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"A Mãe do Último Herdeiro" Capítulo 11 — Meu Nome Não Precisa de Casamento

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Capítulo 11 — Meu Nome Não Precisa de Casamento

Seis meses depois, os nove sinos do Palácio do Sol Dourado tocaram antes do amanhecer.

Durante aqueles seis meses, Santa Aurora reaprendeu a respirar.

Os rios do norte voltaram aos antigos leitos. A frota recuperada trouxe grãos à fronteira. As minas foram reabertas somente depois de uma inspeção independente, e cada joia encontrada nos aposentos de Lívia retornou ao inventário imperial.

Eu não passei esse tempo escondida num quarto.

Mesmo quando o Fogo do Sol me obrigava a trabalhar deitada, participei das reuniões sobre os dez territórios. Exigi que parte das rendas financiasse cisternas, hospitais e reservas de alimento nas regiões que mais sofreram com o sistema.

"Esses bens pertencem ao seu filho", advertiu um conselheiro.

"Então devem financiar o império que ele um dia receberá, não enfeitar o quarto onde dormirá."

A cláusula foi aprovada pelo Tribunal.

Meu filho estava chegando.

O Fogo do Sol começou como uma faixa quente ao redor de minha cintura. Em menos de uma hora, transformou-se numa chama que parecia derreter cada osso.

Gaspar e três parteiras trabalhavam ao redor da cama. Beatriz segurava minha mão direita. Meu pai segurava a esquerda.

Tomás esperava no observatório, acompanhando a constelação que mudara nossas vidas.

"O coração do bebê está enfraquecendo", avisou Gaspar.

Fechei os olhos.

Encontrei o menino diante do Trono do Sol pela última vez.

Ele já não usava coroa.

"Mamãe, devolvo toda a minha luz. Não quero ser imperador. Quero que você viva."

"Não precisa escolher entre sua vida e a minha."

"O fogo quer uma."

"O sistema também disse que só existia uma protagonista. Ele mentiu."

Ajoelhei-me diante dele.

"Não somos duas pessoas disputando uma história. Somos mãe e filho atravessando a mesma porta. Lembra do ritmo?"

Ele encostou a testa na minha.

"Uma batida. Duas. Três."

No quarto, meu coração acompanhou o dele.

O fogo que tentava consumir um de nós dividiu-se pela linha dourada. Metade atravessou meu corpo. Metade virou luz ao redor da criança.

Empurrei quando Gaspar mandou.

A dor apagou o teto, as vozes e o mundo.

Então um choro forte atravessou a madrugada.

Abri os olhos.

Beatriz ria e chorava ao mesmo tempo. Meu pai tinha o rosto escondido entre as mãos.

Gaspar colocou um menino pequeno e furioso sobre meu peito.

"Saudável", anunciou. "E a mãe também."

O bebê abriu os olhos escuros.

A voz conhecida surgiu pela última vez dentro de minha cabeça.

"Mamãe, do lado de fora faz frio."

Ri, apesar das lágrimas.

"Bem-vindo a Santa Aurora."

Dom Afonso entrou depois que as parteiras autorizaram. Não tocou na criança antes de pedir minha permissão.

"Ele precisa de um nome."

"Caetano de Alcântara."

O imperador repetiu o nome e beijou a testa do neto.

Naquela tarde, o Conselho o reconheceu como Príncipe Imperial e primeiro na sucessão ao trono.

Beatriz colocou o berço ao lado de minha cama, não nos antigos aposentos de Rafael.

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"Ninguém levará seu filho para ser criado por uma comissão de homens que nunca trocaram uma fralda", disse.

Dom Afonso concordou. O decreto de reconhecimento estabeleceu que Caetano permaneceria sob minha guarda e que qualquer decisão sobre sua saúde ou educação exigiria meu consentimento.

Eu havia entrado no palácio como criada porque um príncipe apagara meu nome. Meu filho começaria a vida protegido por um documento que colocava o nome de sua mãe na primeira linha.

