localização atual: Novela Mágica A Menina na Janela da Casa Abandonada Capítulo 4 — Ela Tem o Rosto de Marina
标题上

"A Menina na Janela da Casa Abandonada" Capítulo 4 — Ela Tem o Rosto de Marina

正文开头

Eduardo atravessou a rua sem olhar para os carros.

“Eduardo!”

Lívia correu atrás.

Ele empurrou o portão do casarão.

“Marina!”

A menina desapareceu da janela.

“Espera!”

Eduardo entrou na casa.

Lívia mal conseguiu acompanhá-lo.

Ele subiu os degraus de dois em dois.

“Marina!”

“Ela não é Marina!”

“Eu sei!”

Mas a maneira como gritava dizia o contrário.

Chegaram ao corredor.

Uma sombra pequena passou no final.

“Ei!”

Eduardo correu.

A menina entrou em um quarto.

Ele chegou segundos depois.

A porta estava aberta.

Vazio.

A janela também.

“Meu Deus.”

Lívia olhou para baixo.

“Ela não pulou.”

Havia um pequeno telhado lateral sob a janela.

Marcas de pés molhados atravessavam as telhas.

“Ela saiu por aqui.”

Eduardo se inclinou.

“Não.”

“Eduardo, não!”

Ele já estava passando pela janela.

Lívia segurou seu braço.

“Você vai cair.”

“Ela está lá fora.”

“E nós vamos encontrar outro caminho.”

Eduardo olhou para ela.

O desespero em seu rosto era quase infantil.

“Eu preciso saber.”

“E vai saber. Mas não quebrando o pescoço.”

Eles desceram.

Correram pelo quintal.

Nada.

A chuva aumentava.

Eduardo gritou:

“Ei!”

Silêncio.

“Eu sou o Dudu!”

Lívia virou para ele.

Eduardo continuou.

“Você estava procurando por mim?”

Nenhuma resposta.

“Eu estou aqui!”

Um barulho veio de trás de uma pequena construção no fundo.

Eduardo correu.

Encontraram apenas uma porta entreaberta.

Dentro havia um colchão.

Cobertores.

Garrafas de água.

Pacotes de biscoito.

Roupas infantis.

E medicamentos.

Lívia pegou uma caixa.

“Isso é recente.”

Eduardo tocou o colchão.

“Ela está dormindo aqui.”

“Não sozinha.”

Ele olhou para ela.

“Alguém está cuidando dessa menina.”

A polícia voltou naquela noite.

Dessa vez, a situação era diferente.

Havia provas de ocupação recente.

O caso chegou ao delegado Renato Alves.

Quarenta e cinco anos, voz calma, olhar atento.

Ele caminhou pelo quarto improvisado.

“Não encontramos documento.”

“E a menina?”

“Estamos procurando.”

“Ela não pode ter ido longe”, disse Lívia.

Renato observou a janela.

“Criança assustada encontra lugares onde adulto nem pensa em procurar.”

Eduardo mostrou a fotografia antiga.

“Ela se parece com minha irmã.”

Renato comparou.

“Quando essa foto foi tirada?”

“Vinte e três anos atrás.”

“E onde está sua irmã hoje?”

Eduardo demorou.

“Desapareceu.”

“Corpo encontrado?”

“Não.”

Renato levantou os olhos.

“Então juridicamente estamos falando de uma pessoa desaparecida.”

“Minha família a declarou morta anos depois.”

“Entendo.”

“Você não entende.”

Renato não reagiu ao tom.

“Então me ajude.”

Eduardo permaneceu calado.

O delegado fechou o caderno.

“Quanto mais informação você esconder, mais difícil vai ser descobrir quem é essa criança.”

A frase atingiu Eduardo.

Lívia percebeu.

“Eu conto.”

Eduardo olhou para ela.

“Lívia.”

“Chega de esconder.”

Ela contou tudo.

O coelho.

Dudu.

Marina.

A enchente.

A semelhança.

Quando terminou, Renato guardou as fotografias digitalizadas.

“Vou levantar o caso antigo.”

Eduardo ficou tenso.

“Não.”

“Como?”

“Não precisa.”

Lívia encarou o marido.

“Claro que precisa.”

“Eu só quero encontrar a menina.”

Renato respondeu:

“Talvez uma coisa leve à outra.”

