localização atual: Novela Mágica A Filha da Empregada Trancou o Filho do Chefe da Máfia na Jaula Capítulo 1 — CINCO MINUTOS NA JAULA
标题上

"A Filha da Empregada Trancou o Filho do Chefe da Máfia na Jaula" Capítulo 1 — CINCO MINUTOS NA JAULA

正文开头

O grito de Vicente Montenegro atravessou o jardim no exato momento em que Dante ergueu a taça diante dos convidados.

— Tirem-me daqui!

As conversas morreram. Talheres pararam sobre os pratos. O quarteto de cordas, instalado perto das portas de vidro, interrompeu a música no meio de uma nota.

Dante pousou a taça sem pressa. O gesto era calmo, mas todos à mesa reconheceram o aviso. Quando ele se levantou, três seguranças fizeram o mesmo.

— De onde veio isso? — perguntou.

Rafael Moura já estava junto à porta.

— Do jardim dos fundos.

Outro grito ecoou, agora acompanhado de golpes metálicos.

— Pai!

Dante atravessou o salão. Usava um terno preto impecável, e cada convidado abriu caminho antes que ele precisasse ordenar. Lavínia Ferraz seguiu-o, segurando a saia do vestido prateado.

Os demais parentes vieram atrás, movidos por preocupação e curiosidade. Nenhum deles estava preparado para a cena diante do canil ornamental da mansão.

Vicente, o único herdeiro de Dante, estava dentro da enorme jaula de ferro usada durante as visitas do veterinário. Sua camisa branca tinha uma mancha de terra, e os cabelos cuidadosamente penteados caíam sobre a testa.

Do lado de fora, Beatriz Nascimento segurava a chave.

A nova empregada vestia o uniforme cinza da casa. Permanecia ereta, embora tivesse começado a trabalhar na mansão havia apenas seis dias e estivesse cercada por homens armados.

Perto dela, Clara, sua filha de seis anos, abraçava um cachorro pequeno e molhado. Havia um arranhão vermelho no joelho da menina e marcas de lágrimas em seu rosto.

Vicente sacudiu a grade.

— Ela me trancou como um cachorro!

Dante parou diante de Beatriz.

— Abra.

Ela não se mexeu.

O silêncio ficou mais pesado. Rafael observou a mão direita do patrão aproximar-se lentamente do interior do paletó.

— Eu mandei abrir.

Beatriz olhou para Clara antes de responder.

— Seu filho trancou minha filha aqui por quarenta minutos. Jogou a chave lá dentro e ficou rindo enquanto ela tentava alcançar.

Lavínia soltou uma exclamação impaciente.

— É uma criança, Dante. Essa mulher perdeu a cabeça.

— Minha filha também é uma criança — disse Beatriz.

Dante retirou a pistola do paletó. Não apontou diretamente para ela, mas o metal negro bastou para fazer duas empregadas recuarem.

Clara apertou o cachorro contra o peito.

— Mamãe...

Beatriz estendeu a mão livre para a filha sem desviar os olhos de Dante.

— Está tudo bem.

— Não está — respondeu Dante. — Você trancou meu filho numa jaula dentro da minha casa.

— Vicente jogou o próprio relógio lá dentro quando viu que eu vinha. Disse que entraria para buscá-lo porque um Montenegro não tinha medo de nada.

Ela ergueu a chave.

— Eu fechei a porta depois que ele entrou.

— Ela é louca! — Vicente gritou. — Mande matá-la, pai!

Um murmúrio constrangido atravessou os convidados. Dante virou o rosto para o filho. Pela primeira vez, sua expressão demonstrou algo além de raiva.

正文1

Beatriz continuou:

— Ele deixou Clara aqui por quarenta minutos. Vicente ficará cinco.

Lavínia aproximou-se de Dante.

— Você não pode permitir que uma doméstica castigue o herdeiro dos Montenegro diante de todos.

Beatriz colocou a chave sobre a mesa de jardim.

— Pode me demitir. Pode mandar seus homens me expulsarem. Mas primeiro ensine ao seu filho que o sobrenome dele não lhe dá o direito de tratar pessoas como animais.

Rafael prendeu a respiração. Ninguém falava assim com Dante Montenegro e continuava de pé.

Dante voltou a guardar a arma.

— Quanto tempo ele já ficou aí?

Beatriz consultou o relógio simples em seu pulso.

— Dois minutos.

Dante olhou para Vicente, que imediatamente parou de sacudir as grades.

— Então ainda faltam três.

Lavínia ficou imóvel.

— Dante, você só pode estar brincando.

— Eu pareço estar brincando?

Ela se calou.

Dante caminhou até a jaula e se abaixou diante do filho. Vicente tentou recuperar a postura arrogante, mas seu queixo tremia.

— Foi você quem trancou Clara?

— Era só uma brincadeira.

— Ela pediu para sair?

Vicente não respondeu.

— Olhe para mim.

O menino ergueu os olhos.

— Ela pediu?

— Pediu.

— E você abriu?

— Não.

Dante assentiu lentamente.

— Então agora você sabe quanto tempo cinco minutos podem durar quando outra pessoa segura a chave.

