"O Filho do Chefe da Máfia Atacou 18 Babás… Até Uma Empregada Descobrir Por Que Ele Gritava" Capítulo 4 — As Vitaminas de Theo
Às seis da manhã, a mansão estava trancada por dentro.
Dante cancelou turnos, recolheu celulares corporativos e proibiu qualquer funcionário de sair antes de ser interrogado. Ninguém protestou.
O alto-falante, o transmissor e o frasco âmbar foram colocados sobre a mesa da biblioteca.
“Quero o nome de todos que conheciam a passagem”, ordenou Dante.
Bruno abriu as plantas antigas da propriedade.
“A ala foi construída pelo seu avô. A passagem ligava os quartos ao abrigo subterrâneo e à garagem antiga. Depois da reforma, a entrada deveria ter sido lacrada.”
“Deveria?”
“A obra foi supervisionada pela Vértice Engenharia.”
Dante ergueu os olhos.
A Vértice pertencia a Augusto Montenegro.
“Isso não prova que meu tio sabia do túnel.”
“Prova que teve acesso às plantas”, disse Lívia.
Ela estava em pé junto à janela, pressionando discretamente as costelas. O hematoma havia escurecido durante a noite.
Dante percebeu.
“Você vai ao hospital.”
“Depois de sabermos o que deram ao Theo.”
“Não foi um pedido.”
“Então pratique até conseguir fazer um.”
Bruno baixou o rosto para esconder a reação. Dante caminhou até Lívia, mas parou antes de invadir seu espaço.
“Por favor, faça uma radiografia.”
Ela sustentou o olhar por um momento.
“Assim que a amostra sair para análise.”
O acordo foi cumprido. Um laboratório particular recolheu o frasco sob registro de vídeo, e uma médica independente examinou Theo. A nova profissional, doutora Elisa Rocha, não usava perfume, mostrou as mãos antes de se aproximar e permitiu que Lívia permanecesse no consultório.
“Não há indicação clínica para sedação diária”, afirmou após revisar os exames. “Muito menos sem controle de dose e sem identificação no rótulo.”
“Pode ter causado as crises?”, perguntou Dante.
“Pode ter alterado sono, memória e ansiedade. Mas preciso saber qual substância é.”
Theo desenhava enquanto os adultos conversavam. Dessa vez, fez três círculos: um pequeno, um médio e um grande. Ligou o pequeno a Lívia e deixou o grande separado.
Dante viu, mas não perguntou.
No hospital, a radiografia mostrou que Lívia não quebrara nenhuma costela. Recebeu analgésico, recomendações de repouso e uma ligação da equipe de Caíque.
O garoto tivera uma arritmia durante a madrugada.
Lívia chegou ao quarto dele ainda usando o uniforme vinho. Caíque sorriu ao vê-la e imediatamente franziu a testa.
“Você está andando torto.”
“Bati numa mesa.”
“A mesa tinha quatro anos e jogou uma estátua em você?”
Ela ficou em silêncio.
“Um segurança ligou perguntando sobre meus exames”, explicou Caíque. “Não sou tão distraído.”
Lívia sentou-se ao lado da cama.
“O menino está sofrendo. Alguém está fazendo isso de propósito.”
“E o chefe da máfia?”
“Está descobrindo que dinheiro e homens armados não impedem uma pessoa de entrar no quarto do filho.”
Caíque pegou a mão dela.
“Não fique por minha causa se for perigoso.”
“Estou ficando porque ele pediu ajuda sem saber pedir.”
Dante esperava no corredor. Não entrara no quarto nem se apresentara a Caíque. Quando Lívia saiu, entregou a ela um cartão com o nome de uma cardiologista.
“A doutora não trabalha para mim. Dona Celina conseguiu a indicação.”
“O senhor verificou quanto ela cobra?”
“Sim.”
“E vai tentar pagar escondido?”
“Não. O hospital possui um fundo para casos urgentes. Meu grupo fará uma doação geral, sem vincular ao nome do seu irmão. A equipe médica decidirá os pacientes.”
Lívia leu o cartão. Era a primeira vez que Dante oferecia ajuda sem transformá-la em dívida.
“Obrigada.”
Ele assentiu, como se a palavra fosse mais difícil de receber que uma ameaça.
Quando voltaram à mansão, Bruno os aguardava com o resultado preliminar do laboratório.
O frasco continha um anti-histamínico sedativo em concentração elevada, misturado a um fitoterápico. A combinação não explicava todos os sintomas de Theo, mas podia mantê-lo confuso e vulnerável durante a noite.
“Quem entregava as gotas?”, perguntou Dante.
“A doutora Mirela trazia os frascos lacrados”, respondeu Dona Celina. “Eu administrava porque confiava na prescrição.”
A governanta parecia prestes a desabar.
“Eu dei isso a ele.”
