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"A Filha da Empregada Trancou o Filho do Chefe da Máfia na Jaula" Capítulo 10 — O HOMEM QUE APRENDEU A PEDIR

正文开头

Vicente esperou Beatriz sentado nos degraus da entrada.

Quando o carro de aplicativo parou diante da mansão, ele correu descalço pelo caminho de pedras. Clara mal conseguiu abrir a porta antes que o menino abraçasse as duas.

— Você voltou.

— Vim conversar — explicou Beatriz.

— Pode conversar morando aqui.

— Não funciona assim.

— Nesta casa, tudo tem quarto sobrando.

Dante apareceu na entrada.

— Deixe que ela entre antes de negociar a mudança.

Vicente soltou Beatriz, mas segurou sua mão até a sala.

Pingo recebeu Clara pulando ao redor dela. Os dois filhos desapareceram no jardim com o cachorro, acompanhados à distância por Rafael.

Beatriz ficou sozinha com Dante.

— Ele parece melhor.

— Dormiu duas horas depois de sair da jaula. Acordou perguntando quando você chegaria.

— Não quero que dependa de mim para se sentir seguro.

— Eu sei.

— Sabe mesmo?

Dante mostrou uma agenda sobre a mesa.

Havia horários reservados para café com Vicente, tarefas escolares, futebol e jantar. Reuniões noturnas tinham sido transferidas para dois dias específicos.

— Não é perfeito — disse ele. — Mas não depende de você estar aqui.

Beatriz examinou as anotações.

— E se houver emergência?

— Rafael assume o que puder. O restante espera.

— O mundo do crime vai respeitar horário de jantar?

— Vai aprender.

Ela sorriu.

Dante aproximou-se.

— Não quero que volte por pena de Vicente.

— Então por que quer que eu volte?

— Porque esta casa ficou menos vazia quando você entrou nela.

Beatriz sentiu o coração acelerar.

— Isso ainda parece um problema seu.

— É. Estou pedindo ajuda para resolvê-lo.

Antes que ela respondesse, Rafael entrou carregando um tablet.

— Encontramos a origem da fotografia e a gravação completa da cozinha.

Dante abriu o vídeo.

Lavínia aparecia entrando na cozinha. Tirava o anel da caixa de Vicente, colocava-o na mochila de Clara e apagava a câmera principal. O reflexo na porta confirmava a pulseira de rubis.

Beatriz assistiu em silêncio.

— Ela usou uma criança para atacar outra — disse Dante.

— Usou o medo de Vicente de ser abandonado.

Rafael informou que Lavínia estava na portaria. Exigia conversar antes que o vídeo fosse entregue à polícia.

Dante autorizou sua entrada.

Lavínia surgiu acompanhada por dois advogados. Perdeu a segurança quando viu Beatriz ao lado de Dante.

— Então é verdade. Ela voltou.

— O vídeo da cozinha — disse Dante. — Explique.

Lavínia olhou para os advogados.

— Foi uma encenação para mostrar que essa mulher não tinha controle sobre a própria filha.

— Você fez Clara ser chamada de ladra.

— Eu protegeria nossa família de qualquer maneira.

— Não existe “nossa família”.

Lavínia ficou imóvel.

Dante retirou o anel de noivado da caixa que Rafael entregou e o colocou sobre a mesa.

— O casamento está cancelado.

— Por causa de uma empregada?

— Por causa do que fez com duas crianças.

正文1

Lavínia apontou para Beatriz.

— Ela planejou tudo. Trancou Vicente, criou dependência e agora ocupa o lugar de Helena.

Beatriz levantou-se.

— Não quero o lugar de uma mulher morta. Quero que pare de usar o nome dela para justificar sua crueldade.

Lavínia avançou, mas Dante ficou entre as duas.

— Não encoste nela.

— Está defendendo uma doméstica contra sua futura esposa?

— Você não é minha futura esposa.

Vicente havia entrado pela porta lateral e ouviu.

— Foi você que colocou o anel? — perguntou.

Lavínia mudou de expressão.

— Fiz para protegê-lo, querido.

— Você disse que todo mundo ia rir.

— Foi apenas uma brincadeira que saiu do controle.

Vicente aproximou-se de Clara.

— Quando eu tranquei ela na jaula, também chamei de brincadeira.

Lavínia tentou tocá-lo.

— Você não entende assuntos de adultos.

O menino recuou.

