"A Filha da Empregada Quebrou a Regra Mais Temida do Chefe da Máfia" Capítulo 11 — A Cadeira ao Lado Dele
Quatro meses depois, Isabela voltou ao Morumbi.
Dessa vez, não precisou passar pelos tapumes de uma obra.
No lugar onde Rafael havia morrido, uma pequena placa havia sido instalada.
Não carregava o nome Montenegro.
Nem o nome da empresa.
Apenas:
**RAFAEL MARTINS
1989–2023
Ele escolheu dizer a verdade.**
Sofia segurava a mão da mãe.
"É o papai?"
"É."
"Ele foi corajoso?"
Isabela se ajoelhou.
"Muito."
Sofia olhou para a placa.
"Mais que o Dante?"
Isabela sorriu.
"De um jeito diferente."
"Eu vou contar para ele."
"Tenho certeza."
Sofia colocou uma pequena flor diante da placa.
Isabela ficou alguns segundos em silêncio.
Não precisava mais imaginar os últimos dias de Rafael.
A investigação oficial havia reconstruído grande parte do que acontecera.
Rafael descobrira o esquema.
Tentara entregar provas a Dante.
Marcelo interceptara parte dos documentos.
Depois falsificara registros, preparara imagens para incriminar Dante e criara as condições que levaram à morte de Rafael no canteiro.
O que fora chamado de acidente durante três anos agora era investigado como crime.
Marcelo estava preso preventivamente enquanto o processo avançava.
Outros envolvidos haviam sido identificados.
Alguns pertenciam ao Grupo Montenegro.
Outros não.
Ricardo também prestara depoimento.
Apagar as imagens fora ilegal.
Dante não tentou protegê-lo.
Ricardo aceitara as consequências.
"Eu achei que estava salvando a família", dissera.
Dante respondera:
"Família não é esconder crime."
A relação entre os dois não voltara ao que era.
Talvez nunca voltasse.
Mas, pela primeira vez, não havia segredos entre eles.
Isabela continuara na Mansão Montenegro durante a investigação.
No início, dizia que era temporário.
Depois parou de dizer.
Não trabalhava mais como empregada.
Dante oferecera dinheiro.
Ela recusara.
Oferecera apartamento.
Ela recusara também.
Então ele fez algo diferente.
Perguntou o que ela queria.
Isabela precisou de alguns dias para responder.
Queria terminar o curso de administração que abandonara depois da morte de Rafael.
Queria trabalhar.
Queria criar Sofia sem depender da caridade de ninguém.
E queria participar da fundação criada para apoiar famílias de trabalhadores vítimas de acidentes causados por negligência empresarial.
Dante respondeu apenas:
"Está bem."
Não comprou a decisão.
Não tentou controlá-la.
Ajudou a abrir portas.
E deixou Isabela escolher quais atravessar.
Aquilo mudou alguma coisa entre eles.
Devagar.
Sem contratos.
Sem promessas absurdas.
Sem que nenhum dos dois soubesse exatamente quando.
Sofia percebeu primeiro.
Naturalmente.
Naquela noite, a Mansão Montenegro estava diferente.
Não havia reunião.
Não havia diretores.
Não havia homens discutindo negócios na sala de jantar.
Dona Teresa supervisionava o jantar.
Bruno conversava com um segurança perto da porta.
Ricardo aparecera pela primeira vez em semanas.
Marcos também fora convidado.
Isabela desceu usando um vestido azul-escuro simples.
Sofia correu na frente.
"Devagar."
"Estou com fome!"
A menina entrou na sala de jantar.
Parou.
Dante estava sentado no mesmo lugar de quatro meses antes.
A cadeira ao lado dele estava vazia.
Sofia sorriu.
Correu.
Subiu.
Dante ergueu uma sobrancelha.
"De novo?"
"De novo."
"Você não pede mais?"
Sofia pensou.
"Posso jantar com você?"
Dante fingiu considerar.
"Talvez."
Sofia cruzou os braços.
"Dante."
Ricardo riu.
Dante olhou para ele.
Ricardo imediatamente pegou o copo.
"Não falei nada."
Dante virou-se para Sofia.
"Essa cadeira já é sua."
A menina olhou para o assento.
Depois para Isabela, que acabava de entrar.
"Não."
Dante franziu a testa.
"Não?"
Sofia desceu.
Foi até a mãe.
Segurou sua mão.
"Vem."
"Para onde?"
"Aqui."
Sofia levou Isabela até a cadeira ao lado de Dante.
Isabela parou.
Todos ficaram em silêncio.
Ela percebeu.
"Não comecem."
Dona Teresa tentou esconder o sorriso.
Sofia bateu na cadeira.
"Senta."
"Sofia..."
"É da mamãe."
Dante olhou para Isabela.
Quatro meses antes, aquela cadeira representava uma regra que ninguém ousava quebrar.
Doze anos vazia.
O lugar reservado à pessoa em quem ele mais confiava.
Isabela conhecia a história agora.
"Não preciso sentar aí."
