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"Oito Anos Para Deixar de Te Amar" Capítulo 11 — O Amor Que Eu Escolhi

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Capítulo 11 — O Amor Que Eu Escolhi

Adrien perdeu a regência numa manhã de céu limpo.

O Conselho determinou sua destituição por abuso dos poderes confiados à sua guarda. Uma comissão assumiria as funções restantes até que Louis completasse dezoito anos.

Não era uma licença. Não era a antecipação de uma despedida honrosa.

O decreto registrava por que ele estava sendo afastado.

Li a cópia na hospedaria, sentada diante do café que Marta fizera trazer.

"Quer ir à leitura pública?", perguntou.

"Não."

Terminei de comer.

A sentença judicial veio depois, ainda antes da cerimônia de maioridade do rei. Ouvi sua leitura na mesma sala em que Adrien reconhecera suas ordens.

Ele responderia pelo confinamento ilegal e pela transferência coercitiva de meu pai, realizada como instrumento de intimidação e seguida da falta de atendimento que contribuíra para sua morte.

Foi condenado a seis anos de residência compulsória numa propriedade designada pela Coroa, sem comando de homens armados nem exercício de função pública. A proibição de me procurar permaneceria após o cumprimento desse período.

Também deveria reparar os danos reconhecidos pela sentença.

O título de duque não desapareceu. Os direitos que imaginara ter sobre mim, sim.

Céleste recebeu pena de prisão pela falsa acusação, pela contratação da abordagem que colocara nossas vidas em risco e pela tentativa de destruir provas. Octave foi condenado pela participação na fraude, pelo confinamento sob falso fundamento médico e pela adulteração dos registros. Não poderia voltar a exercer a medicina.

As penas não vieram acompanhadas de uma promessa de que eu esqueceria.

Vieram com nomes, fatos e obrigações que já não dependiam da vontade de Adrien.

Constantin precisou apresentar a administração dos valores vinculados ao contrato. As obrigações anteriores não cumpridas seriam acertadas; a dissolução não autorizava a família a reter o que já devia.

Não recebi a renda por um herdeiro que nunca nascera vivo. Não pedi que a cláusula voltasse a valer.

Recebi o reconhecimento de que as perdas causadas a mim não eram uma dívida minha.

Quando saímos, havia gente na rua esperando uma reação.

Uma mulher perguntou se eu estava feliz.

"Estou indo embora", respondi.

Antes de deixar Aurélia, visitei o túmulo do meu pai e os lugares onde minhas crianças haviam sido enterradas.

Levei flores que eu mesma escolhi.

No primeiro túmulo pequeno, fiquei sem palavras. No segundo, contei à minha filha que havia uma janela junto à minha mesa e que, às vezes, o vento do mar espalhava os desenhos pelo chão.

Não sabia por que queria lhe contar aquilo.

Contei mesmo assim.

Marta esperou perto da saída. Tomás nos acompanhou até o porto, com o caderno de despesas debaixo do braço.

Prometi escrever quando chegasse.

Ele disse que sabia.

Gabriel me encontrou em terra dessa vez.

Não havia remadores, roupas encharcadas ou médicos esperando. Só ele, parado perto dos carregadores, procurando meu rosto entre as pessoas que desembarcavam.

Fui até ele.

正文1

O abraço durou o tempo que precisei.

"Quero ir para casa", falei.

Ele pegou minha pequena mala.

"Vamos."

Levou-me ao quarto de dona Amália. Não presumiu que eu estivesse falando da residência dele.

Essa delicadeza me acompanhou durante muito tempo.

Nos meses seguintes, o dinheiro da reparação começou a chegar conforme o calendário determinado pelo tribunal. Paguei primeiro o que devia a Tomás. Depois quitei o empréstimo da mesa e do aluguel.

Gabriel me deu o recibo sem fazer uma piada sobre eu não precisar dele.

Guardei-o.

Reservei uma parte para minha segurança e outra para ampliar a oficina. Com uma parcela menor, criei uma ajuda para pacientes de Santa Brígida que precisassem de transporte acompanhado ou de diárias que a família não pudesse pagar.

