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"A Filha da Empregada Trancou o Filho do Chefe da Máfia na Jaula" Capítulo 7 — O CHEFE DA MÁFIA NA REUNIÃO ESCOLAR

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Dante Montenegro chegou ao Colégio Imperial cercado por quatro carros pretos.

Beatriz esperava na entrada com Vicente e Clara. Quando viu oito seguranças descendo, fechou os olhos por um instante.

— É uma apresentação de escola, não uma invasão — disse.

— Minha segurança não é negociável.

— Então mande sete ficarem no estacionamento.

Rafael mordeu o interior da bochecha para não rir.

Dante dispensou seis. Entrou com Rafael, o que já bastou para fazer pais e professores abrirem caminho.

Vicente usava uma camisa azul e segurava uma pasta de cartolina. Tentava parecer indiferente, mas olhava para o pai a cada poucos passos.

— Você veio mesmo — disse.

— Eu disse que viria.

— Também disse que voltaria para muitos jantares.

Dante aceitou a cobrança.

— Hoje comecei a pagar a dívida.

A sala estava decorada com desenhos de famílias. Cadeiras infantis formavam um semicírculo. Dante tentou sentar-se numa delas e quase derrubou a mesa ao lado.

Beatriz apontou para uma cadeira maior no fundo.

— Prepararam aquela para os adultos.

— Eu percebi.

— Depois de quase declarar guerra ao mobiliário.

Vicente riu. Alguns pais olharam, surpresos por ver um Montenegro sendo provocado sem reação violenta.

Lavínia chegou alguns minutos depois, usando um conjunto branco e carregando flores.

— Vim representar a família — anunciou.

Vicente perdeu o sorriso.

Dante levantou-se.

— Ninguém a convidou.

— Sou sua noiva. Minha presença é natural.

— Hoje Vicente escolheu quem queria aqui.

Lavínia olhou para Beatriz.

— E escolheu uma empregada?

— Escolhi meu pai — respondeu Vicente.

A frase foi simples, mas atingiu Dante com uma força inesperada.

Lavínia entregou as flores à professora e sentou-se longe deles.

A apresentação começou. Cada criança mostrava um desenho e explicava o que mais admirava em sua família.

Gustavo falou sobre as empresas do pai. Outra menina falou da casa de praia. Clara mostrou um desenho dela, de Beatriz e de Pingo diante de uma janela pequena.

— Minha mãe sempre volta — explicou. — Mesmo quando está cansada.

Beatriz apertou os lábios para controlar a emoção.

Vicente foi o último.

Seu cartaz estava quase vazio. Havia apenas duas figuras de mãos dadas, desenhadas com traços apressados.

A professora perguntou:

— O que você admira em sua família, Vicente?

Ele olhou para Dante.

— Meu pai veio.

O silêncio que se seguiu não era constrangido. Era o reconhecimento de que aquelas três palavras carregavam anos de ausência.

Dante inclinou a cabeça, incapaz de responder.

Depois da apresentação, os alunos participaram de uma atividade no pátio. Pais precisavam montar uma pequena barraca de tecido com os filhos.

Dante examinou as peças como se fossem equipamentos defeituosos.

— As instruções estão erradas.

— As instruções têm desenhos — disse Beatriz.

— Exatamente.

Vicente colocou duas hastes ao contrário. Dante tentou corrigir. A estrutura caiu sobre os dois.

Clara começou a rir. Beatriz também.

Dante saiu debaixo do tecido com o cabelo desalinhado.

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— Uma palavra sobre isso e fecho a escola.

— Ameaçar prédios não melhora sua coordenação — respondeu Beatriz.

Vicente ria tanto que precisou sentar-se.

Dante acabou rindo também, baixo e breve. Rafael, perto do portão, olhou duas vezes para confirmar o que ouvira.

Lavínia fotografou a cena. Na imagem, Dante estava ajoelhado ao lado de Beatriz, ambos cobertos pelo tecido, enquanto as crianças riam.

Ela enviou a foto para um jornalista com uma mensagem anônima:

“A nova mulher de Montenegro limpa a casa durante o dia e ocupa o lugar da falecida esposa à noite.”

Sem saber disso, Dante ajudou Vicente a reconstruir a barraca. Desta vez, seguiu as instruções.

Quando terminaram, o menino entrou e chamou Clara.

— Só cabe criança.

— Ontem você disse que eu não pertencia à sua casa.

Vicente baixou os olhos.

