localização atual: Novela Mágica A Filha da Empregada Trancou o Filho do Chefe da Máfia na Jaula Capítulo 9 — DESTA VEZ, ELE ENTROU SOZINHO
标题上

"A Filha da Empregada Trancou o Filho do Chefe da Máfia na Jaula" Capítulo 9 — DESTA VEZ, ELE ENTROU SOZINHO

正文开头

Dante permaneceu sentado diante da jaula durante toda a noite.

A temperatura caiu depois da meia-noite. Rafael trouxe uma manta, café e uma cadeira. Dante recusou a cadeira, mas aceitou a manta e a passou pelas grades.

Vicente continuava abraçado ao avental de Beatriz.

— Está com fome? — perguntou Dante.

— Não.

— Não comeu desde o almoço.

— Beatriz diz que não se deve desperdiçar comida.

— Então coma.

— Ela não está aqui para mandar.

Dante sentiu a acusação.

— Eu sei.

O menino puxou o paletó do pai sobre os ombros.

— Você vai comprar outra empregada?

— Pessoas não são compradas.

— Tentou comprar Beatriz.

— Tentei protegê-la da forma errada.

— Com dois milhões?

Dante encarou Rafael, que estava alguns metros atrás.

— Quem contou o valor?

— Eu ouvi vocês — respondeu Vicente. — Esta casa tem portas grandes, mas ninguém fala baixo.

Dante quase sorriu.

— Ela rasgou o cheque.

— Eu vi os pedaços no lixo.

— Estava procurando?

— Só queria saber se ela tinha pegado.

— E como se sentiu quando descobriu que não?

Vicente pensou.

— Feliz porque ela não queria dinheiro. Triste porque então queria mesmo ir embora.

Dante encostou a cabeça na grade.

— Eu também.

O menino aproximou-se.

— Você pode pedir para ela voltar.

— Posso pedir. Ela pode dizer não.

— Você é Dante Montenegro.

— Isso não deveria importar para quem escolhe ficar comigo.

Vicente olhou para o pai com surpresa. Era uma frase que não combinava com o homem que resolvia recusas usando dinheiro, medo ou influência.

— Foi ela que ensinou isso?

— Não diretamente.

— Você aprende devagar.

— Está abusando da situação.

— Você não pode me castigar enquanto estou preso.

— Você está com a chave.

Vicente tocou o bolso, protegendo-a.

— Ainda não confio.

O jardim permaneceu em silêncio. Pingo deitou-se entre Dante e a porta da jaula, como se também esperasse.

Pouco antes do amanhecer, Vicente perguntou:

— Você amava minha mãe?

— Muito.

— Então por que nunca fala dela?

Dante levou alguns segundos para responder.

— Porque falar fazia doer.

— Não falar também dói.

A simplicidade da resposta derrubou a última defesa do pai.

Dante contou sobre a primeira vez em que conheceu Helena, numa livraria. Falou do vestido azul que ela usou no casamento e do medo que sentiu quando segurou Vicente recém-nascido.

— Você teve medo de mim?

— Você era menor que meu antebraço. Eu comandava centenas de homens e não sabia trocar sua fralda.

Vicente riu.

— Ainda não sabe.

— Espero não precisar demonstrar.

Quando o céu começou a clarear, Dante terminou a história da última manhã de Helena. Não mencionou detalhes da doença. Falou do beijo que ela dera no filho e do pedido para que os dois cuidassem um do outro.

— Eu não cuidei muito bem — confessou.

正文1

Vicente retirou a chave do bolso.

— Pode tentar de novo.

Ele a passou pelas grades.

Dante abriu a porta, mas não puxou o filho. Esperou que ele saísse por vontade própria.

Vicente abraçou-o.

— Vá buscar Beatriz.

Antes de permitir que o pai se levantasse, Vicente apontou para Pingo.

— Primeiro dê comida para ele. Eu prometi cuidar todos os dias e ontem esqueci.

Dante buscou a tigela com o filho. Vicente encheu o pote, trocou a água e limpou a manta do cachorro sem chamar nenhum funcionário.

— Beatriz disse que cuidar é aparecer mesmo quando não é divertido — explicou.

— Ela costuma dizer coisas desconfortavelmente sensatas.

— Você gosta disso.

— Às vezes.

