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"Ele Me Rejeitou. Os Filhos do Mafioso Me Escolheram." Parte 6 — A Mulher Que Eles Mandaram Calar

正文开头

Parte 6 — A Mulher Que Eles Mandaram Calar

Teresa Sampaio sorriu quando me viu entrar.

O sorriso desapareceu quando percebeu quem vinha ao meu lado.

Dante não tocava em mim. Não precisava.

O salão de eventos do hotel estava cheio de fornecedores, representantes de marcas e pessoas com crachás de imprensa. Sobre uma mesa iluminada, meus brioches ocupavam cestas revestidas de linho.

Na tela atrás do palco, o nome de Teresa ainda aparecia abaixo da palavra

criação

.

Eu usava um vestido azul simples, escolhido por mim, e sapatos em que conseguia caminhar.

Nada de transformação para provar que Otávio havia me julgado errado.

Continuava sendo a mulher que passava os dias entre farinha e manteiga.

Só estava descansada o suficiente para lembrar disso sem vergonha.

Helena nos aguardava perto da entrada. Trazia uma pasta fina e uma expressão que me ajudou a respirar.

"Podemos sair a qualquer momento", disse.

"Não vou sair antes de falar."

Ela assentiu.

Otávio veio na nossa direção com os braços ligeiramente abertos, como se esperasse um abraço.

Parei.

Ele baixou as mãos.

"Você veio."

"Meu nome estava no convite."

"Precisávamos conversar."

"Então devia ter me convidado antes de publicar."

Seus olhos passaram por Dante.

"Não sabia que traria companhia."

"Trouxe."

Teresa chegou logo depois.

"Marina, querida. Podemos usar uma sala reservada."

Olhei para a tela.

"Antes ou depois de apresentarem a sua receita?"

Ela apertou a bolsa.

"Você está insistindo numa interpretação muito injusta."

"Então vamos esclarecer."

Ao redor, duas conversas diminuíram de volume.

Teresa percebeu.

Aproximou-se mais, com o sorriso de volta.

"Há pessoas que não entendem como funciona um desenvolvimento empresarial. Você recebeu salário. Trabalhou com nossos insumos, nossa equipe, nossa estrutura."

"É por isso que eu não vim dizer que fiz tudo sozinha."

Abri minha pasta.

"Vim impedir que a senhora diga que fez."

Otávio puxou o ar pelo nariz.

"Não é necessário transformar isso num espetáculo."

Apontei discretamente para o palco, os refletores e a câmera preparada junto à primeira fila.

"Vocês já montaram um."

Helena se apresentou e pediu que qualquer proposta de acordo fosse encaminhada a ela.

Teresa olhou para a advogada como se sua presença fosse uma grosseria.

"Não há necessidade de envolver terceiros numa situação familiar."

"Marina não faz mais parte da sua família", disse Helena. "E a publicação da empresa trata de questões profissionais."

Ouvir aquilo em voz alta doeu.

Também abriu espaço.

A coordenadora do evento se aproximou, hesitante. Teresa mandou que prosseguisse com a programação.

Os convidados foram orientados a se sentar.

Escolhi uma cadeira na segunda fila. Dante sentou ao meu lado. Helena ficou na ponta, com acesso ao corredor.

Antes que a apresentação começasse, ele se inclinou apenas o suficiente para que eu o ouvisse.

"Quer água?"

Assenti.

Um gesto simples.

Eu precisava muito mais dele do que de uma ameaça sussurrada.

Teresa subiu ao palco sob aplausos.

Falou da expansão, dos novos parceiros e do cuidado da família com cada detalhe.

正文1

Quando mencionou a linha de panificação, sua voz ganhou emoção.

"São produtos que nasceram de muitas horas de dedicação pessoal."

Ergui a mão.

Ela me viu.

Continuou.

"Receitas que representam aquilo que acreditamos..."

Levantei.

"Teresa, a senhora poderia esclarecer de quem foram essas horas?"

O microfone chiou.

Otávio se ergueu no fundo do salão.

Teresa soltou uma risada curta.

"Marina é uma profissional muito querida que passou pela nossa equipe. Infelizmente, uma situação pessoal recente..."

"Não use meu noivado para responder sobre meu trabalho."

O silêncio se espalhou pelas fileiras.

Uma pessoa na primeira fila virou o celular.

Senti o rosto quente, mas não baixei a pasta.

"Vocês me convidaram publicamente. Publicaram uma nota insinuando que retirei documentos da empresa. Quero que expliquem quais."

Teresa olhou para a coordenadora.

"Podemos conversar depois."

"A senhora está falando do meu trabalho agora."

Um homem com um crachá de fornecedor pediu:

"Talvez seja melhor esclarecer antes de seguir."

Teresa segurou o microfone com as duas mãos.

Otávio chegou ao corredor lateral.

"Marina, você teve liberdade de criação. Ninguém está negando sua contribuição."

Abri a primeira página.

"Então esta mensagem não é um problema."

Li a data e o trecho em que Teresa me pedia a receita final.

Depois mostrei a aprovação de Otávio, enviada semanas antes da fotografia da campanha.

Havia uma sequência curta, preparada com Helena. Nada de despejar quatro anos de arquivos sobre estranhos.

Receita anterior ao contrato.

Testes documentados.

Pedidos de revisão.

Aprovação.

Fotografia.

