"A Filha da Empregada Acordou o Chefe da Máfia Após 49 Dias em Coma… E Sua Primeira Palavra Chocou a Todos" Capítulo 1 — A Menina Que Acordou o Monstro
— Se ele não acordar até amanhã, Marcelo Montenegro assume o controle de tudo.
A frase foi pronunciada em voz baixa, mas atravessou o corredor silencioso da mansão como uma sentença de morte.
Era quase meia-noite no Jardim Europa, um dos bairros mais luxuosos de São Paulo.
Do lado de fora, a chuva escorria pelas janelas enormes da propriedade dos Montenegro. Do lado de dentro, dezenas de funcionários caminhavam em silêncio, evitando até mesmo olhar para o terceiro andar.
Ali, atrás de duas portas blindadas, estava o homem mais temido da cidade.
Dante Montenegro.
Trinta e cinco anos.
Dono de um império empresarial que movimentava bilhões de reais.
E chefe de uma organização criminosa cujo nome fazia empresários, políticos e homens armados baixarem a cabeça.
Mas havia quarenta e nove dias, Dante não dava uma única ordem.
Não ameaçava ninguém.
Não abria os olhos.
Permanecia imóvel em uma cama hospitalar instalada dentro da própria mansão, cercado por equipamentos médicos e profissionais contratados a peso de ouro.
Quarenta e nove dias de silêncio.
Quarenta e nove dias em que seu irmão mais novo, Marcelo Montenegro, havia começado a ocupar seu lugar.
— O conselho está impaciente — comentou Verônica Albuquerque, cruzando as pernas no sofá de couro da biblioteca.
Marcelo serviu uma dose de uísque.
— Amanhã acaba essa palhaçada.
— E se Dante acordar?
O homem soltou uma risada curta.
— Depois de quarenta e nove dias? Nem Deus vai trazer meu irmão de volta.
Verônica observou o líquido dourado dentro do copo.
— Você parece muito seguro.
Marcelo se aproximou.
— Digamos que eu conheço melhor do que ninguém o estado de saúde dele.
Os dois trocaram um olhar que não precisava de explicação.
No subsolo da mansão, Marina Oliveira estava terminando sua décima hora de trabalho.
Aos vinte e oito anos, ela já havia aprendido que a vida não costumava oferecer segundas oportunidades.
Era mãe solteira.
Morava em um pequeno apartamento alugado na Vila Mariana.
E havia conseguido aquele emprego na lavanderia dos Montenegro apenas três semanas antes.
O salário era bom.
Bom o suficiente para pagar o aluguel, comprar comida e manter sua filha de três anos longe das dificuldades que ela própria conhecera desde pequena.
Naquela noite, porém, tudo havia dado errado.
A vizinha que costumava cuidar de Sofia ficara doente.
A creche estava fechada.
E Marina não tinha dinheiro para contratar uma babá.
Por isso, cometera a única infração que poderia custar seu emprego.
Levara a filha escondida para a mansão.
— Você vai ficar aqui quietinha, meu amor — pediu, ajeitando o laço amarelo no cabelo da menina.
Sofia Oliveira tinha cachinhos castanhos, olhos grandes e uma curiosidade que parecia não caber dentro de seu pequeno corpo.
Usava um vestido amarelo simples e carregava um coelhinho de pelúcia com uma das orelhas costuradas.
— A mamãe vai demorar?
— Só mais um pouquinho.
— Promete?
Marina beijou sua testa.
— Prometo.
Sofia abraçou o coelho.
— O Bolinha também vai esperar.
Marina sorriu.
Deixou a filha sentada sobre um cobertor limpo, atrás de uma fileira de carrinhos de lavanderia.
Depois voltou às máquinas.
Cinco minutos.
Era tudo o que precisava para terminar de dobrar os lençóis.
Mas cinco minutos podem mudar uma vida inteira.
Sofia esperou.
Contou os dedos.
Conversou com Bolinha.
Olhou para a porta.
A mãe não voltou.
Então ouviu um som.
Uma melodia suave, quase imperceptível, vinha do corredor.
A menina levantou a cabeça.
— Bolinha… alguém tá cantando.
Não havia ninguém cantando.
Era apenas a música instrumental que tocava discretamente no sistema de som da mansão.
Mas Sofia reconheceu a melodia.
Sua mãe cantava algo parecido quando ela tinha medo de dormir.
Curiosa, levantou-se.
Arrastou o coelhinho pelo corredor e encontrou uma porta metálica entreaberta.
O elevador de serviço.
As luzes dos botões brilhavam como pequenas estrelas.
Sofia apertou um deles.
As portas se fecharam.
— Opa!
A menina soltou uma risadinha.
O elevador começou a subir.
Quando parou, Sofia saiu para um corredor completamente diferente daquele que conhecia.
O chão era de mármore claro.
As paredes tinham quadros enormes.
E o silêncio parecia tão grande que até seus passinhos faziam barulho.
No fim do corredor, havia uma porta entreaberta.
Uma luz azulada escapava pela fresta.
Sofia caminhou até lá.
Empurrou a porta com as duas mãos.
E entrou.
Dante Montenegro estava deitado em uma cama hospitalar.
Seu rosto permanecia imóvel.
Os cabelos escuros contrastavam com o travesseiro branco.
Tatuagens cobriam parte dos braços, e fios conectavam seu corpo aos aparelhos que monitoravam seus sinais vitais.
Ao lado da cama, uma máquina emitia sons regulares.
Bip.
Bip.
Bip.
Sofia ficou parada.
Olhou para o homem.
Depois para os aparelhos.
Aproximou-se devagar.
— Moço?
Nenhuma resposta.