Vicente acariciou Pingo.

— Eu gosto porque ela não mente para eu parar de chorar.

Dante guardou a frase. Durante anos, oferecera promessas rápidas para encerrar choros que não sabia enfrentar. Agora entendia que seu filho não precisava de respostas bonitas, mas de adultos confiáveis.

— Vou.

— Sem cheque.

— Sem cheque.

— E peça desculpas direito.

Dante olhou para Rafael.

— Você ouviu?

— Absolutamente nada, senhor.

Depois de levar Vicente para tomar banho e comer, Dante pediu o endereço de Beatriz.

Rafael preparou o comboio habitual. Dante recusou.

— Vou sozinho.

— Isso não é recomendável.

— Ela já acredita que transformo tudo numa operação militar. Não chegarei com oito carros.

— Dois?

— Um. Você dirige e fica dentro dele.

Rafael considerou aquilo uma vitória possível.

Beatriz morava numa casa pequena em Paraisópolis, numa rua estreita onde o carro blindado quase não passava. Crianças jogavam bola perto das calçadas, e vizinhos observavam o veículo escuro.

Dante desceu sem paletó e sem arma visível.

Rafael entregou-lhe um pequeno rádio.

— Se houver qualquer problema...

— O problema sou eu.

Beatriz abriu a porta depois da segunda batida. Usava shorts, camiseta e os cabelos presos de qualquer maneira. Não parecia surpresa.

— Vicente mandou?

— Como sabe?

— O senhor não teria vindo sozinho por iniciativa própria.

Dante olhou para o carro, onde Rafael fingia não escutar.

— Posso entrar?

— Depende do motivo.

Clara apareceu atrás da mãe.

— O Vicente está bem?

— Agora está. Passou a noite na jaula.

Clara arregalou os olhos.

— De castigo?

— Por escolha própria.

Beatriz abriu mais a porta.

A casa tinha poucos móveis, mas estava organizada. Fotografias de Clara cobriam uma parede. Sobre a mesa havia contas, livros infantis e um currículo impresso.

Dante percebeu que Beatriz já buscava outro emprego.

— Vim pedir que volte.

— Como empregada?

— Não.

— Como babá?

— Também não.

— Então como quê?

Dante não tinha preparado a resposta. Pela primeira vez, improvisou sem poder, cargo ou dinheiro.

— Como Beatriz.

Ela cruzou os braços.

— Isso não é uma função.

— É justamente o que estou tentando dizer. Vicente precisa de você. Clara faz bem a ele. E eu...

Ele parou.

— O senhor o quê?

— Eu sinto sua falta.

Beatriz não esperava a confissão.

Dante continuou:

— Não vim oferecer casa, salário ou proteção. Vim reconhecer que tentei escolher por você. Foi errado.

— Foi.

— Poderia facilitar um pouco.

— O senhor ainda está aprendendo.

— Devagar, segundo Vicente.

Clara sorriu.

— Ele também sente falta dela?

— Entrou numa jaula segurando o avental de sua mãe. Imagino que sim.

Beatriz olhou para a filha. Depois voltou a encarar Dante.

— Não retorno para substituir a mãe de Vicente nem para consertar sua família.

— Entendi.

— E não volto a trabalhar como empregada.

— Entendi.

— Ainda não terminei.

— Naturalmente.

— O senhor precisa construir uma relação com seu filho mesmo que eu não esteja presente.

— Vou construir.

— E minha filha não será tratada como favor ou mascote dentro da mansão.

— Clara será tratada como convidada.

— Como pessoa — corrigiu Beatriz.

— Como pessoa.

Ela não prometeu voltar. Aceitou apenas visitar Vicente naquela tarde.

Quando Dante se levantou, Clara entregou-lhe um desenho. Nele, Vicente estava dentro da jaula, Dante do lado de fora e Beatriz segurava uma chave enorme.

— Por que a chave está com sua mãe? — perguntou.

— Porque vocês dois ainda não aprenderam a abrir sozinhos.

Dante guardou o desenho.

Na rua, Rafael abriu a porta do carro.

— Ela volta?

— Não sei.

— O senhor parece estranhamente calmo.

Dante olhou para a janela da casa.

— Ela me permitiu pedir. Para Beatriz, isso já é quase uma vitória.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部