正文1

Pouco depois, eles voltaram para casa.

Eduardo estava molhado e exausto.

Lívia colocou uma toalha sobre os ombros dele.

“Você precisa ligar para sua mãe.”

Ele imediatamente recusou.

“Não.”

“Ela precisa saber.”

“Minha mãe não vai ajudar.”

“Como sabe?”

“Porque ela nunca ajudou.”

Lívia sentou diante dele.

“Eduardo, uma menina com o rosto da sua irmã está escondida na casa onde ela desapareceu.”

“Eu sei.”

“Se sua mãe sabe alguma coisa…”

“Ela não fala sobre Marina.”

“Então chegou a hora.”

Eduardo permaneceu em silêncio.

Lívia pegou o celular dele.

“Qual é o número?”

Ele tomou o aparelho de volta.

“Eu ligo.”

Beatriz atendeu no terceiro toque.

“Eduardo?”

“Oi, mãe.”

“Você está bem? Vi as notícias sobre a chuva.”

“Preciso perguntar uma coisa.”

Pausa.

“Sobre Marina.”

O silêncio do outro lado mudou.

Lívia percebeu mesmo sem ouvir Beatriz.

“Mãe?”

“Por que você está falando dela?”

“Uma menina apareceu na casa.”

“Que casa?”

“A nossa.”

Outra pausa.

“Eduardo, saia daí.”

Ele franziu a testa.

“Como?”

“Você entrou naquela casa?”

“Sim.”

“Meu Deus.”

“Mãe, escuta…”

“Vá embora.”

“Tem uma menina aqui.”

“Não existe menina nenhuma.”

Eduardo e Lívia trocaram um olhar.

“Você nem perguntou como ela é.”

Beatriz ficou muda.

Eduardo se levantou.

“Mãe?”

“Você está cansado.”

“Ela me chamou de Dudu.”

A respiração de Beatriz mudou.

“Quem?”

“A menina.”

Nada.

“E ela tem o rosto da Marina.”

A ligação terminou.

Beatriz desligara.

Eduardo olhou para o telefone.

“Ela sabia.”

“Sabia o quê?”

“Não sei.”

Vinte e cinco minutos depois, um carro preto parou diante da casa.

Lívia viu pela janela.

Beatriz Ferraz saiu antes mesmo de o motorista abrir um guarda-chuva.

Aos sessenta e três anos, ainda carregava a mesma elegância rígida das fotografias antigas.

Entrou sem cumprimentar Lívia.

“Cadê Eduardo?”

“Na sala.”

Beatriz passou por ela.

“Você enlouqueceu?”

Eduardo se levantou.

“Boa noite para você também.”

“Por que entrou naquela casa?”

“Porque havia uma criança lá.”

“Você deveria ter chamado a polícia.”

“Chamamos.”

Beatriz parou.

“Vocês fizeram o quê?”

“O delegado está reabrindo o caso da Marina.”

O rosto dela perdeu a cor.

“Não.”

Eduardo franziu a testa.

“Não?”

“Você vai ligar para ele e dizer que houve um engano.”

“Por quê?”

“Porque eu estou pedindo.”

“Não sou mais uma criança.”

Beatriz fechou os olhos por um instante.

“Você não sabe o que está fazendo.”

Lívia colocou sobre a mesa a fotografia que tirara da menina.

“Então explique.”

Beatriz olhou para ela.

“Isso é assunto de família.”

“Eu sou a esposa dele.”

“Não estava falando de você.”

Lívia quase respondeu, mas Eduardo pegou a foto.

“Mãe.”

Ele entregou.

“Olha.”

Beatriz hesitou.

“Não quero.”

“Olha.”

“Eduardo…”

“Olha para ela!”

A voz dele fez Beatriz pegar a fotografia.

No instante em que viu o rosto da menina, algo aconteceu.

O controle desapareceu.

Os dedos começaram a tremer.

A fotografia caiu no chão.

Beatriz deu um passo para trás.

“Não.”

Eduardo se aproximou.

“Você conhece essa menina?”

正文2

“Não.”

“Mentira.”

“Eu nunca vi essa criança.”

“Então por que está tremendo?”

“Porque você está fazendo tudo voltar.”

“O quê?”

Beatriz levou a mão ao peito.

“Coisas que deveriam ter ficado enterradas.”

Lívia se abaixou e pegou a foto.

