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"Ele Me Rejeitou. Os Filhos do Mafioso Me Escolheram." Parte 4 — Não Prometa o Que Não Pode Cumprir

正文开头

Parte 4 — Não Prometa o Que Não Pode Cumprir

"Se ele parar de pagar, você vai embora também?"

Bianca segurava a mochila do irmão contra o peito. O zíper que eu acabara de consertar desapareceu sob os dedos dela.

Puxei uma cadeira, mas não me sentei imediatamente.

"Posso ficar aqui um pouco?"

Ela deu de ombros.

Sentei de lado, deixando livre o caminho até a porta.

"Eu preciso receber pelo meu trabalho, Bianca. Tenho contas. Preciso guardar dinheiro. Seria mentira dizer que isso não importa."

O rosto dela se fechou.

"Então é a mesma coisa."

"Mas trabalhar aqui e gostar de vocês são coisas que podem acontecer juntas."

"Até aparecer um emprego melhor."

Eu poderia dizer que nunca iria embora. Seria fácil. Uma frase bonita, um abraço, a possibilidade de me sentir necessária.

Mas havia uma menina de onze anos esperando que eu mentisse.

"Não sei quanto tempo vou ficar", respondi. "Se algum dia eu decidir sair, vou conversar com vocês antes. Não vou sumir durante a noite."

"Todo mundo fala antes?"

"Deveria."

"Minha mãe não falou."

Meu peito apertou.

Bianca desviou os olhos, irritada consigo mesma por ter dito aquilo.

"Eu sei que não é a mesma coisa", acrescentou depressa. "Não sou burra."

"Eu não achei isso."

O silêncio durou até Bento gritar do corredor que Theo tinha escondido seu dinossauro.

Bianca se levantou imediatamente.

"Eu resolvo."

"Você pode terminar de arrumar suas coisas. Eu vou ver o que aconteceu."

Ela ficou entre a cadeira e a porta.

"Você não sabe onde ele guarda."

"Então vou precisar perguntar."

Quando cheguei ao corredor, descobri o dinossauro dentro de um tênis. Theo jurava que fora uma experiência para verificar se ele cabia.

Bento não considerava aquilo uma justificativa aceitável.

Devolvi o brinquedo e pedi que os dois escolhessem outro lugar para as experiências.

Ao olhar para trás, vi Bianca ainda parada à porta da cozinha.

Na manhã seguinte, preparei uma folha com desenhos simples para os horários das refeições. Rosa conferiu tudo comigo antes de colocarmos na geladeira.

Bento gostou da xícara desenhada.

Theo perguntou se poderia acrescentar uma caveira ao jantar.

Bianca corrigiu a hora do lanche.

"Na terça, a gente volta mais tarde."

Peguei a caneta e mudei.

Ela se aproximou para conferir se eu realmente havia escrito.

Ao longo da semana, descobri que Theo odiava pedaços de cebola, mas aceitava o mesmo tempero batido. Bento preferia pratos pequenos. Bianca não gostava que alguém colocasse comida para ela sem perguntar.

Também descobri que Dante raramente se sentava durante uma refeição inteira.

Atendia ligações no corredor. Recebia Rafael junto à porta. Voltava quando os filhos já estavam terminando.

Na quinta-feira, coloquei uma quarta cadeira na mesa da cozinha.

Ele olhou para ela.

"Tem algum problema com a sala de jantar?"

"Nenhum. As crianças pediram para comer aqui."

"E essa cadeira?"

"É uma cadeira."

Bento segurou a manga do pai.

正文1

"Você fica?"

Dante olhou para o celular.

Depois o deixou virado para baixo sobre a bancada.

Sentou.

Theo contou uma história sobre um colega que levara uma lagartixa de borracha para a escola. Bianca corrigiu três detalhes. Bento riu antes de entender a parte engraçada.

Eu estava recolhendo os pratos quando ouvi Dante perguntar ao filho:

"E você? O que fez hoje?"

Theo hesitou, como se não estivesse acostumado a receber aquela pergunta até o fim.

"Um desenho."

"Posso ver?"

O menino saiu correndo.

Dante me acompanhou com os olhos enquanto eu colocava as louças na pia.

"Você fez isso de propósito."

"Servi jantar."

"Marina."

Enxuguei as mãos.

"Ele não vai trazer um desenho para um homem que já está saindo pela porta."

Dante ficou em silêncio.

Pensei que havia ido longe demais.

Então ele puxou a cadeira de Theo para mais perto da sua.

Na tarde de sábado, testei biscoitos com os dois meninos. Bianca ficou lendo à mesa, fingindo não ouvir as discussões sobre qual cortador parecia um monstro.

Uma pequena porção de massa caiu perto da borda da assadeira. No forno, o pedaço queimou antes do restante.

Percebi o cheiro e me virei para desligar.

Atrás de mim, um banco tombou.

Theo estava no chão, encolhido entre a mesa e a parede.

