"A Filha da Empregada Tocou na Perna do Chefe da Máfia… E Revelou Algo Que Ninguém Viu" Capítulo 11 — A Menina Que Viu Primeiro
A morte de Rogério mudou tudo.
Dante não permitiu que ninguém deixasse a mansão.
Dessa vez, nem Ricardo protestou.
Caio permaneceu.
Marcelo também.
Teresa passou a noite no antigo escritório de Otávio, cercada por lembranças que já não conseguia controlar.
Bruno trabalhou até amanhecer.
Às seis e vinte, entrou no escritório de Dante.
"Encontramos a ligação."
Dante estava diante da janela.
"Qual?"
"Rogério não trabalhava sozinho."
Bruno colocou uma pasta sobre a mesa.
"Os pagamentos de Teresa mantinham ele por perto. Mas, há quatro meses, começaram depósitos de outra origem."
"Quanto?"
"Valores pequenos, divididos entre empresas."
"Beneficiário?"
"Rogério."
"Origem?"
Bruno abriu o último documento.
"Uma subsidiária controlada pela diretoria de operações."
Dante fechou os olhos.
"Marcelo."
"Foi o que pensei."
"Mas?"
"As autorizações não foram feitas com a credencial dele."
"De quem?"
Bruno virou a página.
Dante leu.
Dr. Henrique Sampaio.
Ficou imóvel.
"Não."
"Henrique fazia parte do conselho médico de uma das empresas do Grupo. Tinha autorização administrativa limitada."
"Limitada."
"Alguém ampliou o acesso há cinco meses."
"Quem aprovou?"
"Marcelo."
Dante levantou a cabeça.
"Traga os dois."
Henrique chegou primeiro.
Viu os documentos.
Não negou.
Sentou lentamente.
"Eu posso explicar."
Dante riu sem humor.
"Todo mundo nesta casa pode explicar."
Marcelo entrou logo depois.
Quando viu Henrique, entendeu.
"Você."
Henrique baixou os olhos.
Dante fechou a porta.
"Quero a verdade inteira."
Henrique respirou fundo.
"Rogério me procurou há cinco meses."
"Por quê?"
"Ele tinha documentos de Otávio. Disse que queria vender."
"Para quem?"
"Para qualquer pessoa disposta a pagar."
Marcelo bateu na mesa.
"Você usou meu acesso."
"Eu pedi uma ampliação administrativa dizendo que era para auditoria médica."
"Você sabia sobre Caio?"
"Sim."
Dante ficou frio.
"Como?"
"Rogério contou."
"Foi você que aproximou Rogério de Caio?"
"Não."
"Então o que queria?"
Henrique olhou para Dante.
"Dinheiro."
A resposta simples pareceu mais repugnante que qualquer discurso.
"Você percebeu que minha incapacidade poderia aumentar o valor daqueles documentos."
Henrique não respondeu.
"Foi você que alterou meus relatórios."
"Alguns."
"E a órtese?"
"Eu não toquei nela."
"Mandou Rogério."
Silêncio.
"Henrique."
"Sim."
Isabela, parada perto da porta, levou a mão à boca.
Dante permaneceu absolutamente imóvel.
O médico que examinava sua perna.
O homem que dizia que a recuperação sofrera um retrocesso.
O homem que estivera perto dele desde o hospital.
"Por quê?"
"Você precisava parecer incapaz."
"Para quê?"
"Se o acordo fosse ativado, Caio apareceria. Ricardo reagiria. Teresa seria obrigada a revelar os documentos."
Dante finalmente compreendeu.
Henrique não precisava controlar o Grupo.
Precisava colocar todos os herdeiros em guerra.
"Enquanto nós brigávamos, você pegava as provas."
Henrique assentiu.
"E vendia para quem pagasse mais."
"Os documentos valem milhões."
Marcelo avançou, mas Bruno o segurou.
Dante continuou:
"Meu carro."
Henrique ficou quieto.
"Foi você?"
"Eu pedi a Rogério que criasse um problema."
Isabela ficou horrorizada.
"Um problema?"
Henrique fechou os olhos.
"Ele deveria causar uma falha depois que o carro saísse da cidade. Nada fatal."
