"Entre Alfas: Marcado pelo Inimigo" Capítulo 1
Capítulo 1
O verão em São Paulo sempre vinha acompanhado pela temporada de chuvas. Ao chegar em agosto, parecia que o céu não teria mais fim.
Lá fora, a luz do dia estava opaca, e a água batia freneticamente contra o vidro das janelas. Dentro da sala do terceiro ano do Colégio Integrado, as luzes brancas brilhavam intensamente, iluminando um grupo de alunos amontoados em torno de uma folha de respostas, escrevendo desesperadamente.
— Lico, você é inútil ou o quê? Com essa letra horrível, quem diabos vai conseguir entender alguma coisa?
— É assim que você fala com o seu pai? Copia se quiser, senão cala a boca.
— Pai, eu errei. Ei, pai, pode me passar a de inglês também? Eu copio com as duas mãos ao mesmo tempo, por favor, eu te imploro.
O barulho da tempestade se misturava à algazarra da sala, incomodando o rapaz que dormia debruçado sobre a mesa na última fileira, perto da janela.
Seus dedos, apoiados na nuca, se contraíram levemente, coçando o cabelo com irritação. Com esforço, ele endireitou o corpo, inclinou-se para trás e balançou a cadeira, deixando os braços penderem sem energia e as pernas longas esticadas de forma preguiçosa no chão.
Seus olhos escuros e expressivos estavam semicerrados, lançando uma sombra leve sobre a pele muito clara.
Na frente dele, Lico olhou para trás, percebendo que o jovem mestre estava com aquele mau humor típico de quem acaba de acordar.
— Acordou, Dante? A gente fez muito barulho?
— Hum, está aceitável.
Lico suspirou aliviado.
— Mas escuta, você dormiu a manhã inteira. Não vai terminar a lição de casa?
Dante ergueu o olhar, desafiador.
— Eu tenho cara de quem faz lição de férias?
A voz do jovem, rouca pelo sono e carregada de uma impaciência preguiçosa, espalhou-se pela sala. Imediatamente, os "escravos da lição" pararam de escrever e levantaram a cabeça.
Na época da escola, sempre existe aquela mentalidade de que o castigo não atinge a todos, especialmente se o primeiro aluno da turma estiver envolvido. Parecia que, se errassem junto com o aluno favorito dos professores, estariam salvos.
E Dante era, claramente, o favorito.
— Obrigado, Dante, por nos abençoar com sua vadiagem.
— Dante sem fazer lição é a definição de perfeição.
— Mais um dia apaixonado por esse estilo do Dante.
Dante, sendo um Alfa heterossexual convicto, não suportava aqueles olhares melosos dos colegas. Ele baixou a cabeça, tirou o celular debaixo da mesa e acrescentou com naturalidade:
— Eu já falei com o Branco. A lição de férias estava fácil demais, então decidi procurar alguns problemas de olimpíada para resolver por conta própria.
— ...
O Colégio Integrado, como a melhor instituição privada de São Paulo, nunca teve provas ou lições fáceis, garantindo sempre uma taxa de aprovação altíssima nas melhores universidades.
Nessas férias de vinte e cinco dias, foram entregues vinte e cinco conjuntos de provas, totalizando cento e cinquenta folhas para as seis matérias, todas no nível mais difícil dos vestibulares anteriores.
E esse animal agora dizia que não fez a lição porque estava fácil.
Como ele tinha coragem de dizer aquilo?
Todos estavam indignados.
Mas ele apenas continuava olhando para o celular.
Parecia que o sucesso em exibir sua superioridade tinha melhorado seu humor, dissipando parte da irritação matinal. Um sorriso desleixado surgiu no canto de seus lábios enquanto ele balançava a cadeira com um ar de bad boy indiferente.
Combinado com o que acabara de dizer, ele parecia extremamente arrogante.
Dava vontade de bater.
Mas ninguém conseguia ganhar dele.
Todos voltaram a baixar a cabeça e continuaram a copiar. Esquece, vamos manter a paz, somos generosos.
A sala finalmente ficou em silêncio. Dante colocou os fones de ouvido e deu play no áudio enviado por sua mãe, Dona Helena.
— Querido, já foi para a escola hoje?
— A sua escola passou dos limites. Começar as aulas no meio de agosto e separar mãe e filho assim... Não se preocupe, assim que eu voltar para o país, vou reclamar na secretaria de educação.
