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"Ele Me Rejeitou. Os Filhos do Mafioso Me Escolheram." Parte 3 — Eu Não Sou Sua Noiva

正文开头

Parte 3 — Eu Não Sou Sua Noiva

"Porque ainda não aprendeu a ouvir a palavra não."

Coloquei a faca de pão sobre a tábua.

O homem que trouxera a notícia esperou por uma ordem. Dante não desviou os olhos de mim.

"Você quer que ele seja mandado embora?"

"Quero falar com ele."

"Não precisa."

"Eu sei. Mas preciso deixar uma coisa clara."

Bianca desceu do banco.

"Você vai voltar?"

A pergunta interrompeu tudo.

Até aquele momento, eu pensara apenas em Otávio do outro lado do portão. Agora havia três crianças olhando para mim como se a resposta determinasse alguma coisa muito maior que um café da manhã.

"Vou conversar e volto para terminar aqui."

Bianca examinou meu rosto.

"Você está levando a bolsa."

Olhei para a alça no meu ombro.

Dentro estavam os documentos e os cadernos. Depois do que acontecera no supermercado, eu os carregava até para dormir.

Retirei o celular e deixei a bolsa sobre uma cadeira.

"Ela fica."

Dante fez um gesto para o homem.

"Rafael vai acompanhar."

"Sem ameaçar ninguém por minha causa."

Rafael olhou para o patrão.

Dante pegou o casaco pendurado junto à porta.

"Eu também vou."

Caminhamos pela entrada de pedra até uma área lateral do portão. Otávio estava além das grades, com uma camisa amassada sob o paletó.

Seu carro brilhava à beira da estrada.

Ao me ver, soltou uma risada curta de alívio.

"Graças a Deus. Você tem ideia do susto que me deu?"

Parei antes da faixa de segurança.

"Como me encontrou?"

"Podemos discutir isso depois."

"Agora."

Ele olhou para Rafael, depois para Dante.

A mudança foi imediata.

Otávio ajeitou o paletó.

"Senhor Bellandi. Não sabia que..."

Deixou a frase morrer.

Dante ficou ao meu lado, ligeiramente atrás.

"Marina fez uma pergunta."

Otávio engoliu em seco.

"Eu fui falar com a Celina. Ela não quis ajudar. Ontem uma pessoa da loja comentou que você estava na pousada da Lurdes. Fui até lá. Seu motorista estava saindo."

Sérgio.

Ele seguira o carro.

"Você me seguiu."

"Eu estava preocupado."

"Eu mandei não me procurar."

"Depois de tudo que aconteceu, você esperava que eu simplesmente deixasse você desaparecer?"

"Aconteceu o que você decidiu que aconteceria."

Otávio apoiou as mãos nas grades.

"Eu errei a maneira de falar."

"E o conteúdo?"

"Marina..."

"Você ainda acha que precisa de outra mulher para aparecer nas fotografias?"

Ele olhou para Dante outra vez.

"Não vou discutir nossa intimidade na frente de estranhos."

"Você escolheu terminar nosso noivado na frente de funcionários."

Rafael manteve a expressão neutra. Dante não fez qualquer movimento.

Pela primeira vez, Otávio não tinha uma sala onde me encurralar nem uma mãe pronta para interromper.

"Eu vim conversar", disse ele. "Nossa vida não pode acabar por causa de uma frase mal colocada."

"Acabou por uma decisão. A frase só me informou."

"Minha mãe também exagerou."

"Ela mandou imprimir uma mentira."

"A campanha já estava aprovada. Você sabe como funciona o marketing."

正文1

"Sei. Alguém escolheu um nome. E vocês escolheram o dela."

Ele soltou as grades.

"Está bem. Tiramos o nome. Colocamos o seu. Você volta, finaliza os produtos e depois conversamos com calma sobre nós."

Fiquei olhando para ele.

Ali estava.

Nem seis da manhã, depois de me seguir por quilômetros, e Otávio já me apresentava uma lista de tarefas.

"Quantos produtos ainda faltam?"

Ele hesitou.

"Não é por isso que estou aqui."

"Quantos?"

"Dois."

"E a equipe não conseguiu acertar?"

"O pão perdeu o padrão. A Teresa está pressionada. Há uma apresentação para os parceiros na segunda-feira."

"Então contratem alguém."

"Você conhece o processo."

"Conhecia o homem com quem ia me casar também. Pelo visto, posso aprender coisas novas."

Otávio esfregou o rosto.

"Você vai trocar a sua vida por isto?"

Seu olhar passou pelo portão, pelo segurança, por Dante.

Antes que eu respondesse, ele acrescentou:

"Você sabe com quem está se envolvendo?"

Dante não se mexeu.

Aquela imobilidade tornou o comentário mais feio.

"Estou numa entrevista de emprego", falei. "E você não tem mais direito de escolher onde eu trabalho."

"Eu continuo sendo seu noivo."

"Não."

Ele abriu a boca.

Falei antes.

"Não sou sua noiva. Não vou me casar com você. Não volto para o apartamento. Qualquer questão sobre meu trabalho deve ser enviada por escrito."