"Não fecha", disse ele.

Desliguei o forno.

"Theo?"

"Não fecha a porta."

Rosa entrou ao ouvir o barulho.

Apontei para Bento, que começava a chorar, e ela o levou para o corredor. Bianca permaneceu imóvel, o livro aberto nas mãos.

Ajoelhei a uma distância que permitisse a Theo me ver.

"O forno está desligado. A porta da cozinha está aberta."

Ele puxava o ar depressa demais.

"Tem fumaça."

"Um pedaço de biscoito queimou. Já desliguei. Vou ficar aqui."

Dante apareceu antes que eu terminasse.

Deu um passo na direção do filho.

Theo cobriu a cabeça.

A mão de Dante parou no ar.

"Filho, sou eu."

Bianca largou o livro.

"Não pega nele agora."

A voz dela saiu firme, mas suas mãos tremiam.

Dante recuou.

Rosa voltou e indicou onde estava o telefone da profissional que acompanhava Theo. Enquanto ela ligava, mantivemos o espaço livre e a cozinha ventilada.

Não tentei convencer o menino de que nada havia acontecido.

Alguma coisa estava acontecendo para ele.

Apontei para o chão.

"Estou sentada aqui. Você não precisa vir até mim."

Depois de um tempo, Theo baixou uma das mãos.

Viu meu avental.

Olhou para a janela.

Quando finalmente conseguiu falar, pediu água.

Dante foi buscá-la. Voltou devagar, colocou o copo ao alcance do filho e sentou no piso também.

Theo encostou o ombro no braço dele.

Dante fechou os olhos.

Mais tarde, com as crianças acompanhadas por Rosa, comecei a limpar a assadeira.

Bianca apareceu na porta.

"Ele sente o cheiro e acha que está lá."

Parei de esfregar.

"Onde?"

Ela apertou a barra da blusa.

"No lugar onde a mamãe morreu."

正文2

Não fiz outra pergunta.

Bianca precisava escolher o que conseguia dizer.

"A gente estava numa sala separada. Ela foi falar com alguém. Depois apagaram as luzes. Tinha gente gritando."

A esponja escorregou da minha mão.

"Seu pai sabe que você lembra disso?"

"Sabe."

"Você não precisa me contar tudo hoje."

Ela olhou para a assadeira.

"Você vai parar de usar o forno?"

"Vou conversar com a Rosa e com quem acompanha vocês para organizar isso melhor. E vou avisar antes dos testes."

Bianca assentiu.

Antes de sair, pegou um pano e secou o copo que Theo usara.

Já passava das onze quando desci para beber água.

Dante estava na cozinha, sem paletó, diante da assadeira limpa.

"Ele dormiu?", perguntei.

"Agora."

Peguei um copo.

Dante passou o polegar pela borda da bancada.

"Há dez meses, eu recebo orientações de pessoas que sabem o que fazer. Tenho os telefones, os horários, os remédios quando são necessários."

Sua voz perdeu força.

"E hoje eu não consegui chegar perto do meu filho."

Deixei o copo na pia.

"Você chegou. Sentou com ele."

"Depois que minha filha precisou me mandar parar."

"Você ouviu."

Ele ergueu os olhos.

"Isso não deveria ser uma vitória."

"Talvez hoje seja."

Dante soltou uma respiração curta.

"Elisa conseguia perceber antes. Eu achava que teria tempo para aprender."

Era a primeira vez que eu ouvia o nome dela.

"Não sei como consertar isso", disse ele.

"Você não precisa fazer os seus filhos esquecerem a mãe."

"Eu sei."

"Precisa continuar aparecendo, mesmo quando não sabe o que dizer."

Ele olhou para minhas mãos sobre a bancada.

Havia uma mancha de chocolate perto do meu pulso.

Estendeu os dedos, mas parou antes de tocar.

"Você ficou depois de uma semana difícil."

"Eu disse que conversaria antes de ir embora."

O olhar dele subiu até meu rosto.

Por um instante, a cozinha pareceu pequena demais.

Peguei meu copo.

"Boa noite, Dante."

Foi a primeira vez que usei seu nome sem outra palavra na frente.

No domingo, Theo me chamou para ver um álbum. Bianca estava com ele na mesa, separando fotografias que tinham saído dos encaixes.

Sentei quando me ofereceram espaço.

Elisa aparecia numa praia, num aniversário, agachada para amarrar o tênis de Bento.

Depois veio uma fotografia tirada diante de um galpão.

Ela estava ao lado de Dante. Mais três homens sorriam atrás deles.

Reconheci um antes de entender por quê.

Álvaro Sampaio.

O pai de Otávio.

Bianca acompanhou meu olhar.

"Essa foi antes do incêndio", disse.

Virei a fotografia para a luz.

Atrás deles, acima do portão do galpão, estava o mesmo nome que eu vira durante quatro anos nos uniformes da empresa.

Sampaio.

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