— Mas Dante, tem certeza de que não quer vir para Los Angeles? A nova mansão que seu pai comprou aqui tem uma localização incrível, muito sol e praia particular. Eu e seu pai estamos aproveitando muito, só sentimos sua falta.
— Por que não ouve a mamãe? Venha passar duas semanas aqui e voltamos juntos em setembro, pode ser? Afinal, dez ou quinze dias não vão fazer falta nos seus estudos.
Dona Helena claramente não tinha a consciência típica de uma mãe de aluno do terceiro ano.
Dante sorriu de canto e, quando ia ouvir o próximo áudio, a porta dos fundos foi aberta com um estrondo.
Uma figura esguia correu até ele, apoiando as mãos na mesa, ofegante.
— Puta merda, Dante! Você sabia que entrou um aluno novo na sua turma este semestre?
Dante levantou as pálpebras.
— Ele é louco?
Se um bom aluno estivesse em uma boa escola, sua vaga na universidade já estaria garantida. Não havia necessidade de mudar de colégio logo agora. E quem não estivesse nesse nível, ao entrar na turma de elite de exatas do Integrado no último ano, provavelmente seria massacrado. Era puro masoquismo.
Era difícil imaginar que algum idiota tomaria uma decisão tão ruim.
Lico também achou estranho e se virou, desconfiado.
— Sério? Essa informação é quente?
Luan respondeu rapidamente:
— Sério mesmo! Por que eu mentiria? Acabei de ouvir no escritório do Branco. Parece que ele veio do norte e dizem que foi o primeiro colocado no último simulado nacional lá.
Ao ouvirem "primeiro colocado", todos ficaram atentos.
— Então a vaga dele na USP ou em qualquer federal estaria garantida. Por que vir para o sul?
Luan deu de ombros.
— Quem sabe?
Dante não tinha interesse na história de autodestruição de um idiota. Ele baixou os olhos para o próximo áudio.
— Mas se não quiser vir, tudo bem. O seu avô Imperial disse para você ir jantar na casa deles estes dias. O neto dele voltou.
Os dedos de Dante congelaram.
Ao lado, Luan continuava tagarelando:
— Deixa eu pesquisar quem foi o primeiro colocado no simulado do norte... Caramba! Ele é bonitão! Dante, agora vocês gênios precisam ser lindos assim para ganhar o título? O nome também é imponente... Bernardo Imperial...
Exatamente nesse momento, o próximo áudio de Dona Helena começou a tocar.
— É aquele Bernardo, sabe? O garoto com quem você brincava quando era pequeno.
O sorriso no canto da boca de Dante desapareceu.
A hostilidade de Dante por Bernardo vinha, provavelmente, desde a infância.
Naquela época, com apenas seis ou sete meses, o pequeno Dante, após dominar a arte de engatinhar, começou a tentar ficar de pé. Mas a cada tentativa, ele caía de bumbum no chão. Depois de cair dezenas de vezes, o bebê Dante não aguentou a humilhação e começou a chorar alto.
Bernardo, que já tinha passado de um ano de idade, ficou observando Dante chorar por dez minutos seguidos. Finalmente, ele largou seus brinquedos, levantou-se, caminhou até ele e disse apenas duas palavras com uma voz infantil, mas séria:
— Me olha.
O ingênuo pequeno Dante levantou o rostinho redondo e piscou os olhos para o "irmão" Bernardo, achando que ele vinha consolá-lo.
Então, Bernardo, diante dele, deu uma volta completa pelo quarto de brinquedos.
Com passos firmes, quase correndo.
Depois de terminar, ele olhou para Dante de cima para baixo.
Com um desprezo sutil.
Em teoria, um bebê não deveria entender o que é desprezo, mas naquele momento Dante teve certeza de que viu aquilo no olhar de Bernardo — um desprezo justificado de quem acabou de esmagar o oponente.
Aquilo deixou um trauma enorme no coraçãozinho de Dante, que só cresceu e se aprofundou ao longo dos anos com cada desentendimento entre os dois.
Foi tão marcante que Dante superou os limites fisiológicos e lembrou dessa pequena cena por mais de dez anos.
Esse trauma só teve um breve alívio quando Dante soube que seu teste genético indicava que ele seria um Alfa de elite, enquanto Bernardo seria apenas um frágil Ômega.
Tudo bem, é apenas um pequeno Ômega, vou ser generoso com ele.
A tensão nos ombros de Dante relaxou.