“Marina?”

Beatriz olhou para ela com raiva.

“Não diga esse nome.”

“Por quê?”

“Porque minha filha morreu.”

Eduardo falou baixo:

“Você não sabe disso.”

A mãe virou lentamente.

“Como?”

“Não encontraram o corpo.”

“Eduardo…”

“Você estava lá. Papai estava lá. Eu estava lá. Mas ninguém viu Marina morrer.”

Beatriz empalideceu.

“Pare.”

“Então me diz o que aconteceu.”

“Pare.”

“Por que ela saiu de casa?”

“Chega!”

“Por que uma menina está me chamando de Dudu?”

Beatriz bateu as mãos na mesa.

“PORQUE VOCÊ NÃO DEVERIA TER VOLTADO PARA ESSA CASA!”

O silêncio caiu.

Eduardo ficou imóvel.

Lívia também.

Beatriz percebeu o que dissera.

Tarde demais.

“Voltar?”

Eduardo falou devagar.

“Eu nunca te contei que tinha entrado naquela casa antes.”

Beatriz respirou fundo.

“Eu quis dizer hoje.”

“Não.”

Ele se aproximou.

“Você falou como se isso já tivesse acontecido.”

“Você está confuso.”

“Eu não estou.”

Beatriz pegou a bolsa.

“Vou embora.”

Eduardo bloqueou a passagem.

“Quem é a menina?”

“Saia da minha frente.”

“Quem é ela?”

“Eu não sei.”

“Então por que você tem medo dela?”

Beatriz levantou os olhos.

Por um segundo, parecia prestes a contar tudo.

Mas desistiu.

“Esqueçam essa menina.”

Lívia soltou uma risada sem humor.

“Tem uma criança sozinha numa casa abandonada.”

“Ela não é problema de vocês.”

Eduardo encarou a mãe.

“Se ela tiver alguma coisa a ver com Marina, é problema meu.”

Beatriz apertou os lábios.

“Principalmente se tiver.”

Ela passou por ele.

Antes de chegar à porta, virou-se.

“Não procurem a menina.”

Ninguém respondeu.

“E não procurem respostas sobre aquela noite.”

Eduardo ficou parado.

“Por quê?”

Beatriz abriu a porta.

A chuva soprava para dentro.

Ela olhou para o filho.

Havia medo em seu rosto.

Não raiva.

Medo.

“Porque algumas pessoas sobreviveram justamente porque vocês acreditaram que Marina morreu.”

A porta se fechou.

Eduardo ficou sem reação.

Lívia sentiu um frio atravessar o corpo.

“Ela disse ‘sobreviveram’.”

Eduardo olhou para a porta.

“Eu ouvi.”

Naquela mesma noite, quando Beatriz já havia ido embora, o celular de Lívia tocou.

Era um número desconhecido.

Ela atendeu imediatamente.

“Alô?”

Uma mulher idosa respirava do outro lado.

“É a esposa do Eduardo Ferraz?”

“Quem está falando?”

“Meu nome é Célia Ribeiro.”

Lívia ficou em silêncio.

“Eu trabalhei naquela casa.”

“Quando?”

“Quando Eduardo e Marina eram crianças.”

Lívia olhou para o marido.

Eduardo percebeu que algo estava errado.

“Quem é?”

Lívia colocou no viva-voz.

“Dona Célia?”

A mulher respirou fundo.

“Eu soube que vocês voltaram a perguntar sobre aquela noite.”

Eduardo se aproximou.

“Célia?”

Houve um soluço abafado.

“Meu Deus… Dudu.”

Eduardo empalideceu.

“Você sabe o que aconteceu com minha irmã?”

Do outro lado, a mulher ficou em silêncio por alguns segundos.

Então respondeu:

“Sei.”

Eduardo segurou a borda da mesa.

“Ela morreu na enchente?”

Dona Célia começou a chorar.

“Não.”

Lívia sentiu o coração disparar.

Eduardo mal conseguiu falar.

“O quê?”

A resposta veio clara.

“Marina não desapareceu naquela enchente.”

Eduardo fechou os olhos.

“Então onde ela estava?”

Dona Célia respirou fundo.

“Três dias depois da noite em que sua família disse que Marina tinha sido levada pela água…”

Ela parou.

“…eu estava ao lado dela em um hospital.”

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部