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"Não Toque nas Pernas do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — O Homem Que Entrou no Quarto

正文开头

Em menos de três minutos, a mansão mudou.

Portas foram travadas.

Persianas blindadas começaram a descer.

Homens armados apareceram nos corredores.

Marina permaneceu no quarto de Dante enquanto Bruno recebia informações pelo rádio.

— Movimento no jardim norte.

— Verifiquem.

Dante estava sentado na cama.

— Minha cadeira.

Marina trouxe a cadeira para perto.

Parou antes de tocá-la.

Dante percebeu.

— Pode mover.

Era a primeira vez que ele autorizava.

Ela posicionou a cadeira ao lado da cama.

— Precisa de ajuda?

— Não.

Dante usou os braços para transferir o corpo.

O movimento foi rápido demais.

A perna direita escorregou.

Marina segurou seu quadril.

Ele congelou.

Ela também.

Por um segundo, nenhum dos dois falou.

— Desculpa — disse Marina.

Dante ajustou a posição.

— Não peça desculpa por impedir que eu caia.

Ela soltou.

Bruno entrou novamente.

— Nada no jardim.

— Então por que as câmeras caíram?

— Estamos verificando.

Dante colocou a manta sobre as pernas.

— Marina vai embora.

Ela olhou para ele.

— O quê?

— Bruno, arrume um carro.

— Não.

Dante virou a cadeira.

— Isso não é uma discussão.

— Você acabou de ter uma crise.

— Estou bem.

— Não está.

— Marina.

— E lá fora aparentemente tem alguém tentando entrar na sua casa. Você acha que me mandar embora agora é mais seguro?

— Sim.

— Com base em quê?

Dante aproximou-se.

— Com base no fato de que quem quer entrar aqui quer chegar até mim.

Marina ficou em silêncio.

— Você não faz parte disso.

— Eu trabalho aqui.

— Há duas semanas.

— Ainda trabalho aqui.

A voz de Dante ficou mais dura.

— Se vieram por mim, você não fica no meio.

Marina finalmente entendeu.

Ele não estava tentando se livrar dela.

Estava tentando protegê-la.

— Então está me demitindo?

Dante hesitou.

— Estou mandando você para casa.

— É diferente.

— Pouco importa.

— Para mim importa.

Bruno olhou discretamente para os dois.

Marina cruzou os braços.

— Não vou.

Dante soltou uma risada sem humor.

— Você realmente não entende como funciona uma ordem.

— Eu trabalho na saúde. Se obedecesse todas as ordens de pacientes, metade deles estaria morta.

— Bruno.

— Não me envolva — respondeu o segurança imediatamente.

Dante olhou para ele.

— Você está do lado dela?

— Estou do lado de continuar vivo.

Marina quase sorriu.

Um rádio chiou.

Bruno respondeu.

Seu rosto mudou.

— Repete.

Silêncio.

— Onde?

Ele saiu rapidamente.

Dante observou a porta.

— O que foi?

Nenhuma resposta.

— Bruno.

O segurança reapareceu.

— Encontraram uma janela aberta.

— Qual?

— Corredor do terceiro andar.

Dante ficou imóvel.

Marina lembrou imediatamente.

Terceiro andar.

Armas.

Dinheiro.

Arquivos.

Dante acionou a cadeira.

— Fique aqui.

— Nem pensar.

— Marina.

— Se você tiver outro espasmo no meio dessa confusão, Bruno vai fazer o quê? Atirar na sua perna?

正文1

Bruno suspirou.

— Ela tem um ponto.

Dante lançou um olhar mortal.

— Você está demitido.

— Depois a gente resolve isso.

Subiram pelo elevador interno.

O terceiro andar era mais escuro que o restante da casa.

Bruno foi primeiro.

Dois seguranças os acompanhavam.

Marina ficou atrás de Dante.

Uma janela estava aberta.

A cortina branca balançava com o vento e a chuva.

Havia marcas de lama no piso.

Alguém realmente entrara.

Bruno apontou para três portas.

A primeira estava intacta.

— Armas — murmurou Dante.

A segunda também.

— Dinheiro.

Marina olhou para a terceira.

A fechadura estava danificada.

Seu estômago apertou.

— Arquivos.

Dante não respondeu.

Bruno abriu a porta cuidadosamente.

Ninguém.

O cômodo tinha prateleiras do chão ao teto.

Pastas.

Caixas.

Documentos.

Um armário metálico estava aberto.

Dante entrou.

Seu rosto mudou.

— Mexeram aqui.

— Tem certeza? — perguntou Bruno.

— Tenho.

Marina viu uma caixa no chão.

Papéis estavam espalhados.

Abaixou-se.

Dante imediatamente falou:

— Não toque.

Ela parou.

— Por quê?

Ele olhou para os documentos.

— Porque isso não tem nada a ver com você.

Marina reconheceu o logotipo em uma das folhas.

Hospital Santa Cecília.

Seu olhar mudou.

— Isso é prontuário médico.