Então, a porta dos fundos foi aberta com outro estrondo.
Desta vez, acompanhada por um grito histérico:
— Meu Deus! Meninas! O aluno novo da turma é um Alfa! Ele é lindo demais! Eu passei do lado dele agora pouco e senti um pouquinho do cheiro dos feromônios... Acho que até engravidei!
Um som metálico ecoou no canto da sala.
A cadeira de Dante, que estava inclinada, bateu com firmeza no chão.
Ao lado dele, Luan parecia flutuar de empolgação:
— Ai meu Deus, me leva lá para ver! Eu também quero sentir esse cheiro!
Depois do surto, ele percebeu que o clima ao lado estava estranho e imediatamente mudou para uma expressão séria:
— Mas com certeza não é mais bonito que o meu Dante. Quando o Dante se diferenciar, ele vai ser o Alfa mais incrível de São Paulo, sem dúvida!
Dito isso, olhou para Dante:
— Mas Dante, você já fez dezessete nas férias, não é? Por que ainda não se diferenciou? Acho que você é o único da série que falta.
Dante não estava de bom humor, mas isso não o impedia de manter a pose.
— Nós, Alfas de elite, nos diferenciamos mais tarde.
Ele fez uma pausa e completou:
— Porque somos mais fortes.
Luan pensou um pouco e achou que fazia sentido.
Ele conhecia Dante desde o colégio fundamental e nunca o viu deixar de ser o primeiro da turma. Era bom em esportes, bom de briga, tinha um metro e oitenta e três de altura, pele clara, pernas longas e um rosto impecável. Seus olhos tinham um brilho que atraía qualquer Ômega.
Havia até um grupo no celular chamado "Quero ter os filhos do Dante", cheio de Ômegas e Betas, e até alguns Alfas ousados que se infiltravam ali.
Isso mostrava o charme dele.
Pensando nisso, Luan deu uma piscadela para Dante:
— Dante, se diferencia logo, estou esperando para te dar mole.
Dante sorriu de canto, desinteressado.
— O quê? Se eu não for Alfa, você não me quer mais?
— Obviamente. Nós, Ômegas fofos, só gostamos de Alfas dominantes. O resto é apenas amizade — Luan respondeu com toda a convicção do mundo. — Então fica tranquilo, vou me guardar para você até você se tornar um Alfa de elite!
Assim que Luan terminou, a voz bonachona do Professor Branco veio da porta:
— Pessoal, silêncio. Parem de comer e de mexer no celular. Vocês aí que estão copiando a lição, parem também e ouçam duas coisas importantes.
— Primeiro, temos um aluno novo na turma este semestre...
Todos olharam para a porta imediatamente, exceto Dante, que continuava mexendo no celular com indiferença.
O que teria de tão especial? Certamente não era mais bonito que ele.
Então, ele ouviu Luan engolir em seco ao seu lado:
— Dante... me desculpa. Eu quebrei minha promessa. Não acho que vou conseguir me guardar para você. Isso aqui é demais para mim.
— ...
Dante sentiu-se ofendido.
Ele ergueu o olhar, descontente, em direção à porta.
Lá fora a chuva caía pesada e o céu estava escuro, mas a sala estava em silêncio e bem iluminada.
O jovem estava parado na divisa entre a luz e a sombra. Tinha o corpo esguio e uma expressão indiferente. A luz fluorescente dava um brilho acetinado à sua pele alva, e suas feições delicadas, porém marcantes, transmitiam uma frieza cortante.
Sobre o nariz imponente, usava óculos de armação dourada que deixavam seus olhos cor de âmbar ainda mais gélidos. Os botões da camisa branca estavam fechados até o último, cobrindo exatamente o pomo de Adão proeminente.
Quanto mais contido ele parecia, mais desejo despertava. Até o pequeno sinal abaixo do canto do olho esquerdo parecia exalar um ar de intelectual perigoso.
Não importava por onde olhasse, nada naquilo agradava a Dante.
De repente, o humor de Dante piorou ainda mais.
Geralmente, quando ele não estava bem, gostava de fazer os outros se sentirem pior.
Seus dedos tamborilaram levemente sobre a mesa, e sua voz saiu com uma preguiça carregada de tédio.
— Luan, o seu gosto para beleza é bem medíocre.
A voz não foi nem alta nem baixa, mas o suficiente para que a pessoa na porta pudesse ouvir perfeitamente.
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