“A senhora não sabia”, disse Lívia.
“Mas devia ter perguntado.”
Dante não a puniu. Ordenou que todas as substâncias fossem recolhidas e enviou uma cópia do laudo ao conselho de medicina.
Mirela não atendeu às ligações.
Quarenta minutos depois, enviou uma mensagem a Dante. Afirmava que viajara para Campinas por uma emergência familiar e acusava Lívia de provocar paranoia dentro da casa.
Em seguida, anexou uma recomendação formal para internar Theo por pelo menos noventa dias numa clínica fechada em Atibaia.
“Ela escreveu isso hoje?”, perguntou Lívia.
“O arquivo foi criado há três semanas”, informou Bruno.
A data era anterior à chegada da décima oitava babá. Mirela já preparava a internação antes do último fracasso.
Dante leu o nome da clínica. O imóvel pertencia a um fundo administrado pela Vértice Engenharia.
“Augusto recomendou esse lugar depois da primeira crise”, disse ele.
“Se Theo fosse internado, quem tomaria decisões em nome dele?”, perguntou Lívia.
Dante não respondeu de imediato.
Bianca deixara trinta e cinco por cento das ações legais do grupo para o filho. Enquanto Theo fosse menor, Dante exercia a representação. Caso fosse declarado incapaz e Dante considerado conflito de interesse, o estatuto apontava um tutor substituto.
Augusto Montenegro.
“Isso não é apenas sobre esconder o que Theo viu”, concluiu Lívia. “Alguém precisa que ele pareça doente demais para permanecer com o senhor.”
Dante fechou a mensagem. Pela primeira vez, a ameaça não parecia vir de uma organização rival. Vinha das regras que a própria família escrevera.
Bruno conseguiu rastrear o receptor instalado na parede. O sinal utilizava a rede interna da mansão e fora autorizado por uma credencial de nível máximo.
“A minha?”, perguntou Dante.
“Não. A credencial de contingência.”
“Só três pessoas possuem.”
Dante, Bruno e Augusto.
Bruno abriu os registros das câmeras. Todas as noites em que Theo apresentara crises graves, o sistema da ala norte ficara indisponível entre duas e quinze e duas e trinta e dois.
“Por que ninguém me informou?”
“Os relatórios vinham classificados como manutenção automática”, respondeu Bruno. “Eu vi as falhas, mas o sistema registrava testes autorizados.”
“Você acreditou nisso por dois anos?”
“Eu acreditei na assinatura digital.”
Lívia olhou para ele.
“Ou teve medo de perguntar?”
Bruno não respondeu.
Um técnico recuperou fragmentos armazenados no servidor secundário. A maior parte das imagens estava corrompida, mas restavam quadros isolados.
No primeiro, o corredor aparecia vazio.
No segundo, a porta preta estava aberta.
No terceiro, gravado às duas e dezessete da madrugada de nove dias antes, Mirela atravessava o corredor usando roupa escura e luvas. A flor azul brilhava em sua lapela.
Dante se inclinou sobre a tela.
“Amplie.”
O técnico ajustou contraste e luz.
Havia outra pessoa atrás da médica.
Um homem alto permanecia parcialmente escondido pela moldura. O rosto não aparecia, mas a mão estava apoiada na porta.
No dedo, um anel negro refletia a luz infravermelha.
Bruno comparou o horário com os registros do portão. Nenhum veículo entrara ou saíra naquela madrugada. A passagem subterrânea, portanto, possuía uma saída além da garagem antiga.
Um mapa municipal mostrou um corredor de drenagem desativado terminando numa propriedade vizinha. O terreno havia sido comprado por uma empresa sem funcionários dois meses após a morte de Bianca.
O sócio oculto da empresa era um administrador ligado à Vértice.
“Ele construiu uma porta para entrar na casa do meu filho”, disse Dante.
“E deixou o senhor olhando para os portões”, respondeu Lívia.
Dante ordenou que ninguém tocasse na saída do túnel. Queria que o invasor acreditasse que ainda podia utilizá-la. Bruno posicionou sensores independentes e retirou do sistema qualquer agente contratado por indicação de Augusto.
Theo observou a movimentação sem largar a barra do uniforme de Lívia. Quando Dante se aproximou, o menino não fugiu. Apenas protegeu o leão contra o peito.
“Eu não sabia”, falou Dante, mantendo distância. “Mas devia ter sabido.”
Theo olhou para ele por um instante. Não ofereceu perdão, porém também não virou o rosto.
Theo entrou na biblioteca segurando o leão aberto. Quando viu a imagem, deixou o brinquedo cair.
Seu corpo começou a tremer.
Dante desligou a tela, mas era tarde.
“Tio”, Theo sussurrou.
O telefone de Dante tocou sobre a mesa.
O nome de Augusto Montenegro apareceu no visor.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4