Ela inclinou a cabeça.
— Moço… você tá dormindo?
Dante não se mexeu.
Sofia colocou Bolinha sobre uma cadeira e ficou na ponta dos pés.
A mãozinha alcançou os dedos do homem.
Estavam mornos.
— Minha mamãe fala que dormir muito faz perder o café da manhã.
Silêncio.
A menina franziu a testa.
— Você tá triste?
Do outro lado da porta, a enfermeira Helena Batista voltava de uma conversa com o médico responsável.
Quando percebeu uma pequena figura amarela junto à cama, quase deixou cair a prancheta.
— Meu Deus! Menina, o que você está fazendo aqui?
Sofia virou o rosto.
Colocou um dedo sobre os lábios.
— Psiu! O moço tá dormindo.
Helena avançou dois passos.
Mas parou quando viu a mão da criança segurando a de Dante.
Havia algo naquela cena que a fez hesitar.
Durante quarenta e nove dias, ela acompanhara aquele homem.
Vira médicos discutirem exames.
Vira equipamentos serem trocados.
Vira Marcelo entrar e sair do quarto com uma expressão que nunca parecia verdadeiramente triste.
Mas nunca vira alguém conversar com Dante daquela maneira.
Como se ele fosse apenas uma pessoa cansada.
E não o homem mais perigoso de São Paulo.
— Querida, você precisa sair — sussurrou Helena.
Sofia olhou novamente para Dante.
— Só vou cantar uma música pra ele.
— Não, espere…
A menina já havia começado.
— Brilha, brilha, estrelinha…
A voz era pequena.
Doce.
Um pouco desafinada.
Helena suspirou e se aproximou para retirá-la.
Então ouviu o monitor.
Bip.
Bip-bip.
Olhou para a tela.
A frequência cardíaca de Dante havia aumentado.
Sete batimentos.
Helena ficou imóvel.
— Isso não pode ser…
Sofia continuou cantando.
— Quero ver você brilhar…
Os dedos de Dante se contraíram.
Um movimento mínimo.
Quase invisível.
Mas Helena viu.
— Senhor Montenegro?
Ela se aproximou rapidamente.
— Dante? Consegue me ouvir?
Nenhuma resposta.
Sofia apertou a mão dele.
— Moço, você conhece essa música?
O monitor voltou a oscilar.
Helena correu até o interfone.
— Doutor Henrique! Venha imediatamente! O paciente está apresentando respostas!
A menina não compreendeu a urgência.
Continuou cantando.
Sua voz atravessou o quarto silencioso.
E, pela primeira vez em quarenta e nove dias, algo pareceu alcançar o homem preso naquele corpo imóvel.
Dentro de sua consciência fragmentada, Dante ouvia sons distantes.
Vozes.
Passos.
Ordens.
Durante semanas, tudo havia sido escuridão.
Às vezes, escutava o próprio nome.
Outras vezes, sentia como se estivesse afundando em um lugar sem fundo.
Mas agora havia uma música.
Uma música antiga.
Familiar.
Uma voz de criança.
E, por trás dela, uma lembrança.
Uma mulher sentada perto de uma janela.
Mãos delicadas acariciando seus cabelos.
Sua mãe.
— Dorme, meu passarinho…
Dante tentou alcançá-la.
Mas a imagem desapareceu.
A música continuou.
E uma mão pequena apertou seus dedos.
— Lá no alto, pelo céu…
Sofia terminou a última frase.
Depois sorriu.
— Pronto, moço. Agora pode acordar.
Helena olhou para o monitor.
O coração batia mais rápido.
Os dedos se moveram novamente.
— Dante? Abra os olhos, por favor.
Um segundo.
Dois.
Três.
Então as pálpebras do homem tremeram.
Helena levou a mão à boca.
Os olhos de Dante Montenegro se abriram.
Não completamente.
Apenas o suficiente para enxergar uma pequena menina de vestido amarelo diante dele.
Sofia abriu um sorriso enorme.
— Oi!
Dante tentou respirar mais fundo.
Seus lábios se moveram.
Helena inclinou-se imediatamente.
— Senhor Montenegro? O que está tentando dizer?
Ele não olhava para a enfermeira.
O olhar permanecia preso à criança.
Uma lágrima deslizou lentamente pelo canto de seu olho.
E, com uma voz rouca, quase destruída pelo silêncio de quarenta e nove dias, Dante sussurrou:
— Passarinha…
Sofia arregalou os olhos.
— Eu?
O homem tentou mover os dedos.
A menina segurou sua mão com mais força.
— Eu não sou passarinho, moço. Eu sou a Sofia!
Dante continuou olhando para ela.
Helena apertou o botão de emergência.
— Ele acordou! Meu Deus, ele acordou!
No corredor, Marcelo Montenegro vinha acompanhado de Verônica.
Os dois ouviram a movimentação.
Um médico correu na direção do quarto.
Depois outro.
Marcelo segurou o braço de Helena quando ela apareceu à porta.
— O que aconteceu?
A enfermeira estava pálida.
Mas sorria.
— Seu irmão abriu os olhos.
O copo de uísque escapou da mão de Marcelo.
Estilhaçou-se no mármore.
— O quê?
— Dante acordou!
Verônica levou a mão ao peito.
Marcelo não conseguiu responder.
Atravessou a porta.
E viu o impossível.
Seu irmão estava acordado.
O homem que deveria permanecer inconsciente até que todos os documentos fossem assinados estava olhando para uma criança desconhecida.
Marcelo sentiu o sangue gelar.
Porque Dante Montenegro havia voltado.
E, se recuperasse a memória, descobriria exatamente quem o colocara naquela cama.
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