"Entre Elfos e Demônios: A Tentação de Alana" Capítulo 1
Do Sistema de Coadjuvante ao Jogo Otome de Fantasia Sombria
Cerejas silvestres nos galhos exibiam um tom vermelho vibrante, com um aroma doce e convidativo. Ao lado, um arbusto de glicínias recém-florescidas gotejava néctar, enquanto abelhas mamangabas fofas e peludas zumbiam alegremente durante a colheita.
Alana ficou na ponta dos pés, colhendo os frutos com cautela. Em sua outra mão, segurava uma cesta rústica feita de trepadeiras, que já estava consideravelmente cheia de cerejas, amoras e morangos silvestres.
Após depositar aquele galho carregado de frutos, ela colheu também um ramo de magnólias da montanha, de pétalas amarelo-claro com bordas avermelhadas, exalando um perfume intenso que lembrava uma mistura de maçã, banana e melão. Ativando sua técnica de leveza, o Passo das Nuvens, Alana saltou da copa da árvore, a dezenas de metros de altura.
"Ai!"
Ao tocar o solo, seu pé fraquejou e ela quase caiu. Felizmente, após praticar exaustivamente nos últimos dias, já dominava a técnica com certa fluidez; com um leve impulso, seu corpo flutuou brevemente até que ela recuperasse o equilíbrio. Imediatamente, correu para verificar as frutas na cesta.
Ótimo, estavam intactas.
Somente após ver que o fruto de seu trabalho árduo não havia sofrido danos, Alana soltou um suspiro de alívio. Segurando a cesta contra o peito, ela caminhou mancando levemente em direção ao riacho.
A superfície da água estava cristalina, refletindo um rosto de beleza incomparável. Alana ficou paralisada observando o reflexo, enquanto o movimento de lavar as frutas tornava-se cada vez mais lento.
Aquele rosto não era o seu original, mas sim o da personagem do jogo que ela controlava quando cumpria missões como coadjuvante na Agência Espacial.
A jovem no reflexo parecia ter dezesseis anos. Cada traço era impecável, de uma perfeição absoluta. Seus olhos pareciam envoltos por uma névoa suave que, combinada com sobrancelhas delicadamente delineadas, conferia-lhe uma aura de fada celestial. Mais impressionante ainda era o corpo esculpido como um modelo 3D: um rosto angelical unido a curvas provocantes, com um busto generoso e pernas longas que a deixavam com 1,72m de altura — exatamente 5cm mais alta do que Alana era em sua vida real.
Simplesmente deslumbrante... O que não era surpresa.
Alana havia passado dois dias inteiros moldando cuidadosamente cada detalhe daquele rosto. Para aqueles olhos enevoados, ela usou o efeito de iluminação mais caro disponível, sem mencionar os detalhes da textura da pele. Na época, após terminar a criação, ela passou uma tarde inteira tirando capturas de tela para admirar sua obra.
Agora que o bidimensional se tornara tridimensional, o nível de beleza havia subido de forma geométrica. Mesmo estando naquele mundo há quase três dias, Alana ainda perdia o fôlego toda vez que via seu reflexo.
Sim, ela havia transmigrado para dentro do corpo de sua própria personagem.
Alana ainda não entendia como um único ato heroico — que infelizmente resultou em seu fim prematuro — a levou para ali. Embora o Sistema de Coadjuvante devesse ser capaz de retroceder seu estado vital para uma hora antes do acidente, em um piscar de olhos ela acordou na imensidão da Floresta do Poente, habitando a pele de seu avatar.
Ela lavou as frutas silvestres e deu uma mordida em uma delas. O sabor era doce e agradável.
No entanto, um vazio profundo surgiu em seu estômago.
Desde a misteriosa transmigração, ela só comia frutas silvestres. Embora fosse cautelosa na colheita, escolhendo apenas aquelas com marcas de mordidas de animais ou que pareciam familiares para evitar envenenamento, ela estava prestes a chegar ao seu limite.
Alana nunca desejou tanto consumir carboidratos. Sonhava com tigelas de arroz e massas suculentas; somente agora compreendia a verdadeira delícia que era a combinação de gordura e amido.
Enquanto mastigava a fruta, Alana ergueu a mão por instinto. No vazio à sua frente, uma interface translúcida surgiu silenciosamente.
Pernas de cordeiro assadas, pernil, ingredientes nobres, frutos do mar, roupas de cashmere, pratos clássicos de diversas culinárias... Uma infinidade de itens estava empilhada em pequenos quadrados. Cada compartimento continha milhares de unidades, com duzentos espaços por página, totalizando doze páginas de inventário.
Olhando para aquele quadro transparente, Alana sentiu vontade de chorar.
Aquele era o armazém vinculado à sua conta.
Após transmigrar, ela descobriu que não apenas herdara o corpo da personagem, mas também podia usar algumas habilidades do jogo. Como o Passo das Nuvens, que permitia que ela saltasse entre as árvores — embora agora não houvesse botões de comando e ela precisasse praticar os movimentos fisicamente. Foi graças a essa habilidade peculiar, quase como um "cheat", que ela conseguiu sobreviver na floresta por três dias.