Dante aproximou-se.
"Você quase me matou."
"Não era para acontecer daquela maneira."
"E depois, quando sobrevivi, você percebeu que minha lesão servia perfeitamente."
Henrique não respondeu.
Dante já tinha a resposta.
"Camila descobriu?"
"Ela começou a desconfiar."
"Por isso foi trancada."
"Rogério entrou em pânico."
"E Sofia?"
Henrique levantou os olhos.
"Eu nunca mandei ameaçar a menina."
Dante ficou parado.
"Então quem deixou o bilhete?"
"Ninguém do meu lado."
Marcelo franziu a testa.
"Seu lado?"
Henrique percebeu o erro.
Bruno imediatamente avançou.
"Quem mais?"
Henrique fechou a boca.
Dante falou baixo.
"Quem deixou o bilhete no quarto da Sofia?"
"Eu não sei."
"Mentira."
"Eu não sei!"
Uma voz pequena veio da porta.
"Eu sei."
Todos se viraram.
Sofia estava ali.
Isabela correu até ela.
"Filha, você não pode ficar aqui."
Sofia apontou para Henrique.
"Não foi ele."
Dante se abaixou.
"Você viu quem colocou o papel?"
Ela balançou a cabeça.
"Não."
"Então como sabe?"
Sofia olhou para o médico.
"O homem do clique tinha uma coisa."
"Que coisa?"
Ela tocou o próprio pulso.
"Aqui."
A tatuagem.
"Rogério."
Sofia assentiu.
"Mas o homem que trouxe meu brinquedo não tinha."
Bruno ficou sério.
"Você viu?"
"Quando ele saiu."
Isabela congelou.
"Você estava acordada?"
Sofia assentiu.
"Quem era?"
A menina olhou para as pessoas na sala.
Dante sentiu o coração acelerar.
Sofia apontou.
Marcelo.
Bruno imediatamente segurou o braço dele.
Marcelo empalideceu.
"Espere."
Dante ficou em silêncio.
"Eu devolvi o brinquedo."
Isabela avançou.
"E ameaçou minha filha?"
"Não!"
"Então por que entrou no quarto?"
"Porque eu tinha pegado."
"Por quê?"
Marcelo fechou os olhos.
"Eu achei que Rogério tivesse escondido alguma coisa dentro."
"E o bilhete?"
"Já estava preso quando peguei."
Bruno examinou o rosto dele.
"Por que devolveu?"
Marcelo olhou para Sofia.
"Porque percebi que ela era só uma criança."
Dante permaneceu alguns segundos sem falar.
Peças diferentes.
Culpas diferentes.
Nenhum único monstro controlara tudo.
Ricardo quis o poder.
Marcelo traiu confiança para recuperar o passado do pai.
Henrique transformou a disputa em negócio.
Rogério sabotou o carro e a órtese.
Teresa pagou pelo silêncio durante anos.
Caio alimentou a disputa porque queria reconhecimento e patrimônio.
Todos haviam colocado uma mão na mesma engrenagem.
E quase destruído uma criança e sua mãe no processo.
As provas foram entregues às autoridades e aos advogados.
Henrique foi levado para prestar depoimento.
A investigação sobre a morte de Rogério continuaria separadamente.
Marcelo perdeu imediatamente o cargo no Grupo.
Ricardo foi afastado das decisões executivas enquanto os documentos históricos eram examinados.
Caio não recebeu uma cadeira.
Nem foi expulso.
Dante colocou diante dele uma cópia dos documentos.
"Se você é filho de Otávio, tem direito à verdade."
Caio olhou para ele.
"E ao resto?"
"Os tribunais decidem patrimônio."
"E nós?"
Dante demorou.
"Isso não é decidido numa mesa."
Caio pegou a pasta.
Pela primeira vez, não parecia um adversário.
Parecia apenas um homem que passara quarenta anos tentando descobrir onde pertencia.
Três semanas depois, a Mansão Montenegro estava silenciosa.
Dante atravessou o salão sem bengala.
Ainda mancava discretamente.
Mas caminhava.
Sofia estava sentada no tapete com um brinquedo novo.