A expressão dele mudou. A preocupação deu lugar à irritação.

"Você está fazendo isso para me humilhar."

Lembrei da aliança sobre a taça. Da farinha que ele olhara como se fosse sujeira.

"Você não precisava vir até aqui para isso."

Virei-me.

Otávio chamou meu nome.

Continuei andando.

Só parei quando ele disse, rápido demais:

"Bellandi, eu não sabia que ela estava na sua casa."

Dante virou a cabeça.

"Agora sabe."

Otávio ficou branco.

Não era a reação de um homem apenas constrangido por uma conversa difícil.

Guardei aquela imagem.

No caminho de volta, minhas pernas começaram a tremer. Eu havia atravessado a conversa inteira sem chorar, mas o corpo parecia cobrar cada palavra.

Parei perto de um canteiro.

Dante também parou.

"Preciso de um minuto."

Ele fez um sinal para Rafael continuar.

Ficamos a alguns passos um do outro.

"Você não perguntou o que ele quis dizer", falei.

"Sobre mim?"

Assenti.

"Você vai perguntar quando quiser."

"Eu deveria ter medo?"

Dante demorou a responder.

"De algumas coisas ao redor da minha vida, sim."

A honestidade foi pior que uma mentira bem feita.

"Isso inclui trabalhar aqui?"

"Inclui saber que há regras de segurança. Inclui pessoas que não gostam de mim."

"E as crianças?"

Seu maxilar apertou.

"É por isso que as regras existem."

Respirei até a tontura diminuir.

"Não quero descobrir alguma condição escondida depois de aceitar."

"Então leia tudo. Faça perguntas. Leve a proposta para alguém de sua confiança."

"Você fala como se eu tivesse muitas opções."

"Você tem a opção de sair. Sérgio continua disponível."

Olhei para a casa.

Uma pequena figura estava junto à janela da cozinha.

正文2

Bianca.

"Por que a Celina parou de trabalhar para sua família?"

"Minha mãe morreu. Celina preferiu voltar para São Paulo."

"E por que continua sabendo de vocês?"

"Rosa telefona. As duas são amigas."

Era uma explicação simples. Depois da resposta evasiva de Celina, eu esperara algo mais sombrio.

Dante percebeu meu olhar.

"Minha casa já tem problemas suficientes. Não precisa inventar outros para entrar."

Quase sorri.

Quase.

Quando voltamos, Bento estava no mesmo banco, segurando a outra metade do pão.

"Você demorou."

"Eu sei. Desculpa."

"Ele levou você?"

"Não."

"Ele queria?"

"Queria."

O menino pensou um pouco.

"Mas você não queria."

"Isso."

Bento assentiu, satisfeito com uma lógica que Otávio parecia incapaz de entender.

Depois apontou para a cesta.

"Pode esquentar?"

Peguei o pão.

Bianca se afastou da janela sem dizer nada.

Passei a manhã conferindo a proposta com Rosa. Os horários seriam divididos entre o preparo das refeições e a organização da cozinha. As folgas ficaram definidas. As necessidades extraordinárias seriam combinadas, não presumidas.

Pedi uma cláusula permitindo trabalhos particulares fora do expediente, desde que não interferissem no serviço.

Rosa anotou.

Enviei o documento a Celina. Ela o mostrou a uma conhecida acostumada com contratos de trabalho. Recebi perguntas, pedi ajustes e esperei a versão corrigida.

Ninguém arrancou a caneta da minha mão para apressar a assinatura.

No começo da tarde, Dante voltou à cozinha.

"Decidiu?"

"Um período inicial. Se não funcionar para qualquer um dos lados, conversamos."

"Está escrito."

"Eu não vou substituir a mãe deles."

Ele baixou os olhos para o contrato.

"Não existe substituta."

A resposta saiu mais baixa do que o resto.

Assinei.

Dante assinou depois, devolveu minha cópia e deixou o envelope sobre a bancada. Dessa vez, peguei.

Não era um presente.

Era pagamento.

A diferença importava.

Quando ele saiu, telefonei para Lurdes e pedi que separasse minha bolsa. Depois avisei Celina que ficaria.

Ela não perguntou sobre Otávio.

Perguntou se eu havia almoçado.

À tarde, encontrei Bianca sentada à mesa, tentando fechar o zíper da mochila de Bento. Um dinossauro de plástico prendia o tecido.

"Posso?"

Ela me entregou a mochila.

Soltei o brinquedo e puxei o zíper sem forçar.

Bianca não foi embora.

"Ele falou que ia levar você."

"Eu ouvi."

"Meu pai pagou para você ficar?"

Olhei para ela.

"Seu pai me contratou para trabalhar."

"É a mesma coisa."

Coloquei a mochila sobre a mesa.

"Não é exatamente."

"Todo mundo gosta daqui quando recebe."

Havia uma raiva cuidadosa na voz dela. Raiva de quem aprendera a testar uma porta antes de encostar o peso.

Não quis responder depressa.

Bianca puxou a mochila para junto do corpo.

"Se ele parar de pagar, você vai embora também?"

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