Se as habilidades funcionavam, Alana acreditava que os suprimentos que ela coletou com tanto esforço também poderiam ser retirados. Especialmente aquelas comidas tentadoras.
No entanto, o status permanecia o mesmo: visível, mas inutilizável.
Tudo porque aquele era um jogo otome voltado para o público adulto, onde as permissões de acesso só podiam ser desbloqueadas através da troca de fluidos com diferentes raças. Outras funções também exigiam interações igualmente eróticas.
Alana deu uma mordida vigorosa na fruta.
Pernas de cordeiro, sopa de costela, pato assado... que esperassem por ela! Não era apenas uma questão de fluidos de diferentes raças? Com o alto nível de afeição inicial deste corpo e as características físicas especiais que ela mesma configurou, não seria difícil conseguir o que precisava.
Assim que desbloqueasse pelo menos o acesso ao armazém, com doze páginas de suprimentos como suporte, ela poderia ser mais ousada. Nestes três dias, Alana agiu com extrema cautela, explorando apenas um raio de quinhentos metros, sem sequer entender em qual continente estava ou qual raça dominava aquele território.
O desejo de Alana de compreender a composição daquele mundo, porém, estava prestes a ser realizado mais cedo do que esperava.
Luan era um jovem Elfo Negro.
Sim, um Elfo Negro: corpo esguio, altura média de quase dois metros, nariz reto e lábios perfeitamente carnudos. Seus olhos, de um safira profundo com tons sombrios, e sua pele bronzeada e escura brilhava suavemente sob o sol, como um animal ágil e perigoso oculto na floresta. Sob o capuz, seus cabelos prateados reluziam como cetim.
A sociedade dos Elfos Negros era matriarcal, e os machos eram famosos por suas habilidades na cama. No entanto, essa raça não via o nascimento de um novo bebê há mais de três milhões de anos, e a Árvore da Vida estava prestes a murchar completamente.
Neste momento, Luan voava em direção à Floresta Negra, carregando um galho da Árvore da Vida que conseguira roubar, com grande dificuldade, dos Elfos da Luz.
Mas ele estava gravemente ferido.
Por um breve descuido, caíra na armadilha de caçadores de recompensas. Após lutar para escapar, mesmo ferido, desmaiou na Floresta do Poente, a cerca de duzentos quilômetros de seu destino. Com o último rastro de energia, Luan percebeu que, ali por perto, havia um aroma doce e inquietante. Em um instante, ele localizou o ser vivo à distância; pelos seus sentidos, parecia ser uma criatura humanoide.
Um humanoide!!!
Seria um maldito anão? Ou uma daquelas ninfas imundas da floresta?
Os Elfos Negros eram de natureza fria, taciturnos e cruéis, sombrios e traiçoeiros. Eles lutariam até a morte para expulsar de suas terras qualquer raça que cobiçasse os segredos de seu povo.
Luan arregalou os olhos subitamente.
Atrás de um robusto e imenso hackberry à sua esquerda, uma silhueta esguia escondia-se furtivamente sob as sombras das árvores.
Ela não possuía a aparência deformada de um anão, nem a pele esverdeada das ninfas. Pelo contrário, seu corpo parecia emitir um brilho branco.
A pele exposta era mais alva e pura do que as pérolas do mar profundo que ele vira na coleção do Patriarca.
Sob uma cascata de cabelos longos e sedosos, negros como a própria noite, revelavam-se traços de uma beleza indescritível.
Mais importante ainda... seu corpo era mais perfeito do que o da mulher mais esbelta registrada nas pedras de projeção do Patriarca. Sua cintura parecia poder ser abraçada por uma única mão, com curvas mais graciosas do que as das elfas, conhecidas por serem esguias e altas.
Em sua respiração suave, o busto farto parecia tremer levemente. Sob o vestido longo de linho, as coxas brancas como a neve podiam ser vislumbradas, e Luan não pôde evitar imaginar a sensação sedosa de apertá-las com as mãos. As pontas dos pés alvos tinham um toque rosado e um brilho de jade que despertava o desejo de ser lambido e mordido.
Aquele vestido de linho não estava à altura dela; mesmo os trajes mais nobres e elegantes da sala de tesouros do Patriarca mal seriam dignos de vesti-la, pensou Luan, deixando sua mente divagar.
"Um Elfo Negro?"
De repente, aquela figura esguia que estava parada em transe emitiu um som fraco, suave, mas extremamente melodioso. Era uma voz completamente diferente do tom áspero dos machos; era tão delicada que nenhum macho ambicioso deixaria de reconhecê-la.
— É uma fêmea!!!?
Luan estava em um estado de confusão extrema. Sua mente, além do choque, estava cheia de desejo de posse. Um pensamento audacioso surgiu em sua cabeça.
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