O julgamento terminou durante meu resguardo.

O Tribunal declarou Bento inocente e anulou todas as acusações contra a Casa de Alencar. Dom Afonso ofereceu-lhe novamente a direção do Observatório Real.

Meu pai recusou.

"Passei três anos olhando o céu através de uma janela de prisão. Agora prefiro ver meu neto crescer."

Tomás assumiu o observatório e criou um arquivo independente para que nenhuma ordem de um príncipe pudesse apagar registros sem revisão do tribunal.

Baltasar foi condenado à prisão perpétua por ritual proibido, tentativa de homicídio e conspiração.

Lívia perdeu o título, os bens e qualquer direito sobre Caetano. Por ter colaborado na falsificação do processo de Bento, ordenado o ataque a Tomás e tentado matar a mãe do herdeiro, recebeu prisão perpétua numa fortaleza distante.

Dizem que ainda acorda algumas noites chamando pelo sistema e exigindo uma nova missão.

Nenhuma voz responde.

Rafael foi considerado responsável pelas ordens ilegais, pelo encobrimento das provas e pela tentativa consciente de usar o Grande Selo para me matar. Perdeu definitivamente o direito de sucessão e permaneceu em São Jerônimo.

Ele me enviou cartas.

Nas primeiras, dizia ter sido enganado.

Nas seguintes, dizia que sempre me amara.

Na última, pediu autorização para se casar comigo e "dar a Caetano uma família completa".

Devolvi todas fechadas, exceto a última.

Nela, escrevi uma única resposta:

"Meu filho tem uma família. O que ele não terá é um pai que use casamento para fugir das consequências."

Alguns conselheiros também defenderam a união. Diziam que o nome de Caetano seria mais seguro se sua mãe fosse esposa legítima de um príncipe, mesmo de um príncipe deposto.

Compareci ao Conselho ainda vestida de luto pelos anos roubados de minha família.

"Meu filho possui sangue imperial reconhecido pelo Cristal do Sol, pelo Tribunal e por este Conselho", declarei. "Quanto a mim, meu nome não precisa de casamento para se tornar legítimo."

Dom Afonso permaneceu em silêncio por muito tempo.

Depois colocou diante de mim os contratos dos dez territórios.

"Isadora de Alencar, por ter protegido o herdeiro, devolvido a fortuna da coroa e impedido a destruição do império, eu a nomeio Princesa Protetora de Santa Aurora."

O título me concedia uma residência independente, assento permanente no Conselho e participação na regência até Caetano atingir a maioridade. As rendas dos dez territórios permaneceriam no fundo do meu filho, mas sua administração seria exercida por mim e auditada pelo Tribunal.

Escolhi como residência o antigo palacete do observatório, restaurado com recursos devolvidos pela Casa do Príncipe. Ali, meu pai teria uma biblioteca; Tomás poderia consultar os arquivos sem pedir licença à corte; e Caetano cresceria olhando estrelas, não grades.

Beatriz visitava-nos sem cerimônia. Dom Afonso precisava solicitar audiência, uma regra que ele próprio aprovou.

Não era uma recompensa secreta oferecida em troca de silêncio.

Era poder registrado, limitado por lei e reconhecido em meu próprio nome.

Um mês depois, levei Caetano à varanda dourada do palácio para sua apresentação pública.

O ipê que florescera durante minha primeira noite de fogo estava novamente coberto de pétalas. Abaixo de nós, representantes das dez terras, juízes, soldados e milhares de pessoas enchiam a praça.

Meu filho bocejou diante do império que um dia governaria.

"Lívia atravessou mundos para conquistar um príncipe", murmurei, beijando sua testa. "E quase destruiu um reino para provar que era amada."

Caetano segurou meu dedo.

Eu não havia vencido porque um homem finalmente me escolhera.

Vencera porque deixara de pedir que escolhas alheias determinassem meu valor.

Ela escolheu um príncipe. Eu escolhi um império — e, desta vez, o império também me escolheu.

 

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