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"A Garçonete Que Entendeu o Segredo do Mafioso" Capítulo 2 — O nome no verso

正文开头

Capítulo 2 — O nome no verso

Ícaro afastou a arma com o pé e manteve a mão sobre o próprio casaco.

"Desde o começo?", ele perguntou.

"O jantar inteiro", Lívia respondeu.

Otávio empurrou a cadeira para trás. "Chega. Vim fechar um acordo, não assistir a um espetáculo."

Dante virou-se para ele. "Você veio exigir novas rotas para seus caminhões. E descumpriu a condição de entrar aqui desarmado."

"Sem minha frota, suas cargas ficam paradas."

"Então vou precisar de outros transportadores."

"Você não troca uma operação dessas em uma semana."

"Também não preciso decidir tudo esta noite."

Lívia observou as mãos dos homens. Nenhum deles gostara da resposta. Dante, porém, manteve a atenção em Otávio, enquanto Ícaro recolhia a arma com cuidado, usando um guardanapo para evitar que outra pessoa a tocasse.

"Amanhã nossos advogados começarão a rever os contratos", Dante disse. "Hoje você vai sair daqui."

Otávio abriu a boca, mas encontrou o olhar de Ícaro e desistiu. Seus acompanhantes o seguiram até a porta. Antes de atravessá-la, ele parou diante de Lívia.

"Você trabalha até tarde, não trabalha?"

Ele não elevou a voz. Lívia reconheceu a intenção por trás da pergunta e olhou para a mão dele. Nenhuma arma estava ali agora, mas ele ainda tinha homens à porta e um motorista na rua. Ícaro pareceu perceber o mesmo; deslocou-se para que Otávio não pudesse voltar à mesa sem passar por ele.

Ela não respondeu. Dante se colocou entre os dois, sem tocar nela.

"Saia, Brandão."

A porta se fechou. Só então Lívia percebeu que estava segurando a garrafa com força suficiente para deixar marcas dos dedos na mão.

"Você devia sair pelos fundos", Ícaro disse.

"É por lá que os funcionários saem. Ele sabe disso."

Lívia conhecia a saída dos fornecedores, que dava para uma rua mais iluminada, mas ainda teria de atravessar a cozinha sozinha. Fez uma nota mental: avisaria uma colega antes de sair e pediria que alguém guardasse o registro da reserva. O gerente provavelmente preferiria fingir que nenhuma arma entrara no restaurante.

Ícaro aceitou a correção com um aceno contrariado. Dante tirou o celular do bolso, mas Lívia ergueu a palma.

"Não chame ninguém para me seguir."

"Ainda não fiz isso."

"Estava pensando."

Ele guardou o aparelho. A tensão entre os dois foi interrompida quando a porta se abriu de novo.

Arnaldo Gouveia, gerente do restaurante, entrou olhando primeiro para o copo derramado, depois para a cadeira vazia e por último para Lívia. Era a ordem que sempre usava: patrimônio, clientes, funcionária.

"O que você fez?", perguntou.

"Impedimos uma confusão", ela respondeu.

Arnaldo segurou seu braço acima do cotovelo. "Para a cozinha. Agora."

Lívia viu Dante dar um passo e ergueu a mão livre. Ele parou. Era a primeira vez naquela noite que um homem poderoso obedecia a um gesto seu.

"Solte meu braço", ela disse.

Arnaldo apertou mais um instante, preocupado demais com os convidados para ouvi-la. "Eu avisei que você não tinha perfil para atender a sala principal. Você sempre chama atenção do jeito errado."

正文1

Ela pensou nas mesas que lhe eram negadas quando havia fotógrafos, nas escalas noturnas, nas vezes em que ele a apresentara como ajudante apesar de ela ser a responsável pelo serviço.

"Eu atendo as salas que ninguém quer", Lívia disse. "Resolvo o que você manda esconder e, quando alguma coisa dá errado, viro o problema."

"Não faça cena na frente dos clientes."

"Você acabou de fazer."

Arnaldo soltou o braço dela. Seus olhos foram até Dante, à espera de alguma intervenção. Dante permaneceu calado.

Lívia desamarrou o avental. Tinha contas vencendo, inclusive uma parcela do tratamento do pai. Sabia disso enquanto dobrava o tecido, e saber não tornou a escolha fácil.

"Peça a outra pessoa para terminar o salão", ela disse. "Eu me demito."

Deixou o avental sobre a mesa e caminhou até a porta. A voz de Dante a alcançou no corredor.

"Senhorita Azevedo."

Ela se voltou. Ele segurava um cartão escuro, sem cargo impresso. Lívia olhou para o cartão, depois para Ícaro, que ainda protegia a arma caída de qualquer curioso.

"A polícia precisa ser informada sobre isso", ela disse.

"Será. E Otávio sabe quem você é. Se ele entrar em contato, use o número do cartão também."

"Uma coisa não substitui a outra."

"Concordo."

Foi a resposta que a fez aceitar. Lívia guardou o cartão, passou pela cozinha e recolheu a bolsa no armário. Uma colega quis perguntar o que acontecera; ela prometeu ligar quando estivesse em casa.

No corredor de funcionários, Arnaldo já ditava sua versão dos fatos por telefone. Lívia fotografou a escala onde constava que trabalhara naquela sala e anotou o horário. Se precisasse explicar sua presença à polícia, não dependeria da memória do gerente.

Esperou atrás da porta de vidro até ver um dos carros de Otávio virar a esquina. Uma colega se ofereceu para pedir um carro por aplicativo, mas Lívia preferiu a parada iluminada ao lado de um posto aberto. Antes de se separarem, pediu à moça que guardasse o horário aproximado em que os convidados saíram. A colega repetiu os números em voz alta para não esquecê-los.

Só no ponto de ônibus encontrou espaço para respirar. Tirou o cartão do bolso. Na frente, um nome e um número. No verso, uma frase escrita à mão em japonês:

Um falcão habilidoso esconde as garras.

Seu pai costumava dizê-la quando Lívia respondia depressa demais às provocações dos colegas. Ela virou o cartão em busca de mais alguma coisa. Sob a frase, em letras menores, aparecia um nome.

Álvaro Azevedo.

E, abaixo dele, uma anotação em português:

Trabalhou comigo.

Lívia leu de novo. Dante sabia quem era seu pai antes de ela contar qualquer detalhe. Talvez reconhecera o sobrenome à mesa. Talvez soubesse desde que ela entrara na sala.

O ônibus chegou. Ela deixou os passageiros subirem primeiro, com o cartão preso entre os dedos. Sua colega mandou uma mensagem perguntando se estava bem. Lívia respondeu que chegaria em casa e ligaria.

Então abriu a conversa com Dante e digitou:

O que o senhor quer dizer com isto?

Apagou a pergunta. Não aceitaria a resposta dele antes de procurar a do pai.

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