Campanha.

Uma mulher ligada à agência responsável pelo lançamento se endireitou na cadeira.

"Nos disseram que eram receitas familiares", falou.

Teresa virou para ela.

"Com adaptações da equipe."

"Nas fotografias dos meus cadernos, as versões anteriores estão datadas", respondi. "Isso não resolve sozinho todas as questões sobre uso comercial. É o que estamos discutindo por meio da minha advogada. Mas resolve uma coisa: a senhora não criou estes pães."

Um dos representantes pegou o folheto colocado sobre a cadeira.

O nome de Teresa estava impresso.

Ele o fechou devagar.

Otávio se aproximou mais.

"Podemos corrigir os créditos."

Olhei para ele.

"Por escrito."

"Claro."

"E a nota que associa uma questão profissional ao fim do nosso relacionamento?"

"Foi um texto infeliz."

"A empresa vai corrigir?"

Ele hesitou.

Teresa respondeu antes:

"Se isso encerrar o constrangimento."

Helena se levantou.

"Vamos registrar a proposta. E precisamos da retirada imediata da atribuição de autoria nesta apresentação."

A coordenadora procurou Teresa com os olhos.

Ela não respondeu.

O homem do fornecedor cruzou os braços.

Por fim, Teresa fez um gesto brusco.

A tela apagou.

Quando voltou, exibia apenas o nome da linha de produtos.

Minha garganta apertou.

Não era tudo.

Mas era a primeira coisa que eles haviam sido obrigados a devolver diante de testemunhas.

Sentei por um instante.

Dante colocou o copo de água ao alcance da minha mão.

Não sorriu como se tivesse vencido por mim.

Esperou que eu bebesse.

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A coordenadora anunciou uma pausa.

As pessoas se levantaram, falando baixo. Uma jornalista veio até Helena. A mulher da agência pediu desculpas por não ter conferido a origem das receitas.

Eu ainda estava respondendo quando ouvi uma música conhecida.

Virei para a tela.

Uma fotografia minha com Otávio apareceu, tirada no dia em que ele me pedira em casamento.

Depois veio outra. Nosso primeiro apartamento. Uma viagem curta. Meu rosto sorrindo ao lado do dele.

Otávio estava no palco com o microfone.

"Eu gostaria de dizer uma coisa antes que tirem conclusões sobre a minha família."

O sangue abandonou minhas mãos.

Ele havia preparado aquilo.

Não sabia que eu traria Dante, mas sabia que tentaria me levar de volta a um papel em que eu chorasse, perdoasse ou parecesse cruel por não perdoar.

"Marina e eu construímos uma história", disse. "Eu cometi erros. Falei coisas que não deveria. Mas uma relação de quatro anos não merece terminar diante de uma disputa empresarial."

Duas pessoas olharam para mim.

Ele continuou:

"Eu nunca deixei de respeitar o talento dela."

Na tela, apareci usando um avental na cozinha do apartamento.

Otávio me abraçava por trás.

Lembrava daquela tarde.

Eu fizera pão para os pais dele.

"Marina, você sabe que nossa vida vale mais do que isto."

Dante se levantou.

Toquei seu braço.

Ele parou.

"Eu vou responder."

Fui até o corredor central.

Otávio estendeu a mão do palco.

Não a peguei.

"A nossa vida acabou quando você decidiu que eu não cabia nela."

"Eu estava sob pressão."

"Você olhou para a minha roupa e para o meu corpo. Disse que precisava de outra mulher."

"Não foi assim."

"Foi."

Ele virou para os convidados.

"Uma discussão privada pode parecer muito diferente quando é contada por alguém magoado."

Ouvi um movimento de cadeiras.

A velha vergonha tentou voltar.

Ele conhecia meu rosto, minhas pausas, o momento em que eu começava a duvidar da própria memória para acabar logo com uma briga.

Só que dessa vez eu não estava sozinha com ele.

E não dependia apenas da minha lembrança.

Helena veio até mim.

"Você quer prosseguir?"

"Quero."

A coordenadora olhou para o celular na minha mão.

"Há algum material?"

"Há uma gravação da noite da inauguração. O arquivo original foi preservado."

Otávio apertou o microfone.

"Você me gravou?"

"Não."

Vi o instante em que ele tentou calcular quem estava perto da cozinha naquele dia.

Teresa desceu um degrau do palco.

"Isso é um absurdo."

"A Paula estava gravando os pães para a divulgação", falei. "O telefone continuou funcionando quando ela saiu para atender um chamado."

Otávio olhou para a mãe.

Foi rápido.

Foi suficiente.

A coordenadora hesitou. Um dos parceiros pediu que o conteúdo fosse esclarecido, já que Otávio acabara de usar a apresentação para contestar minha versão.

Helena falou com ela em voz baixa. A imagem das nossas fotografias desapareceu.

No lugar, surgiu a bancada da área de serviço.

Uma assadeira de brioches.

A quina de uma caixa.

Nada que parecesse importante.

Otávio largou o microfone e começou a descer do palco.

"Marina, espera."

Teresa segurou a manga dele.

Ele se soltou.

Olhei uma última vez para o homem com quem eu teria me casado.

Depois apertei o botão.

A voz dele saiu pelos alto-falantes, clara o suficiente para alcançar a última fila.

"O casamento pode ser cancelado. A receita tem que ficar."

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