Inês aceitou participar da administração com outra pessoa do hospital. Exigi contas regulares, acessíveis a quem contribuísse.

Dei à iniciativa o nome de meu pai.

O restante ficou comigo.

Não precisava empobrecer para provar que nunca merecera ser maltratada.

A oficina ganhou uma terceira cadeira, depois uma aprendiz. Marta passou a negociar as entregas sem me consultar a cada mudança. Às vezes discordávamos sobre os prazos e terminávamos a conversa ajustando a lista de pedidos.

Os dias ficaram cheios de coisas que não tinham relação com Adrien.

Gabriel e eu começamos a jantar juntos às quintas-feiras. No início, sempre em lugares públicos. Depois, na casa de dona Amália ou na residência dele, conforme eu quisesse.

Nosso primeiro beijo aconteceu numa tarde em que ele perdera uma discussão comigo sobre a cor de um barco desenhado numa bandeira.

"Você não pode usar sua autoridade portuária para escolher minhas linhas", falei.

"Posso fazer uma sugestão péssima como qualquer cliente."

Ri e o puxei pela gola.

Ele parou perto do meu rosto, esperando.

Fui eu quem acabou com a distância.

Nem todos os dias foram fáceis. Certa vez, Gabriel levantou a voz durante uma discussão com um fornecedor e eu me afastei antes de pensar.

Ele me procurou depois, sem exigir que eu explicasse o susto.

Em outra ocasião, aceitei uma viagem com ele e desisti na véspera. Conversamos sobre o transtorno, o dinheiro já gasto e o que eu conseguia fazer. Nenhum de nós fingiu que não havia frustração.

Ele não me puniu por ela.

Foi assim que aprendi a permanecer perto.

Quando me pediu em casamento, eu estava fechando a oficina.

Gabriel esperou que eu terminasse de contar as moedas do caixa. Depois colocou uma pequena caixa de madeira sobre o balcão.

"Quero construir uma vida com você. Posso perguntar se quer o mesmo?"

Olhei a caixa sem abri-la.

"Meu trabalho continua sendo meu."

"Eu sei."

"Quero manter minhas contas, meu nome na oficina e o direito de decidir onde moro."

"Vamos escrever tudo."

Respirei devagar.

"E não sei se terei filhos. Não sei nem se vou querer tentar."

Ele se aproximou apenas o suficiente para que eu não precisasse falar alto.

"Estou pedindo para me casar com você, Leonora."

Toquei a tampa da caixa.

"Então, sim."

Casamos quando já havia passado um ano desde a minha saída do palácio.

Nosso acordo de bens foi lido por ambos, alterado por ambos e assinado sem que houvesse uma pessoa doente esperando que eu aceitasse.

Na pequena capela do porto, Marta ajeitou a manga do meu vestido.

Era novo. Eu o fizera aos poucos, aproveitando as horas tranquilas entre encomendas. Bordara folhas na bainha, não para esconder marcas de outro brasão, mas porque gostava delas.

Tomás trouxe o livro de meu pai. Deixou-o sobre a mesa onde assinaríamos, para que algo dele estivesse conosco.

Gabriel me esperava perto da janela.

Quando estendeu a mão, reconheci a pequena cicatriz no dorso, lembrança da tarde em que me ajudara a sair da água.

Segurei-a porque queria.

Naquela manhã, antes de sair de casa, guardara minha cópia do antigo contrato numa gaveta. A certidão de dissolução estava junto, e os originais continuavam no arquivo do tribunal.

Não queimei nada.

Aqueles papéis já tinham cumprido sua função.

Agora, quando alguém perguntasse o que eu levara do palácio, poderia mostrar as mãos. As mesmas que seguraram a pena, se agarraram à madeira no mar e aprenderam a trabalhar sem esperar aprovação.

Gabriel perguntou se eu estava pronta.

Olhei para ele, para Marta, para a porta aberta da capela.

"Estou."

E entrei por vontade própria.

FIM

 

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