Dante parou.
"Quer verificar?"
Ela olhou para a perna.
"Posso?"
"Foi assim que tudo começou."
Sofia se aproximou.
Examinou a órtese mais leve que ele ainda usava durante algumas horas por dia.
Tocou a fivela.
"Agora está certo."
Dante sorriu.
"Finalmente."
Isabela apareceu com uma mala.
O sorriso dele desapareceu.
"O que é isso?"
"Minhas coisas."
"Por quê?"
"Porque acabou."
"Acabou?"
"A Sofia está segura. A investigação está com a polícia. E eu ainda sou uma empregada que veio trabalhar nesta casa."
Dante ficou em silêncio.
"Você quer ir?"
Isabela olhou para ele.
"Eu preciso saber que posso."
Dante entendeu.
Durante semanas, tentara protegê-la transformando proteção em ordem.
Dessa vez, não daria nenhuma.
"Pode."
Isabela pareceu surpresa.
Dante continuou:
"Mas posso pedir uma coisa?"
"Depende."
"Fique."
Ela não respondeu.
"Não como empregada."
"Dante..."
"Não tenho contrato preparado."
Isabela sorriu de leve.
"Isso seria preocupante vindo de você."
"Estou tentando."
"Eu percebi."
Sofia olhou de um para o outro.
"Então a gente vai ou fica?"
Isabela se abaixou.
"Você quer ficar?"
Sofia pensou seriamente.
"Tem meu brinquedo aqui."
Dante colocou a mão no peito.
"Que bom saber que esse é meu principal argumento."
Sofia riu.
Isabela também.
Dante olhou para a mulher que havia entrado naquela casa para trabalhar sem pedir nada.
Ela não descobrira a sabotagem.
Não derrubara sozinha os homens que o cercavam.
Mas acreditara na filha quando teria sido mais fácil mandá-la ficar quieta.
E, quando todos ao redor de Dante estavam interessados no poder que ele poderia perder, Isabela fora uma das poucas pessoas interessadas em saber se ele conseguia voltar a andar.
"Eu não sei fazer isso direito", disse Dante.
"Fazer o quê?"
"Pedir para alguém ficar."
Isabela olhou para ele.
"Então não dê uma ordem."
Dante respirou fundo.
"Fique, Isabela."
"Por quê?"
Ele olhou para Sofia.
Depois para ela.
"Porque vocês foram as únicas pessoas que entraram nesta casa sem querer tirar nada de mim."
Isabela ficou em silêncio.
"E porque eu quero descobrir quem somos quando ninguém estiver tentando nos matar, derrubar ou separar."
Ela sorriu.
"Isso foi quase romântico."
"Quase?"
"Você ainda precisa praticar."
Sofia puxou a mão de Dante.
"Anda."
"Para onde?"
"Quero mostrar meu brinquedo."
Ele deixou que a menina o levasse.
Isabela ficou olhando.
Meses antes, Dante Montenegro acreditava que força significava nunca precisar de ninguém.
Depois do acidente, acreditara que perder a capacidade de andar significava perder tudo.
No fim, fora uma menina de quatro anos que enxergara o que médicos, seguranças e homens poderosos não perceberam.
Uma peça estava ao contrário.
Só uma.
Mas bastou para revelar todas as outras coisas que também estavam erradas naquela casa.
Isabela deixou a mala junto à porta.
Não desfez.
Ainda não.
Dante viu.
Não perguntou.
Era um começo.
Sofia se ajoelhou diante dele e apontou para a órtese.
"Não mexe."
Dante levantou as mãos.
"Não estou mexendo."
Ela apertou a fivela.
Um clique ecoou pelo salão.
Meses antes, aquele som teria significado dor.
Agora, Sofia sorriu.
"Pronto."
Dante olhou para Isabela.
"E nós?"
Ela cruzou os braços.
"Vocês foram a única coisa que entrou nesta casa e não precisou ser consertada."
Isabela ergueu uma sobrancelha.
"Isso foi melhor."
Dante sorriu.
Do lado de fora, os portões da Mansão Montenegro permaneceram abertos.
Desta vez, ninguém precisava ser trancado para ficar.
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