"Promessa de Ódio, Sussurro de Amor" Capítulo 20
Enquanto ajudava o Sr. Henrique a descer as escadas, Vincent entrava, com aparência abatida, e ficou parado lá embaixo, observando-a.
Aquela cena era familiar. Inúmeras vezes, Sophia ajudara o Sr. Henrique a descer. Por um instante, ele teve a ilusão de que ela tinha voltado, de que nada havia acontecido, de que ainda tinham um futuro.
Se fosse antes, seu olhar certamente se fixaria nele primeiro, e ela sorriria enquanto falava. Mas a realidade era que, por mais intenso que seu olhar fosse, Sophia o tratava como se fosse ar.
Tudo aconteceu. Ela não voltaria. Eles não teriam um futuro.
Essa percepção fez com que o peito de Vincent parecesse ser atravessado por uma lâmina invisível. Cada respiração vinha com uma dor dilacerante.
No jantar, Vincent sentou-se em frente a Sophia, seu olhar ardente fixo nela, de vez em quando servindo os pratos de que ela gostava.
Ela nem sequer ergueu os olhos, concentrada na conversa com o Sr. Henrique. A comida em sua tigela era colocada direto no prato de restos.
Após o jantar, Sophia conversou mais um pouco com o Sr. Henrique e se despediu. Durante todo o tempo, Vincent permaneceu quieto em um canto.
Quando ela finalmente se levantou para ir, ele a seguiu imediatamente.
Sabendo que ele a seguia, Sophia caminhou sem parar até o jardim do condomínio, parando.
Ela cruzou os braços, virando-se para olhar a pessoa que se aproximava apressadamente: "Se tem algo a dizer, diga aqui. Depois, não me importune mais."
O coração de Vincent doeu subitamente. Ele percebeu que realmente pareciam estar chegando ao fim. Inquietação e desespero inundaram seu peito.
Ele curvou as costas, agarrando seus ombros desesperadamente: "Sophia, me perdoa. Me perdoa de verdade. Não posso perder você. Não consigo viver sem você."
"Sei que errei. Por favor. Me dê uma chance de compensar..."
Sophia encarou seus olhos vermelhos com calma: "Vincent, o que aconteceu, aconteceu. Não importa o quanto tente compensar, quem se foi não volta. E eu não vou perdoá-lo."
Vincent olhou para seus olhos, tentando encontrar um fio de esperança. Mas, por mais que procurasse, só encontrou água parada, sem ondulações.
Ele finalmente desmoronou. Lágrimas caíram como chuva. Ele caiu de joelhos, agarrando-se a ela com força, como se assim realmente pudesse segurar a pessoa prestes a partir.
"Não vá, Sophia, por favor. Por favor. Me ame mais uma vez, por favor..."
Ela olhou para a pessoa ajoelhada, chorando copiosamente. Sentiu apenas pena. Ela o amara. Ele a amara. Mas nunca haviam se amado ao mesmo tempo.
Havia um vencedor nesse relacionamento? A resposta era não. No passado, ela perdera. Agora, era ele quem perdia.
"Vincent, me deixe em paz." Foi tudo o que ela disse.
Todo o corpo de Vincent começou a tremer. Suas mãos se apertaram com força, lágrimas caindo descontroladas.
Antes, ele atendia a todos os seus pedidos. Agora, diante de um pedido que ele preferiria morrer a atender, a única coisa que podia fazer era aceitar.
Porque ela pediu para ser deixada em paz. Ela pediu a ele que a deixasse em paz. Como ele poderia não atender?
As mãos de Vincent gradualmente se soltaram. Sophia se virou sem piedade e partiu, deixando para trás a pessoa que, impotente, se abraçava e chorava.
No dia seguinte, cedo, Sophia voltou. Desta vez, não havia ninguém indesejado ao seu lado.
Ao desembarcar, saindo da ponte de desembarque, ela viu Leonardo na multidão. Hesitou por um instante, caminhando rapidamente: "O que você está fazendo aqui?"
Ele pegou sua mala: "Claro que tenho um espião."
Sophia sorriu: "Fala aí, com o que subornou a Larissa dessa vez?"
"Ela não gosta de dinheiro e de homens bonitos?" Ele abriu a porta do passageiro para ela. Esperou que entrasse, apoiando-se na porta, olhando para ela com um sorriso despreocupado: "Sendo tão fácil de subornar, no futuro é melhor você mesma me contar essas coisas, não acha?"
O que aquilo significava, ambos sabiam. Sophia hesitou, mas Leonardo não exigiu uma resposta. Parecia mais um teste.
No Dia dos Namorados, após o ensaio com a banda, quando ela se preparava para ir para casa, Larissa insistiu para irem à praia.
Ela nunca conseguia resistir, então foi.
Ao chegar e ver a decoração na areia, percebeu que havia combinado com Leonardo. Quando faltavam cerca de dois metros, Larissa parou, dizendo: "Irmã Sophia, gosto muito de você. Espero que você vire minha cunhada." Então, virou-se e saiu correndo.
Sophia sorriu, resignada, e se aproximou de Leonardo.
Ela tocou as flores ao redor: "Lembro que você não era fã de coisas tão elaboradas."
Ele também segurava um buquê, mais delicado e vibrante: "Não sou, não. Mas tudo o que possa te deixar feliz, eu gosto. E fico ainda mais feliz em fazer."
Mais uma vez, Sophia entendeu: os princípios, diante de quem se ama, não valem nada.
Antes, essa compreensão trazia dor. Agora, trazia apenas amor transbordante.
Leonardo parou diante dela, estendendo as flores. Olhando de perto, dava para ver que suas mãos tremiam levemente: "Sophia, nunca acreditei em amor à primeira vista. Até te encontrar. Você aceitaria... ser minha namorada?"
Ao ouvir "amor à primeira vista", Sophia paralisou. Mas, lembrando do que Larissa dissera sobre os hábitos de fala dele, pareceu fazer sentido.
Enquanto ela refletia, Leonardo pensou que ela estava hesitando. Seu coração parecia subir e descer.
Sophia finalmente voltou a si, pegou as flores e, na ponta dos pés, beijou suavemente o canto de sua boca: "Aceito."
Leonardo hesitou por um segundo, puxando-a para um beijo mais profundo.
Os fogos explodiram sobre o mar, cores vibrantes refletindo em seus rostos. Sophia, com a mão livre, o abraçou de volta.
Ela sempre acreditou na existência do amor. E sempre terá coragem de amar.
Porque é preciso se arriscar a amar, para colher amor.
(Fim)
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