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"As Chaves Que Ele Jogou no Chão" Capítulo 2 — O Nome na Lista

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Capítulo 2 — O Nome na Lista

A assistente da reitora ainda mantinha o registro aberto quando o telefone de Helena começou a vibrar. Na tela aparecia o nome de Augusto Brandão.

Helena silenciou a chamada.

"Vamos conversar na minha sala."

"Ela vem junto", disse Caio, indicando Lívia.

Helena olhou para a estudante.

"Estamos falando de informações financeiras internas."

"Estamos falando da minha matrícula", Lívia respondeu. "Posso esperar do lado de fora enquanto vocês decidem, mas já fiz isso a manhã inteira."

Caio segurou a porta de vidro para ela passar.

Na sala da reitoria, Helena pediu café. Lívia recusou. Sentou-se com a pasta sobre os joelhos e espalhou na mesa três documentos: o termo de renovação da bolsa, uma declaração de matrícula emitida na semana anterior e o boleto recebido naquela manhã.

"Tenho desconto integral desde o primeiro semestre", explicou. "Não fiquei de recuperação, entreguei os comprovantes no prazo e participei das atividades exigidas. Ontem me disseram por telefone que estava tudo certo."

"Quem ligou?" Caio perguntou.

"Eu liguei. Falei com uma pessoa chamada Renata, da central de bolsas."

Caio anotou o nome. A assistente conectou o notebook à tela da sala e abriu o histórico do processo.

O primeiro registro confirmava a renovação de Lívia. Dois dias depois, aparecia uma ordem de repasse. Às oito e quarenta e sete da noite anterior, alguém inserira uma ocorrência:

benefício encerrado por reclassificação de elegibilidade

.

"Reclassificação com base em quê?" perguntou Lívia.

A assistente abriu o campo. Estava vazio.

Helena levou a mão à testa.

"Talvez tenham lançado a justificativa em outro módulo."

"Encontre", disse Caio.

Antes que a assistente pudesse responder, bateram à porta. Tomás entrou sem esperar convite. Tinha as chaves na mão e um sorriso cuidadosamente recomposto.

"Meu pai está tentando falar com você", disse a Helena. "A cerimônia tem investidores convidados."

"Eu vi a ligação."

Tomás notou Lívia e os documentos sobre a mesa.

"Ah. É por causa da bolsa dela?"

Lívia se endireitou.

"Você sabe quem eu sou?"

"Vi a discussão lá fora."

Caio observou a rapidez da resposta.

"Você não ouviu o nome dela no pátio", disse.

Tomás deu de ombros.

"Na universidade, as pessoas conversam."

"E sobre quantas bolsas canceladas elas estão conversando?"

Helena se virou para ele.

"Tomás, esta é uma reunião administrativa. Preciso que saia."

"Meu pai integra o conselho."

"Seu pai não foi convidado para esta sala", respondeu Caio.

Tomás sustentou seu olhar por alguns segundos. Depois guardou as chaves no bolso.

"Você chegou hoje e já resolveu procurar um culpado. Vai descobrir que administrar uma universidade é mais complicado do que posar de herói no pátio."

"Sei disso", disse Caio. "Por isso estou pedindo os registros."

Tomás saiu, fechando a porta com força.

A assistente encontrou uma lista ligada à ordem de repasse. Havia vinte e três estudantes. O nome de Lívia era o oitavo. Quinze processos traziam a mesma anotação de encerramento, inserida em poucos minutos, por uma conta de acesso do comitê.

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"Essas quinze pessoas receberam boleto?" Caio perguntou.

"Não sei."

"Precisamos saber antes do fim do dia."

Helena olhou o relógio. Faltava menos de uma hora para a cerimônia prevista.

"Posso mandar a central revisar cada caso. Não precisamos transformar uma inconsistência em acusação pública."

"Concordo", disse Caio. "Ainda não sabemos o que aconteceu. Mas também não vamos assinar o relatório de execução do programa enquanto os números não fecharem."

Lívia ergueu a cabeça.

"Se eu não pagar hoje, perco meu acesso às aulas práticas amanhã."

Caio pediu à assistente o regulamento acadêmico e a confirmação escrita do prazo. Enquanto ela procurava, perguntou a Lívia se autorizava a universidade a verificar seu processo com ela presente. Lívia consentiu.

Helena conseguiu emitir uma suspensão temporária da cobrança e uma declaração de que a matrícula de Lívia permaneceria ativa durante a revisão. Assinou as duas e as entregou à estudante.

Lívia leu cada linha antes de guardar os papéis.

"Isso me dá tempo", disse. "Não resolve a bolsa."

"Eu sei", respondeu Caio.

Ela o estudou por um instante.

"Você veio mesmo de bicicleta ou foi só para surpreender as pessoas?"

"Vim de bicicleta. É a que meu pai usava."

A resposta pareceu desarmá-la, mas só por um segundo.

"Ele fundou o programa que paga a minha bolsa", disse ela. "Eu conheço o nome dele. Agora quero saber se você vai descobrir o que fizeram com ela."

"Vou começar pelas outras catorze pessoas."

Caio pediu que a assistente preservasse uma cópia do histórico, com data e identificação do acesso, e solicitou formalmente ao setor financeiro a documentação do repasse. Não levou para si dados de outros estudantes; pediu que fossem contatados pela equipe responsável, com autorização para eventual conversa.

Quando saiu da sala, encontrou o corredor cheio de convidados aguardando a cerimônia. Helena anunciou o adiamento por uma revisão administrativa urgente. Houve murmúrios e mensagens enviadas às pressas.

O celular de Caio vibrou. Era um número desconhecido.

Seu show no pátio já está circulando.

Ele abriu o vídeo. Começava no momento em que Tomás recolhia as chaves do chão. A legenda afirmava que o novo presidente da fundação obrigara um aluno a se ajoelhar diante dele.

O trecho anterior, em que Tomás jogara as chaves, não aparecia.

Lívia, parada a seu lado, assistiu por cima do ombro.

"Foi ao contrário", disse.

"Foi."

O contador de visualizações subiu enquanto olhavam. Nos comentários, pessoas exigiam uma explicação da universidade. Outras afirmavam que Caio usaria o cargo para punir Tomás.

Helena aproximou-se.

"Precisamos divulgar uma nota."

"Primeiro, guardem o link e o arquivo como foram publicados. Depois, uma nota curta: a universidade está verificando os fatos e preservando os registros. Nada sobre a bolsa de Lívia."

A assistente assentiu e se afastou.

Caio abriu a lista de contas que haviam compartilhado o vídeo. A primeira publicação saíra de uma página estudantil administrada por Bianca Prado, a garota que estivera ao lado de Tomás.

"Você a conhece?" perguntou a Lívia.

"De vista. Ela grava quase tudo no campus."

No fim do corredor, Bianca apareceu com o celular na mão. Olhou para Caio, viu o vídeo na tela dele e mudou de direção.

Caio foi atrás, sem correr.

"Bianca. Preciso falar com você."

Ela parou diante da porta de emergência. Seus olhos se moveram para Lívia e depois para os dois seguranças próximos à escadaria.

"Se for sobre a postagem, alguém me mandou o arquivo", disse.

"Eu vi você gravando no pátio."

Bianca apertou o celular contra o corpo.

"Então sabe que havia mais gente filmando."

"Se tiver o começo da cena, quero ver. Você pode guardar o original. Só preciso saber se existe."

Bianca não respondeu imediatamente. Na tela de seu aparelho, uma nova mensagem acendeu. Ela leu e perdeu a cor.

"Existe", disse por fim. "Mas o começo não é a parte que vai deixar Tomás em apuros."

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