Ele disse, descuidadamente: "Em vez de gastar energia com isso, por que não pensa em como desenvolver um inibidor para o vírus AU?"
Fiquei em silêncio por um instante: "Não sou especialista em vírus. Essa área não é a minha."
"Então, que tal pesquisarmos juntos?" Yan ergueu os olhos para mim.
"Você sabe fazer experimentos?" Fiquei surpresa.
"Cresci no laboratório. Não sou como aqueles idiotas que só comem e dormem." Yan arqueou uma sobrancelha. "Embora nunca tenha posto a mão na massa, entendo quase tudo."
Fiquei em silêncio novamente.
O quanto eu tinha negligenciado Yan? Ele fez tanta coisa debaixo do meu nariz, e eu não sabia de nada?
Perguntei: "Então, o que você acha do vírus?"
Yan virou o notebook para mim, apontando para os dados e imagens na tela.
"Venho investigando esse vírus há seis meses. Até pedi para meu chefe contratar os melhores virologistas. Este é o resultado mais recente."
Apesar da seriedade do momento, não pude deixar de pensar: que "chefe" otário. Além de ser ameaçado, virou assistente do funcionário.
Sem saber o que eu pensava, Yan olhava fixamente para a tela. "Acompanhando o vírus por quase um ano, acho que encontrei uma brecha."
Ele me olhou. "Mas meu talento para biologia é menor. Meu conhecimento é limitado. Os dados que os especialistas mandam, às vezes só entendo pela metade."
"Então, preciso da sua ajuda."
Yan foi muito eficiente. Em uma tarde e uma noite, montou um novo laboratório.
Discutíamos com os virologistas e fazíamos experimentos nós mesmos.
Os dias voltaram a ser como antes de eu sair do laboratório: ocupados e significativos.
Assim, dois meses se passaram. O inibidor finalmente começou a dar resultados.
Mas também esquecemos uma coisa.
Olhando fixamente para o vírus se desintegrando no microscópio eletrônico, nunca estive tão animada.
Queria contar a boa nova a Yan imediatamente. Só então percebi que, absorta no experimento, não via Yan há uma tarde inteira.
Subi as escadas até o quarto dele. Tentei abrir a porta, mas não consegui.
Provavelmente trancada por dentro.
"Yan?" Com um mau pressentimento, chamei.
Silêncio.
Não estava? Chamei de novo. Ainda sem resposta.
Quando ia descer para procurar em outros cômodos, a porta rangeu e abriu de repente.
Uma sombra apareceu, uma mão me puxou para dentro. Antes que eu entendesse o que estava acontecendo, meus lábios foram selados.
"Hum..."
Tentei me soltar, mas Yan me beijou com mais força. Sua mão apertando minha cintura parecia querer me fundir a ele.
Nunca tinha visto Yan tão descontrolado. Aumentei a força para me libertar, mas a diferença física era grande demais.
Olhei para ele. Seus olhos vermelho-escuros haviam se transformado num vermelho vivo.
Quando achei que ia sufocar, o beijo terminou. Percebi que seus lábios tinham marcas de sangue, provavelmente mordidas por ele mesmo.
Yan franzia a testa, parecendo extremamente desconfortável. "O que você queria?"
"O vírus..." Assim que comecei a falar, ele me beijou de novo.
Com os lábios grudados, a voz de Yan saía abafada: "Eu te dei um prazo. Já pode me dar a resposta?"
"..." Minha mente deu um branco. Fiquei paralisada.