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"As Chaves Que Ele Jogou no Chão" Capítulo 6 — Antes da Assinatura

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Capítulo 6 — Antes da Assinatura

Na manhã da votação, Lívia recebeu um novo aviso de cobrança.

Ela foi direto à reitoria, com o celular na mão. Helena leu a mensagem e chamou a responsável pela central de bolsas. A funcionária explicou que o sistema gerara os boletos automaticamente após o encerramento dos benefícios.

"Então suspenda a cobrança dos quinze processos em revisão", disse Helena.

"Preciso de autorização da mantenedora."

Caio assinou uma determinação para custear provisoriamente as matrículas com uma reserva da fundação destinada a emergências estudantis. Helena exigiu que o documento estabelecesse um prazo e não tratasse a medida como solução definitiva. Caio concordou: a cobertura valeria até a apuração dos repasses e a decisão individual sobre cada bolsa.

Lívia leu a autorização antes de falar.

"E os alunos que já pagaram?"

"A equipe vai identificar os casos", respondeu Caio. "Se houve cobrança indevida, o valor terá de ser restituído ou compensado. Isso também vai para a ata."

André recebeu a notícia enquanto se preparava para abandonar uma prova por falta de acesso ao sistema. Joana conseguiu entrar no laboratório naquela tarde. Eram vitórias pequenas diante do dinheiro que ainda faltava, mas nenhum dos três precisaria escolher, naquele dia, entre pagar uma mensalidade impossível e sair do curso.

"Agora eu posso entrar na reunião sem pedir que você me salve", Lívia disse a Caio.

"Você nunca pediu."

"Ontem quase precisei."

Ela guardou o celular e foi encontrar os outros estudantes.

Na sala da comissão, Helena, o conselheiro independente e uma advogada da fundação examinavam a ordem 3187. O relatório da Integra Campus afirmava que os atendimentos haviam sido concluídos em 14 de agosto. A segunda parcela, porém, fora autorizada em 19 de julho.

"Pagamento antecipado?", perguntou a advogada.

"Não é assim que o contrato descreve essa parcela", respondeu Helena. "Ela depende da entrega e validação do relatório mensal."

"Pode haver um aditivo", disse o conselheiro.

A advogada procurou na pasta. Não havia aditivo relativo àquela ordem.

Caio pediu que a comissão identificasse a pessoa vinculada à autorização. O sistema mostrava um código funcional, mas a consulta nominal exigia acesso ao registro de assinaturas. Sérgio foi chamado para fornecê-lo.

Ele chegou com olheiras e uma pilha de impressões.

"Consegui os anexos bancários", disse. "A conta de destino está em nome da Integra Campus, como consta no contrato. Também encontrei o cadastro usado quando a empresa foi aprovada."

A advogada começou a comparar as páginas. Caio não tirou conclusões enquanto ela lia. Sabia que um pagamento para a empresa contratada, por si só, não explicava quem controlava a empresa nem por que os atendimentos eram contestados.

Sérgio apontou para uma linha do cadastro.

"A composição societária foi atualizada depois da contratação. O arquivo novo não estava junto do contrato."

"Quem anexou?", perguntou Helena.

"Recebi hoje do setor de conformidade, depois da solicitação da comissão."

A advogada pediu uma verificação direta no cadastro oficial antes de usar aquela informação na reunião. Sérgio saiu para providenciá-la. Faltava menos de uma hora para a votação.

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No corredor, Augusto conversava com dois conselheiros. Ao ver Caio, interrompeu a frase.

"Soube que cobriu as mensalidades com dinheiro da fundação", disse. "Generoso, sobretudo quando a decisão pode aparecer nos jornais."

"A reserva permite cobertura temporária. A cobrança seria imediata para os estudantes."

"Você criou um compromisso financeiro antes de sabermos se as bolsas eram devidas."

"Os termos de renovação constam nos processos. A medida temporária também será examinada pelo conselho."

Augusto sorriu de leve.