Vicente olhou para Beatriz com ódio. Ela não sorriu, não celebrou e não o humilhou. Apenas se ajoelhou ao lado de Clara para examinar o ferimento.

— Está ardendo?

— Um pouco.

— Vamos limpar assim que entrarmos.

Clara acariciou o cachorro.

— Ele estava com medo, mamãe.

— Eu sei.

Dante ouviu. A filha da empregada, ainda assustada, preocupava-se primeiro com o animal. Seu próprio filho, protegido por muros, câmeras e homens armados, havia aprendido a transformar medo alheio em diversão.

Quando os cinco minutos terminaram, Beatriz pegou a chave. Dante estendeu a mão.

— Eu abro.

Ela entregou sem discutir.

Dante destrancou a porta. Vicente saiu rapidamente, esperando ser abraçado ou consolado. O pai, porém, apenas apontou para Clara.

— Falta alguma coisa.

— O quê?

— Um pedido de desculpas.

Vicente fechou os punhos.

— Não vou pedir desculpas para filha de empregada.

Beatriz se levantou.

— Não obrigue agora.

Dante virou-se para ela.

— Está defendendo-o?

— Um pedido de desculpas dito por medo não ensina nada. Deixe que ele entenda primeiro.

— E se nunca entender?

— Então o senhor terá de repetir a lição até entender junto com ele.

Alguns convidados baixaram os olhos para esconder o espanto. Rafael quase sorriu.

Dante aproximou-se de Beatriz até restar menos de um passo entre os dois.

— Você sempre fala com seus patrões dessa maneira?

— Só quando eles perguntam.

— Eu não perguntei se precisava repetir a lição.

— Mas precisava ouvir.

Durante alguns segundos, o chefe mais temido de São Paulo apenas a observou. Beatriz sentiu o coração bater com força, mas não recuou.

正文2

Dante finalmente olhou para Rafael.

— Leve Clara à enfermaria. Trate o joelho dela. O cachorro fica.

Lavínia protestou:

— Um vira-lata dentro da mansão?

— Ele fica — repetiu Dante.

Clara abriu um sorriso tímido.

— O nome dele é Pingo.

Dante encarou o animal molhado.

— Então providenciem comida para Pingo.

Vicente passou pelo pai e correu para dentro da casa. No caminho, esbarrou deliberadamente no ombro de Beatriz.

— Você vai embora antes do café da manhã.

Beatriz não respondeu.

Mais tarde, quando a festa terminou, Dante encontrou o filho sentado no chão do quarto. Ao redor dele havia brinquedos importados, jogos ainda fechados e uma televisão do tamanho de uma parede.

Vicente mantinha os joelhos contra o peito.

— Veio me castigar de novo?

— Vim saber por que fez aquilo.

— Porque ela não pertence aqui.

— Clara?

— Nenhuma das duas.

Dante reconheceu naquela frase o tom de alguns parentes e, principalmente, de Lavínia. Sentiu um desconforto que não conseguiu nomear.

— Você também disse que Beatriz iria embora antes do café.

Vicente ergueu o queixo.

— Todas vão embora.

— Todas quem?

— As babás. As empregadas que tentam mandar em mim. Elas sempre vão.

Dante permaneceu em silêncio.

Vicente o encarou com os olhos úmidos.

— Você também vai viajar amanhã, não vai?

A pergunta atingiu Dante de forma inesperada.

— Tenho uma reunião no Rio.

— Eu sabia.

O menino virou o rosto. Dante quis dizer alguma coisa, mas seu telefone vibrou. Um de seus homens aguardava confirmação sobre a viagem.

Ele atendeu.

Quando saiu do quarto, Beatriz estava no corredor com uma caixa de primeiros socorros. Havia escutado apenas a última parte da conversa.

— O que está fazendo aqui? — Dante perguntou.

— Vicente bateu o braço na grade. Vim verificar.

— Ele não pediu.

— Crianças nem sempre sabem pedir aquilo de que precisam.

Dante olhou para a porta fechada do quarto.

Beatriz passou por ele, bateu duas vezes e entrou depois de esperar autorização. Não levou sermão nem ameaça. Levou antisséptico e uma escolha.

— Posso olhar seu braço ou posso deixar a caixa aqui. Você decide.

Vicente observou-a, desconfiado.

— Você não tem medo de mim?

— Tenho medo de muita coisa. De uma criança machucada fingindo que não sente dor, por exemplo.

Ele estendeu o braço devagar.

Dante assistiu pela fresta da porta. Pela primeira vez naquela noite, Vicente não gritou, não ordenou e não destruiu nada.

Quando Beatriz saiu, encontrou Dante ainda no corredor.

— Amanhã você continua trabalhando — disse ele.

— Eu não pedi para ficar.

— Também não pedi para você transformar meu jardim numa sala de castigo.

— Então estamos quites.

Ela se afastou.

Dante deveria ter ficado furioso. Em vez disso, percebeu que estava observando a mulher que acabara de desafiar toda a sua família.

Dentro do quarto, Vicente abriu a gaveta da escrivaninha. Tirou uma folha, escreveu com letras grandes e irregulares, depois dobrou o papel.

Na manhã seguinte, Beatriz encontrou o bilhete no bolso do uniforme.

“A JAULA NÃO TERMINOU.”

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部