.
— A recuperação é surpreendente, mas precisamos ter cautela. Ele ainda corre riscos importantes.
Marcelo cruzou os braços.
— Então é melhor mantê-lo sedado.
Henrique franziu a testa.
— Não há indicação para sedação profunda neste momento.
— Ele está agitado.
— Está consciente, senhor Marcelo. Isso não é a mesma coisa.
Marcelo apertou a mandíbula.
— Quero que faça o necessário para que ele não sofra.
— Farei o que for clinicamente indicado.
Rafael observou a conversa em silêncio.
Trabalhava para Dante havia onze anos.
E conhecia aquela família melhor do que gostaria.
Desde o início do coma, algo no comportamento de Marcelo o incomodava.
O irmão mais novo havia assumido contratos, afastado funcionários antigos e substituído parte da equipe de segurança.
Agora parecia furioso porque Dante sobrevivera.
Rafael guardou aquela impressão.
Ainda não tinha provas.
Na pequena sala de descanso da lavanderia, Marina tentava compreender o que acontecera.
Sofia estava sentada ao seu lado, comendo um pedaço de pão.
— Mamãe, o moço é triste?
Marina acariciou seus cabelos.
— Não sei, meu amor.
— Ele não sorriu.
— Ele estava muito doente.
Sofia pensou por alguns segundos.
— Mas agora ele tá melhor.
Marina sorriu tristemente.
— Espero que sim.
A porta se abriu.
Rafael entrou.
Marina levantou-se imediatamente.
— Senhor, eu já estou arrumando minhas coisas.
— Você não vai embora.
Ela ficou confusa.
— Como?
— Ordem do senhor Dante.
Rafael colocou um envelope sobre a mesa.
Dentro havia um novo cartão de acesso.
— A partir de hoje, você trabalhará em uma área próxima à ala particular. Sua filha poderá permanecer em um quarto reservado enquanto estiver aqui.
Marina olhou para o cartão.
— Eu não posso aceitar isso.
— Não é uma oferta minha.
— Mas eu não quero causar problemas.
Rafael observou Sofia.
A menina tentava alimentar o coelhinho com migalhas de pão.
— Acho que os problemas começaram muito antes de vocês chegarem.
Marina ergueu os olhos.
— O que quer dizer?
Rafael hesitou.
— Apenas tome cuidado com quem confia nesta casa.
Na manhã seguinte, Dante conseguiu permanecer acordado por quase uma hora.
Helena entrou com medicamentos e encontrou o paciente olhando para a cadeira ao lado da cama.
O coelhinho estava ali.
— O senhor quer que eu retire o brinquedo?
Dante moveu a cabeça lentamente.
Não.
Helena sorriu.
— A menina se chama Sofia.
Ele fechou os olhos por um instante.
— Sofia…
— Tem três anos. A mãe trabalha na lavanderia.
Dante voltou a olhar para o brinquedo.
— A música…
— Ela cantou uma canção infantil.
O homem pareceu perturbado.
— Minha… mãe…
Helena se aproximou.
— O senhor se lembrou de alguma coisa?
Dante tentou responder.
Mas uma dor intensa atravessou sua cabeça.
Imagens fragmentadas surgiram.
Uma estrada escura.
Faróis.
Um telefone tocando.
E uma voz masculina.
Uma voz conhecida.
— Você devia ter assinado, Dante.
O coração acelerou.
Helena verificou o monitor.
— Senhor Montenegro, tente se acalmar.
Dante abriu os olhos.
— Marcelo…
— Quer que eu chame seu irmão?
Ele agarrou o pulso da enfermeira.
O gesto foi fraco.
Mas urgente.
— Não.
Helena ficou imóvel.
Dante respirou com dificuldade.
— Não… confie…
Antes que terminasse, o cansaço venceu.
Seus olhos se fecharam.
Na biblioteca, Marcelo estava ao telefone.
As cortinas permaneciam fechadas.
Verônica observava a porta.
— Temos um problema — disse Marcelo.
Do outro lado, um homem respondeu algo que a fez prender a respiração.
Marcelo apertou o aparelho contra a orelha.
— Não me interessa o que o médico disse. Meu irmão acordou.
Silêncio.
— Não. Ele ainda não se lembra de tudo.
Verônica aproximou-se.
Marcelo virou o rosto.
— Mas pode se lembrar.
A voz do outro homem ficou mais alta.
Marcelo respondeu entre os dentes:
— Então vamos precisar terminar o que começamos há quarenta e nove dias.
Desligou.
Verônica cruzou os braços.
— E a criança?
Marcelo olhou pela janela.
No jardim, Sofia caminhava de mãos dadas com Marina.
A menina ria de alguma coisa.
Uma risada pequena.
Inocente.
Marcelo estreitou os olhos.
— Se aquela menina conseguiu trazer Dante de volta…
Fez uma pausa.
— Precisamos garantir que nunca mais chegue perto dele.
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