— Esta não é minha casa. É nossa barraca.

Clara entrou.

Beatriz observou os dois dividindo um pacote de biscoitos.

— Foi um bom dia — disse Dante ao seu lado.

— Ainda não acabou.

— Você sempre espera uma tragédia?

— Trabalho na sua casa há poucos dias. Estatisticamente, tenho motivos.

Ele sorriu.

— Obrigado.

Beatriz olhou para ele.

— Pelo quê?

— Por não me deixar escapar desta vez.

— Não agradeça ainda. Amanhã há treino de futebol.

— Não abuse.

Na volta à mansão, Vicente dormiu no carro com a cabeça apoiada no ombro do pai. Dante permaneceu imóvel para não acordá-lo.

Beatriz sentou-se no banco dianteiro, ao lado de Rafael. Pelo espelho, viu Dante acomodar a mão sobre os cabelos do filho.

Algo se transformava entre eles.

À noite, Dante entrou na cozinha e encontrou Beatriz preparando leite para Clara.

— Funcionários poderiam fazer isso — disse ele.

— Eu sou uma funcionária.

— Hoje não pareceu.

Beatriz pousou a colher.

— O que pareceu?

Dante aproximou-se.

— Pareceu que você já fazia parte da família antes que eu chegasse.

Ela sentiu o perigo daquela frase. Não o perigo das armas de Dante, mas o de acreditar em alguma coisa que talvez não pudesse existir.

— Não confunda gratidão com intimidade.

— Eu raramente confundo alguma coisa.

— Hoje quase perdeu uma luta para uma barraca infantil.

— A barraca estava mal projetada.

Beatriz riu. Dante observou o modo como o rosto dela se iluminava quando esquecia a hierarquia entre os dois.

O telefone dele vibrou.

Rafael falava do outro lado.

— Senhor, temos um problema. Uma fotografia da escola foi enviada a três páginas de notícias.

— Que fotografia?

Dante recebeu a imagem. A legenda já dizia:

“EMPREGADA SEDUZ VIÚVO MILIONÁRIO E USA CRIANÇAS PARA ENTRAR NA FAMÍLIA MONTENEGRO.”

Beatriz leu por cima de seu ombro. Seu sorriso desapareceu.

Em poucos segundos, o celular dela começou a receber mensagens desconhecidas.

Uma delas continha a fotografia de Clara saindo da escola.

“A filha da golpista também quer ser Montenegro?”

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Outra postagem comparava o uniforme simples de Beatriz aos vestidos de Helena. Uma terceira ampliava a imagem de Clara, circulando o rosto da menina em vermelho.

— Eles estão usando uma criança para atacar você — disse Dante.

— Estão usando duas — respondeu Beatriz. — Vicente vai ler que só se aproximou de nós porque é fraco e manipulável.

Dante telefonou para a equipe jurídica. Exigiu remoção imediata das fotografias das crianças e notificações contra as páginas. Beatriz escutou sem se acalmar.

— Apagar não desfaz o que eles viram.

— Impede que mais pessoas vejam.

— E amanhã? Vai esconder Clara sempre que alguém usar seu nome contra ela?

Dante não respondeu.

No andar superior, Vicente encontrou uma das publicações antes que bloqueassem seu tablet. Leu devagar, depois atirou o aparelho sobre a cama.

— Eu não sou manipulável — disse a Rafael.

— Eu sei.

— E Beatriz não quer ser minha mãe.

— Também sei.

— Então por que adultos acreditam em qualquer mentira?

Rafael recolheu o tablet.

— Porque algumas mentiras dizem aquilo que eles já queriam pensar.

Vicente correu para a cozinha. Encontrou Beatriz fechando a garrafa de leite e a abraçou sem aviso.

— Eu sei que você não está usando a gente.

Ela pousou a mão nos cabelos dele.

— Isso é suficiente por enquanto.

Dante arrancou o telefone da mão dela.

— Rafael, encontre quem publicou isso.

Beatriz recuperou o aparelho.

— Não precisa encontrar. Precisa tirar minha filha daqui.

Dante encarou a imagem de Clara.

— Ninguém vai tocar em vocês.

— O senhor não pode prometer isso.

— Posso.

— Foi exatamente essa certeza que deixou Vicente sozinho durante anos.

Ela saiu da cozinha.

Dante ficou olhando a porta, consciente de que, pela primeira vez, seu poder talvez não fosse suficiente para impedir alguém de partir.

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