Dante respondeu:
"Eu sei."
"Então diga a ela."
"Não."
Isabela estreitou os olhos.
"Você está usando uma criança de três anos contra mim?"
"Ela começou."
Sofia concordou.
"Eu comecei."
Isabela riu.
Era impossível não rir.
Sentou-se.
Dante não disse nada.
Mas seus olhos permaneceram nela por tempo demais.
O jantar começou.
Sofia contou uma história sem sentido sobre uma borboleta.
Ricardo discutiu futebol com Bruno.
Dona Teresa reclamou que ninguém estava comendo os legumes.
Por alguns minutos, a Mansão Montenegro parececeu uma casa normal.
Isabela olhou para Dante.
"Você está sorrindo."
"Não estou."
"Está."
"Impossível."
"Eu vi."
Dante aproximou-se um pouco.
"Não conte para ninguém."
"Pode prejudicar sua reputação."
"Exatamente."
Ela sorriu.
Então percebeu que ele continuava olhando.
"Que foi?"
"Preciso perguntar uma coisa."
Isabela ficou séria.
"Pergunte."
Dante colocou o garfo sobre o prato.
"Quando tudo isso começou, você entrou nesta casa procurando um assassino."
"Sim."
"E encontrou?"
"Encontrei."
"Não estou falando de Marcelo."
Isabela entendeu.
Dante continuou:
"Você achava que eu era o homem que destruiu sua família."
"Achava."
"E agora?"
Ela demorou.
"Agora eu acho que você é um homem que passou tempo demais sozinho porque decidiu que confiar em alguém era perigoso."
Dante ficou em silêncio.
"Isso foi uma crítica?"
"Foi."
"Imaginei."
"Mas não terminei."
Ele esperou.
Isabela olhou para Sofia.
A menina estava ocupada explicando alguma coisa a Ricardo.
"Também acho que você cumpriu sua promessa."
"Qual?"
"Disse que cuidaria dela."
Dante olhou para Sofia.
"Eu faria de novo."
"Eu sei."
Os olhos dele voltaram para Isabela.
"E de você."
Ela sentiu o coração acelerar.
"Dante..."
"Não é uma ordem."
"Que bom."
"Nem um contrato."
"Melhor ainda."
"É uma pergunta."
Isabela esperou.
Dante Montenegro, o homem que fazia empresários, criminosos e políticos medirem cada palavra diante dele, pareceu pela primeira vez não saber exatamente como dizer alguma coisa.
"Quer ficar?"
Isabela olhou ao redor.
Para a mesa.
Para Sofia.
Para aquela cadeira.
Depois para ele.
"Como funcionária?"
"Não."
"Como testemunha?"
"Não."
"Então como quê?"
Dante respirou fundo.
"Como você quiser."
Isabela sentiu os olhos se encherem.
Não porque ele prometera dinheiro.
Não prometera.
Não porque oferecera proteção.
Também não.
Pela primeira vez desde a morte de Rafael, alguém oferecia uma escolha sem decidir por ela.
Isabela colocou a mão sobre a dele.
"Então eu fico."
Sofia imediatamente interrompeu a conversa.
"Você vai morar aqui para sempre?"
Isabela riu.
"Eu não disse isso."
"Mas vai?"
"Sofia."
A menina olhou para Dante.
"E você?"
"Eu o quê?"
"Vai ficar?"
Dante olhou ao redor da própria mansão.
Ricardo soltou uma gargalhada.
Até Bruno precisou olhar para o lado.
Dante respondeu:
"Eu moro aqui."
"Ah."
Sofia pareceu satisfeita.
Comeu mais uma garfada.
Então ficou séria novamente.
"Mamãe?"
"Sim?"
"Dante?"
"Sim?"
A menina olhou para os dois.
"Agora a gente é uma família?"
O silêncio voltou.
Isabela olhou para Dante.
Dante não respondeu imediatamente.
Não porque não soubesse.
Porque aquela resposta não pertencia apenas a ele.
Então olhou para Isabela.
"Se sua mãe quiser."
Sofia também olhou.
Isabela sentiu a mão de Dante sob a sua.
Durante três anos, ela acreditara que descobrir a verdade sobre a morte de Rafael seria o fim de sua história.
Não era.
Era apenas o fim do medo.
Ela apertou suavemente a mão de Dante.
E sorriu para a filha.
"Eu quero."
Sofia abriu um sorriso enorme.
"Então posso comer sobremesa?"
Dante respondeu imediatamente:
"Pode."
Isabela virou-se.
"Não pode."
Sofia apontou para ele.
"Ele manda na casa."
Isabela ergueu uma sobrancelha.
Dante olhou para Sofia.
Depois para Isabela.
"Hoje descobrimos que não."
Ricardo voltou a rir.
Dona Teresa trouxe a sobremesa mesmo assim.
E, naquela noite, ninguém voltou a perguntar por que a cadeira ao lado de Dante Montenegro não estava mais vazia.
Todos já sabiam.
FIM.
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