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"Os Gêmeos do Bilionário Chamaram a Empregada de Mamãe!" Capítulo 10 — A Última Canção de Helena

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A notícia da localização dos gêmeos chegou à mansão antes do anoitecer. Joana preparou o quarto com as mantas preferidas dos meninos, enquanto Rafael organizava medidas adicionais de proteção recomendadas pelas autoridades.

Gabriel não permitiu que a alegria do reencontro escondesse o medo que os filhos tinham vivido. Pediu atendimento médico e orientação psicológica, explicou que não precisavam responder a perguntas naquela noite e ficou ao lado deles até adormecerem.

Miguel segurou seu dedo durante quase uma hora. Lucas pediu que a porta permanecesse entreaberta. Marina cantou apenas quando os dois quiseram ouvi-la.

No corredor, Gabriel encostou a cabeça na parede.

— Eu pensei que nunca mais fosse vê-los.

Marina ficou ao seu lado.

— Eles voltaram. Agora precisam de calma, de rotina e de pessoas em quem possam confiar.

— Eu não vou sair de perto deles.

— Então cumpra isso amanhã também.

Gabriel assentiu. Sabia que a promessa mais importante não era feita em momentos de desespero, mas nos dias comuns que viriam depois.

Na manhã seguinte, Ricardo informou que Verônica estava sendo investigada pelo desaparecimento dos meninos e pelas suspeitas relacionadas aos documentos da maternidade. Otávio Ferraz também fora localizado e chamado a prestar esclarecimentos.

— O que ela disse ontem não prova, por si só, como Helena morreu — explicou Ricardo. — Precisamos de prontuários, testemunhas e análise técnica.

— Eu quero saber exatamente o que aconteceu — respondeu Gabriel.

O advogado concordou.

— E vamos buscar isso pelos meios corretos.

A antiga enfermeira Célia aceitou finalmente prestar depoimento formal. Seu relato ajudou a esclarecer a sequência de acontecimentos na noite do parto.

Helena dera à luz os gêmeos após uma gestação delicada. Pouco depois, apresentara sinais de uma hemorragia grave. A equipe precisava agir rapidamente, mas as decisões foram atrasadas por falhas que exigiam investigação.

Célia lembrava que Helena pedira várias vezes que avisassem Gabriel. A enfermeira tentara telefonar, mas recebera ordens para não contatar familiares antes de uma suposta autorização administrativa.

— Quem deu essa ordem? — perguntou o investigador.

— O doutor Otávio. Verônica Albuquerque estava com ele no corredor.

Célia apresentou anotações pessoais feitas após o plantão. Não substituíam o prontuário, mas continham horários e nomes que poderiam ser confrontados com outros registros.

Outra testemunha, uma técnica de enfermagem que trabalhara no setor de recuperação, confirmou ter visto Helena consciente por alguns minutos depois do horário em que, segundo uma versão inicial dos fatos, ela já estaria sem condições de falar.

A técnica não ouvira toda a conversa. Lembrava apenas que Helena pedira que cuidassem dos bebês e não deixassem ninguém afastá-los de Gabriel.

Marina foi ouvida separadamente. Contou como recebera o envelope, como fora retirada do setor e por que acreditara que os três tinham morrido.

— Eu era jovem e tinha medo de perder o emprego — disse. — Depois fui dispensada. Achei que ninguém acreditaria em mim.

O investigador pediu que relatasse apenas o que vira diretamente, distinguindo lembranças de informações recebidas de outras pessoas. Marina agradeceu a orientação.

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— Quero que a verdade seja conhecida. Não quero inventar nada para preencher o que não sei.

A investigação financeira revelou pagamentos feitos a uma empresa de Otávio por intermédio de pessoas ligadas a Verônica. A justificativa contratual não correspondia aos serviços documentados.

Confrontado com os registros e depoimentos, Otávio deixou de sustentar sua versão inicial. Admitiu que recebera dinheiro e que contribuíra para impedir que Gabriel fosse informado imediatamente da gravidade do quadro de Helena.

Também reconheceu irregularidades na documentação usada depois do parto. A apuração técnica ainda precisaria estabelecer a responsabilidade de cada envolvido pela assistência médica inadequada e pelo desfecho fatal.

Para Gabriel, a distinção jurídica era importante. Não queria uma vingança baseada em suposições. Queria que o nome de Helena fosse respeitado e que ninguém pudesse esconder os fatos novamente.