"Pelo menos concordamos em alguma coisa."

Tomás apareceu atrás do pai. Trazia uma pasta com cópias da pauta. Evitou olhar para Caio, mas parou quando Lívia atravessou o corredor com André e Joana.

"Você sabia que nossas bolsas seriam canceladas antes de recebermos o aviso", disse ela.

Tomás lançou um olhar rápido a Augusto.

"Eu sabia que haveria revisão. Meu pai me pediu para comunicar problemas que chegassem aos estudantes."

"Seu protocolo foi aberto antes de qualquer aviso."

"Justamente para preparar o atendimento."

Era uma explicação possível. Lívia não a aceitou, mas Caio também não fingiu que aquela frase, sozinha, provava mais do que o registro mostrava.

"Então você vai poder dizer isso à comissão", disse ele.

Augusto pôs a mão no ombro do filho e o conduziu para dentro da sala.

A reunião começou ao meio-dia. Augusto apresentou o acordo com a Integra Campus como uma medida necessária para não interromper o apoio a alunos em dificuldade. Mostrou uma tabela de atendimentos, lembrou os anos de parceria e criticou o adiamento da cerimônia de posse.

"Uma universidade não pode parar porque seu novo dirigente chegou disposto a suspeitar de todos", concluiu.

Caio pediu a palavra. Primeiro apresentou a decisão de manter provisoriamente as quinze matrículas e os fundamentos usados. O conselho aprovou a cobertura por prazo limitado, sujeita à revisão da comissão. Augusto votou contra; dois conselheiros que o haviam apoiado na restrição de acesso votaram a favor dos estudantes.

Lívia apertou a mão de Joana sob a mesa.

Em seguida, Caio mostrou as contestações autorizadas por seis bolsistas. Cada uma se referia ao próprio atendimento supostamente realizado pela Integra Campus. As datas e circunstâncias variavam; nenhuma fora preparada como cópia da outra.

"Seis pessoas dizem que não receberam os serviços registrados", Caio falou. "Outras ainda estão conferindo seus processos. Antes de renovar o contrato, precisamos que a empresa apresente os comprovantes de cada atendimento."

Augusto pediu que a votação prosseguisse.

"Há um procedimento para contestar relatórios. Podemos fazê-lo sem deixar esses alunos sem apoio."

"E podemos manter as matrículas enquanto examinamos o contrato", respondeu Helena. "Foi o que acabamos de aprovar."

O conselheiro independente propôs suspender a deliberação sobre a renovação por vinte e quatro horas. Augusto contestou a proposta. A secretária contou os votos: a suspensão foi aprovada por uma margem estreita.

Tomás se inclinou para falar ao ouvido do pai. Augusto não pareceu preocupado.

"Um dia não muda a natureza dos documentos", disse. "Espero que, depois de examiná-los, o conselho encerre essa disputa."

Caio recebeu uma mensagem da advogada sentada à sua direita. A confirmação solicitada por Sérgio chegara durante a votação. Ela lhe mostrou a tela e depois entregou à secretária a via impressa, para registro.

Caio leu a primeira página. A atualização societária não trazia apenas um nome novo. Trazia a data exata em que o controle da Integra Campus mudara de mãos: três semanas antes do primeiro lote de bolsas ser encerrado.

Ele se levantou.

"Concordo que os documentos devem falar por si", disse a Augusto. "Por isso peço que esta página seja exibida e anexada à ata antes de terminarmos."

Augusto franziu a testa.

"Que página?"

"A identificação atual de quem controla a empresa que recebeu os pagamentos."

A secretária conectou o arquivo ao projetor. Na tela apareceu o nome

Integra Campus Serviços Educacionais

. Abaixo dele, o quadro de controle societário começou a carregar.

Tomás deixou a caneta cair sobre a mesa.

Caio olhou para Augusto, que já não sorria.

"Agora podemos conferir a quem o senhor propôs entregar o próximo contrato."

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