Dante ficou em silêncio.

Ela pegou a folha antes que ele pudesse impedir.

Era um relatório do período da internação.

— Marina.

Ela leu rapidamente.

Exames neurológicos.

Cirurgia.

Medicação.

— Por que seus registros médicos estão numa sala trancada junto de armas e dinheiro?

— Porque são meus.

Bruno recebeu outra mensagem.

— Encontramos a rota.

Dante virou-se.

— Qual?

— Quem entrou pelo muro foi direto para a janela do terceiro andar.

— Não passou pelo escritório?

— Não.

— Cofre?

— Não.

Bruno olhou para a porta danificada.

— Veio direto para cá.

Marina sentiu um arrepio.

A pessoa não procurava dinheiro.

Não procurava armas.

Procurava documentos.

Ela baixou os olhos para a folha em sua mão.

No canto inferior estava a assinatura que já conhecia.

**Dr. Henrique Sampaio.**

— Dante.

— Não.

— Escuta.

— Depois.

— Não. Agora.

Ela apontou para uma linha do relatório.

Dante tentou pegar a folha.

Marina afastou.

— Aqui.

— Me dê isso.

— A dose.

Ele parou.

— Que dose?

— Baclofeno.

Marina aproximou o papel da luz.

— Esta prescrição é diferente da que está no seu quarto.

Bruno se aproximou.

— Diferente como?

— Aqui a dose é menor.

Dante franziu o cenho.

— Foi ajustada depois.

— Talvez.

Marina pegou outro relatório caído.

Depois outro.

Datas diferentes.

Ela comparou.

Seu coração começou a acelerar.

— Não.

— O quê? — perguntou Dante.

— Isso não faz sentido.

Ela colocou os documentos lado a lado.

No primeiro período após o acidente, as doses eram moderadas.

Depois aumentavam.

E aumentavam novamente.

Ao mesmo tempo, as anotações sobre respostas neurológicas desapareciam.

Marina levantou os olhos.

— Quem administra seus remédios?

正文2

— Eu.

— Quem prepara?

Dante hesitou.

— Henrique define as doses. A enfermagem organiza.

— E antes de mim?

Silêncio.

Marina pensou na enfermeira que havia pedido demissão.

Nos relatórios.

No pé que se movia.

Na contração abdominal.

Na ordem de Dante para não contar ao médico.

Bruno recebeu outra chamada.

— Encontraram uma coisa no jardim.

— O quê?

O segurança mostrou uma pequena bolsa plástica.

Dentro havia uma chave eletrônica.

— Isso abre a porta de serviço — disse Bruno.

Dante ficou gelado.

— Só existem seis cópias.

— Eu sei.

— Então quem entrou não invadiu a casa.

Marina olhou para ele.

Bruno completou:

— Alguém deixou essa pessoa entrar.

O silêncio no cômodo tornou-se pesado.

Marina ainda segurava os relatórios.

Se alguém dentro daquela casa estava ajudando um invasor...

E o invasor tinha ido diretamente atrás dos registros médicos de Dante...

Aquilo não era apenas uma invasão.

Era uma tentativa de esconder alguma coisa.

Dante puxou a folha da mão dela.

— Você vai embora pela manhã.

— Não vou.

— Desta vez não estou pedindo.

— E eu também não.

— Marina, alguém entrou na minha casa.

— Atrás dos seus registros.

— Exatamente.

— Então agora eu quero saber por quê.

Dante encarou-a.

— Curiosidade mata.

— Então é bom eu ser enfermeira.

Bruno soltou um suspiro cansado.

Dante não achou graça.

Antes que alguém dissesse mais alguma coisa, um dos seguranças apareceu na porta.

— Senhor Montenegro.

— Fala.

— Encontramos a gravação da câmera externa antes de o sistema cair.

— Rosto?

— Não.

— Carro?

— Também não.

— Então o quê?

O homem hesitou.

— A pessoa que entrou sabia exatamente onde as câmeras não alcançavam.

Bruno ficou sério.

— Isso exige acesso ao mapa de segurança.

— Sim.

Dante olhou para ele.

Só um pequeno grupo tinha esse acesso.

Marina percebeu isso pelo rosto dos dois.

O inimigo não estava apenas perto.

Estava dentro.

Dante virou a cadeira para Marina.

— A partir de agora, você não anda sozinha nesta casa.

— Achei que estava me mandando embora.

— Mudei de ideia.

— Rápido.

Ele aproximou-se.

— Não confie em ninguém.

Marina franziu o cenho.

— Nem no Bruno?

— Em ninguém.

— Nem no Henrique?

Dante ficou em silêncio por um segundo longo demais.

Então respondeu:

— Principalmente em quem tem acesso aos meus remédios.

Marina olhou novamente para os documentos espalhados.

Foi naquele instante que entendeu.

Talvez o maior perigo para Dante Montenegro nunca tivesse sido a bomba que destruiu seu carro.

Talvez fosse o que alguém vinha fazendo com ele desde que sobrevivera.

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