Quando Ricardo lhe contou o essencial do depoimento, Gabriel ficou muito tempo em silêncio.

— Ela pediu por mim — disse finalmente.

— Pediu — confirmou o advogado.

— E eu não fui chamado.

Ricardo não tentou suavizar a resposta.

— Não. Mas agora sabemos que houve interferência para impedir o contato.

Gabriel levou a mão ao rosto. Durante anos, culpara Helena pela separação e a si mesmo por não chegar a tempo. Descobrir que alguém sabotara a comunicação não apagava sua antiga desconfiança.

À tarde, ele encontrou Marina na varanda, observando as árvores do jardim. Havia uma distância respeitosa entre eles desde a noite do resgate.

— Você acha que Helena me perdoaria? — perguntou Gabriel.

Marina demorou a responder.

— Não posso falar por ela. Mas conheci uma mulher que amava profundamente os filhos e queria que fossem felizes.

— Eu falhei com ela.

— Falhou quando não a escutou. Pode reconhecer isso sem transformar o resto da sua vida numa punição.

Gabriel olhou para Marina.

— Você sempre me diz o que eu preciso ouvir, mesmo quando é difícil.

— Porque não quero viver numa casa onde a verdade dependa do humor do dono.

Ele soltou uma risada breve, emocionada.

— Tem razão.

Alguns dias depois, Gabriel levou os meninos ao cemitério, em uma visita planejada com cuidado e sem exigir qualquer reação. Marina os acompanhou a pedido das crianças.

O túmulo de Helena ficava sob a sombra de uma árvore. Gabriel depositou flores brancas e permaneceu em silêncio, lembrando a jovem que sonhava ensinar música a crianças de bairros pobres.

Lucas segurava o pingente com duas estrelas. Miguel trazia um desenho feito naquela manhã: quatro pessoas de mãos dadas e, acima delas, uma estrela amarela.

Gabriel se ajoelhou diante da lápide.

— Eu devia ter acreditado em você, Helena. Não posso mudar aquilo. Mas vou cuidar dos nossos filhos e contar a eles quem você foi.

Lucas colocou o pingente junto às flores.

— Mamãe Helena... agora a gente está seguro.

Miguel deixou o desenho ao lado. Gabriel abraçou os dois, permitindo que ficassem ali pelo tempo que quisessem.

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Marina aguardava alguns passos atrás. Não pretendia ocupar o lugar da mulher que descansava naquele túmulo. A história de Helena pertencia aos filhos e merecia ser preservada.

Na saída, Gabriel caminhou ao lado dela por uma alameda silenciosa. Lucas e Miguel seguiam mais à frente com Joana e Rafael.

— Preciso lhe dizer uma coisa — começou ele.

Marina parou.

— Gabriel...

— Não vou pedir que substitua Helena. Ela sempre será parte da nossa família. Mas o que sinto por você não nasceu apenas da gratidão.

Marina respirou fundo.

— Eu tenho medo de que tudo seja rápido demais.

— Então não vamos correr. Quero conhecer seus sonhos, respeitar suas escolhas e merecer sua confiança.

Ela olhou para ele durante alguns segundos.

— Eu também sinto alguma coisa. Só não quero desaparecer dentro da sua vida.

— Não quero que desapareça. Quero caminhar ao seu lado.

Marina se aproximou primeiro. Gabriel esperou, dando-lhe tempo para mudar de ideia. Quando ela tocou seu rosto, os dois se beijaram com ternura, sem pressa.

Não foi uma promessa de esquecer o passado. Foi a possibilidade de construir algo novo sem negar o que existira antes.

Naquela noite, Lucas apareceu à porta do escritório com o urso de fita amarela nos braços.

— Papai?

Gabriel fechou o computador.

— Pode entrar, meu filho.

O menino subiu em seu colo e observou a fotografia de Helena sobre a mesa.

— A mamãe Helena gostava de música?

— Gostava muito.

Lucas pensou por um momento.

— A Marina também gosta.

Gabriel sorriu.

— Gosta, sim.

O menino encostou a cabeça no peito do pai.

— Papai... a Marina pode ser nossa mamãe também?

Gabriel abraçou o filho. A pergunta não exigia uma resposta apressada. Exigia respeito pelo amor que a criança já sentia e pela liberdade de Marina escolher seu próprio lugar.

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