《Depois de Mandar uma Mensagem Errada para o Meu Chefão》Capítulo 3

Pensei seriamente em pedir demissão.

Tava sem coragem de encarar ele.

Mas na internet, vi um post. Uma moça disse que, pra ter uma folga no trabalho, deu em cima do chefe. Resultado: Pra evitar constrangimento… em vez de mandar ela embora, ele começou a se distanciar, evitava passar serviço pra ela e pedia pros outros fazerem o que era dela.

Ela ganhou tempo livre e até conseguiu estudar pra uma prova importante.

Fiz um dia inteiro de terapia pra me preparar psicologicamente.

Quando voltei ao trabalho, no terceiro dia, todo mundo veio preocupado com a minha saúde.

— Isabella, melhorou? Ainda bem que você voltou...

— Isabella, se você não voltasse, a gente ia pirar.

— Nossa, Isabella, como você aguenta o chefe?

— Nesses dois dias que você não veio, eu limpei o escritório dele com o maior capricho. Sabe o que ele fez? Tirou uma lupa não sei de onde, apontou pra um grão de poeira e disse que eu não tinha caprichado!

— E não é só isso. O projeto que eu entreguei, ele já mandou eu refazer nove vezes, credo.

Perguntei baixinho:

— E aí, como tá o humor do chefe? Andou procurando secretária nova nesses dias?

Ouvindo isso, o Marcos arregalou os olhos:

— Secretária nova? Isabella, você não vai pedir as contas, vai?

— Isabella, não pode! Se você for, a gente vai pro brejo.

O André, que tava perto, também se assustou:

— Isabella, nem pense nisso. Antes de você chegar, a secretária aqui mudava quase toda semana. Depois que te contratei, meu trabalho até diminuiu. Se você acha que ganha pouco, vou falar já com o chefe pra pedir um aumento.

Eu ia explicar que não era isso, mas quem não gosta de um aumento  no salário?

Fiz cara de difícil:

— André, assim não fica bem... E se o chefe não concordar?

André respondeu na hora:

— Lógico que ele vai concordar. Você é a pessoa de confiança dele, a mais importante!

Quase engasguei. Não sei de onde ele tirou isso.

Se eu fosse mesmo a pessoa de confiança do Leonardo Montenegro, teria pesadelos só de pensar.

Na verdade, só queria saber o humor dele, mas ninguém me contou nada.

Desisti.

Não imaginava que, em meia hora, os grupos da empresa estariam cheios de fofoca: eu tinha brigado com o chefe e ia pedir as contas.

Todo mundo me olhava com pena, porque o Leonardo Montenegro é realmente um pé no saco. Só eu aguento ele; ninguém mais consegue ficar um minuto na mesma sala.

Eu, nem aí, tava feliz da vida com a promessa de aumento do André.

Quando sentei na minha mesa, o telefone tocou. Ele. Lembrei da mensagem e fiquei com medo.

Pedi pra Mariana atender:

— Mariana, atende pra mim. Se o chefão perguntar, fala que já voltei, mas que não tô bem.

Assim que ela atendeu, a voz grossa dele ecoou:

— Isabella Duarte, vem na minha sala.

Mariana me olhou, sem saber o que fazer.

Apontei pra garganta e pigarriei.

Ela entendeu na hora, fez um sinal de OK e sussurrou: "Pode deixar comigo!".

Aí falou no telefone:

— Chefe, a Isabella disse que tá com a garganta ruim, não pode falar. Se precisar de algo, pode falar comigo que eu passo pra ela.

Eu:

— ?

Do outro lado, Leonardo Montenegro deu uma risada seca:

— Ela não pode falar, mas você parece que tá com dor de garganta também, hein?

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