Capítulo 10
Leonardo parou bruscamente.
Virou-se.
— Quem você disse?
— Valentina Jiang. O senhor a conhece?
Antes que o médico terminasse a frase, Leonardo já havia arrancado o envelope de documentos de suas mãos.
Dentro estavam grossos relatórios médicos… e um
certificado de óbito
.
Ele folheava as páginas freneticamente, rápido demais para conseguir ler qualquer coisa.
— Valentina Jiang morreu? Você sabe que espalhar boatos é crime?!
Sua voz estava rouca, tentando esconder o pânico com raiva.
— Eu respondo por cada palavra que disse — afirmou o doutor Li calmamente. — Por favor, me dê uma resposta clara. O senhor vai ou não recolher o corpo dela?
Uma aura aterradora emanava de Leonardo.
Seus dedos apertavam o documento até ficarem brancos.
Ele não respondeu.
Apenas correu para o carro esportivo.
Dirigiu como um louco.
Mesmo tentando manter a calma, murmurava sem parar:
— Valentina… você é cruel… esse truque é cruel demais! Apareça! Eu admito que perdi, está bem?!
Mas suas mãos no volante tremiam.
Ele atravessou cinco sinais vermelhos seguidos.
Até bateu na traseira de uma van.
Nem olhou.
Jogou um punhado de dinheiro e continuou correndo para o hospital.
— Valentina! Valentina!
Ele gritava pelos corredores do hospital, atraindo olhares de todos.
Continuava ligando para o meu número.
— Eu admito que você ganhou! Apareça! Valentina!
Rafael também chegou ao hospital depois de receber a notícia.
Sob o silêncio pesado do doutor Li, caminharam até o subsolo.
Até a sala fria do necrotério.
A mão de Leonardo pairava sobre o lençol branco que cobria o corpo.
Tremia violentamente.
Mas ele não tinha coragem de levantá-lo.
O tempo parecia congelado.
Por fim, Rafael deu um passo à frente.
Respirou fundo.
E puxou o lençol de uma vez.
A luz branca do teto iluminou completamente meu rosto sem cor.
Leonardo cambaleou para trás dois passos.
Tentou se apoiar na parede.
Mas suas pernas cederam.
Ele caiu pesadamente no chão frio.
Tentou levantar várias vezes.
Sem sucesso.
As lágrimas escorreram inesperadamente de seus olhos vermelhos.
Como sempre…
Ele chorando ainda era a visão que mais me agradava.
Observei atentamente aquela figura desmoronada.
Treze anos.
Essa era a primeira vez que eu o via tão descontrolado.
Leonardo…
Então você também pode sofrer assim.
Enquanto eu lutava contra dores, tossia sangue e me encolhia sozinha durante anos…
Ele jamais veria isso.
— Valentina! Isso é vingança contra mim?! É isso?!
Ele gritava para o meu corpo.
— Levante-se! Você não queria me cortar? Não queria me torturar? Levante-se!
Antes de sair, o doutor Li disse algo que ele próprio achava que não deveria dizer.
— Senhor Leonardo… talvez eu não devesse falar isso. Mas vi as notícias. A condição de Valentina era grave, mas estava relativamente estável. Depois que o senhor voltou ao país, suas emoções oscilaram violentamente… e sua doença piorou várias vezes.
Ele fez uma pausa.
— No dia em que o senhor trouxe sua noiva ao hospital… a paciente que vomitou sangue na entrada de emergência e foi trazida pela ambulância… era Valentina.
— Vocês… já tiveram seu último encontro.
Leonardo ficou paralisado como se tivesse sido atingido por um raio.
Seus olhos ficaram vermelhos.
Ele tentou lembrar daquela cena…
Aquela figura coberta de sangue que ele ignorou.
Ele repetia sem parar:
— Eu errei… eu errei…
Mas nenhuma palavra dele podia mais ser acreditada.
No fim, ele cumpriu sua promessa.
Organizou um funeral grandioso para mim.
Toda a cidade ficou chocada.
Muitas pessoas compareceram.
A maioria eu nem conhecia.
Até Sofia veio.
Ela acendeu um incenso diante do meu retrato e então se aproximou de Leonardo, que parecia uma sombra do que era.
— Ela está morta. Você vai se casar comigo agora?
— Não.
A resposta dele foi imediata.
— Quero vinte milhões.
— Está bem.
Sofia pegou o cheque e foi embora sem olhar para trás.
Na saída do cemitério, encontrou Rafael.
— Já vai?
— Sim.
Ela sorriu.
— Não consegui conquistá-lo… e nunca serei como Valentina. Vinte milhões são suficientes para o resto da minha vida. Se tiver tempo, vamos beber um dia.
— Combinado.
Eu me sentei sobre minha própria lápide.
Observei Leonardo passar os dedos repetidamente sobre meu nome gravado.
— Valentina…
Sua voz estava rouca.
— Na próxima vida… podemos viver bem juntos?
Eu sabia que ele não podia me ver.
Mesmo assim balancei a cabeça lentamente.
— Leonardo…
— Não existe próxima vida para nós.
Com o fim do funeral, os convidados foram embora.
Minha última ligação com este mundo também começou a desaparecer.
Espero que, se houver uma próxima vida…
As rosas floresçam apenas para mim.
Que as cores do mundo se aproximem um pouco mais de mim.
Talvez eu não seja mais uma caçadora de recompensas ambiciosa.
Talvez apenas uma vida simples.
Três refeições por dia.
Uma luz acesa à noite.
Ou até mesmo caminhar sozinha na chuva…
amando apenas a mim mesma.
Desde que, na próxima vida, nunca mais nos encontremos.
Qualquer destino será melhor.
Minha vida curta e intensa…
talvez sempre tenha sido apenas destino.
FIM