— Entendo quando alguém mente.

Dante entregou a decisão imediata a Beatriz.

— Posso tornar o vídeo público, processá-la e impedir qualquer aproximação. Você escolhe o que deseja fazer sobre a acusação contra Clara.

Beatriz olhou para a filha.

— Quero uma retratação pública. Clara não carregará esse rótulo porque Lavínia tem medo de perder posição.

— E depois? — perguntou Lavínia.

— Depois você ficará longe das crianças.

Uma coletiva foi marcada para aquela tarde. Jornalistas lotaram o salão do Grupo Montenegro esperando Dante.

Antes de entrarem, Beatriz ajoelhou-se diante de Clara.

— Você não precisa aparecer. Posso falar por você.

— Se eu me esconder, vão achar que tenho vergonha.

— Não precisa provar coragem para ninguém.

Clara segurou a mão da mãe.

— Não é para eles. É para as crianças da escola que acreditaram.

Vicente ouviu e colocou-se ao lado dela.

— Eu também vou. Fui eu que peguei o anel primeiro.

Dante tentou impedir que os dois enfrentassem as câmeras. Beatriz lembrou que proteger não significava silenciar. Ele concordou, desde que nenhuma pergunta fosse dirigida diretamente às crianças.

Ele entrou acompanhado por Beatriz, Clara e Vicente. Lavínia apareceu por chamada de vídeo com seus advogados e leu uma declaração admitindo ter colocado o anel na mochila.

Sua voz falhou quando precisou pronunciar o nome de Clara. Um dos advogados tentou encerrar a transmissão, mas Dante exigiu que a declaração continuasse até o pedido explícito de desculpas.

— Clara Nascimento não roubou nenhuma joia — disse Lavínia. — Eu coloquei o anel na mochila dela e permiti que fosse acusada.

No salão, o silêncio tornou-se absoluto.

Clara apertou a mão de Vicente. Ele não soltou.

Lavínia continuou:

— Também manipulei Vicente Montenegro para que pegasse o anel, dizendo que seria uma brincadeira.

Dante observou o filho. Vicente ergueu o queixo, mas seus olhos estavam úmidos.

— Não foi culpa sua — sussurrou Clara.

— Começou comigo.

— E terminou com você contando.

Era quase a mesma lição que Beatriz lhe dera. Vicente respirou fundo e permaneceu diante das câmeras.

Beatriz não vestia uniforme. Usava um vestido azul simples e permanecia no centro, protegendo Clara dos flashes.

Um repórter perguntou:

— A senhora mantém um relacionamento com Dante Montenegro?

Beatriz abriu a boca, mas Dante respondeu primeiro:

— A vida de Beatriz não pertence à imprensa.

— Ela voltará à mansão?

Dante olhou para ela.

— Essa decisão pertence somente a ela.

Foi a primeira vez que ele recusou decidir em seu lugar diante de todos.

Beatriz percebeu.

Quando a coletiva terminou, os jornalistas continuaram gritando perguntas. Dante estendeu a mão, sem tentar puxá-la.

Ela poderia ignorá-lo.

Beatriz colocou a mão na dele.

Os flashes explodiram.

— Isso significa que voltou? — perguntou Vicente.

— Significa que vou tentar.

— Morando aqui?

— Você negocia demais.

— Aprendi com meu pai.

Dante conduziu Beatriz para longe das câmeras. No corredor vazio, ela soltou sua mão.

— Não confunda isso com uma promessa.

— Não vou.

— Nem com perdão completo.

— Entendido.

— E pare de concordar tão depressa. É estranho.

Dante sorriu.

— Estou escolhendo minhas batalhas.

— E esta?

Ele tocou suavemente o rosto dela, dando tempo para que se afastasse.

Beatriz permaneceu.

— Esta eu pretendo vencer sem obrigar ninguém a perder.

O primeiro beijo foi breve, cuidadoso e completamente diferente de uma ordem.

Quando se afastaram, Dante não tentou transformar o momento numa decisão definitiva.

— Posso buscá-la amanhã para jantar? — perguntou.

— Pode perguntar amanhã.

— Isso significa talvez?

— Significa que ainda não aprendeu a esperar.

— Passei a noite inteira diante de uma jaula.

— Uma noite não corrige trinta e nove anos de impaciência.

Dante aceitou o desafio com um sorriso.

Atrás da porta, Vicente tapou a boca de Clara para que ela não risse.

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