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"Os Gêmeos do Bilionário Chamaram a Empregada de Mamãe!" Capítulo 8 — A Mulher Que Roubou o Lugar de Uma Mãe

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A fotografia do corredor da maternidade permaneceu aberta no computador de Ricardo durante toda a manhã. Gabriel não conseguia desviar os olhos da pasta nas mãos de Verônica.

O advogado examinou a imagem com cautela. Precisava confirmar a origem do arquivo, identificar quem o enviara e confrontar o título com os registros oficiais.

— Não vamos acusar ninguém com base apenas numa fotografia — advertiu. — Mas ela nos indica exatamente onde procurar.

Gabriel concordou. Sua vontade era confrontar Verônica imediatamente, mas os últimos dias lhe ensinaram que a pressa podia destruir provas e ferir pessoas inocentes.

Ricardo solicitara certidões, históricos de alterações e cópias autenticadas dos documentos relacionados ao nascimento dos gêmeos. Também preparava uma comunicação às autoridades sobre as possíveis irregularidades.

Enquanto isso, Marina acompanhava Lucas e Miguel no jardim. Os meninos tentavam plantar sementes em pequenos vasos. Miguel colocara terra demais num deles e olhava para Marina, esperando uma repreensão.

— Podemos tirar um pouquinho — sugeriu ela. — Quer tentar comigo?

O menino assentiu. Lucas ofereceu uma colher de plástico e os três começaram de novo, sem pressa.

Gabriel apareceu trazendo suco. Sentou-se no chão, apesar da calça social, e perguntou o que estavam plantando.

— Girassol — respondeu Lucas.

— E você, Miguel?

O menino apontou para o próprio vaso.

— Também.

Gabriel sorriu. Pequenas palavras surgiam quando os filhos se sentiam seguros. Ele não queria que o escândalo dos adultos roubasse novamente aquela tranquilidade.

No início da tarde, Ricardo telefonou. Uma primeira análise documental revelara discrepâncias entre o registro original de nascimento e um conjunto de declarações posteriores usadas para apresentar Verônica como mãe das crianças.

— O nome de Helena aparece nos documentos clínicos do parto — explicou. — Mas há declarações posteriores incompatíveis com essa informação.

— Verônica falsificou tudo?

— Ainda precisamos determinar quem produziu cada documento e quais órgãos receberam informações incorretas. A retificação exige procedimento legal.

Gabriel apoiou a mão na mesa.

— Meus filhos têm o direito de saber quem é a mãe deles.

— E vamos buscar isso pelos meios corretos.

Ricardo também identificara pagamentos feitos a uma empresa de Otávio por intermédio de uma sociedade ligada aos Albuquerque. As datas coincidiam com a elaboração dos documentos suspeitos.

Antes da reunião, Gabriel procurou uma especialista indicada por Ricardo para compreender como conversar com os filhos sobre a identidade materna. Não queria revelar fatos graves de maneira precipitada ou transformar Helena num nome associado apenas ao sofrimento.

A profissional recomendou explicações simples, adequadas à idade, e a preservação de fotografias e lembranças da mãe biológica. Também ressaltou que as crianças precisavam continuar recebendo apoio clínico, independentemente do andamento da investigação.

Gabriel pediu a Joana que separasse um álbum com imagens de Helena. Ao folheá-lo, encontrou uma fotografia da jovem sentada ao piano, sorrindo para a câmera.

Lucas entrou na sala e apontou para a imagem.

— Quem é?

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Gabriel o colocou no colo.

— É Helena. Sua mãe, que amava muito você e seu irmão.

O menino tocou a fotografia, pensativo. Gabriel não exigiu perguntas nem respostas. Ficou ali, oferecendo a presença que tantas vezes faltara.

Naquele momento, entendeu que recuperar a verdade não significava apenas vencer uma disputa judicial. Significava devolver aos filhos uma parte de sua própria história.

À noite, Gabriel pediu que Verônica o encontrasse na biblioteca. Ricardo participou da conversa como representante jurídico, com a concordância de ambos para registrar formalmente as informações apresentadas.

Verônica entrou usando um vestido azul-escuro e um colar de pérolas. Trazia a postura elegante que tantas vezes intimidara empregados e convidados.

— Espero que isso seja rápido — disse. — Tenho compromissos amanhã.

Gabriel colocou uma cópia da fotografia sobre a mesa.

— Reconhece este corredor?

Verônica olhou e desviou os olhos.

— É o hospital. E daí?

— Reconhece a pasta que está segurando?

— Não me lembro. Faz quatro anos.

Ricardo apresentou as divergências encontradas nos registros e perguntou se ela havia solicitado alguma alteração relativa à identificação materna dos gêmeos.

— Eu cuidei da documentação quando Gabriel estava destruído — respondeu Verônica. — Alguém precisava fazer alguma coisa.

— Cuidar de documentos não autoriza alterar fatos — disse Ricardo.

Verônica cruzou os braços.

— Está insinuando que cometi um crime?

— Estou pedindo que explique sua participação — respondeu o advogado.

Gabriel colocou sobre a mesa uma cópia de uma transferência bancária.

— E por que uma empresa ligada à sua família pagou Otávio na mesma semana?

Verônica ficou pálida.

— Era uma consultoria médica.

— Sobre o quê?

Ela não respondeu.

Gabriel respirou fundo. Durante anos, acreditara que aquela mulher cuidara dos filhos por generosidade. Agora precisava enfrentar a possibilidade de que tudo tivesse sido calculado.

— Você roubou o lugar da mãe dos meus filhos? — perguntou.

Verônica soltou uma risada nervosa.

— Helena estava morta! Eu fui quem ficou quando todos os outros desapareceram!

— Helena não desapareceu. Ela morreu depois de pedir ajuda.

— E você não estava lá, Gabriel! — gritou Verônica. — Eu estava!

A confissão involuntária fez o ambiente ficar imóvel.

Ricardo pediu que ela esclarecesse o que presenciara. Verônica apertou os dedos contra o braço da cadeira.

— Eu estava no hospital. Isso nunca foi segredo.

— O que é segredo — respondeu Gabriel — é o motivo de você aparecer com uma autorização para alterar o registro materno.

Verônica começou a chorar. Disse que passara anos amando Gabriel enquanto ele só tinha olhos para Helena. Afirmou que, depois da morte, quis construir a família que sempre desejara.

— Eu cuidei daqueles meninos! — insistiu. — Fiz tudo por vocês!

Gabriel pensou em Miguel encolhendo-se por causa de uma colher derrubada. Pensou em Lucas implorando para que Marina não fosse embora.

— Cuidar não é fazer uma criança ter medo — respondeu.

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Verônica enxugou o rosto com raiva.

— Você vai me abandonar por causa de uma empregada?

— Isto não é sobre Marina. É sobre Helena, Lucas, Miguel e tudo o que você escondeu.

Ele anunciou que buscaria orientação para encerrar o casamento, proteger os filhos e corrigir legalmente os documentos. Até que as providências fossem definidas, Verônica não teria contato com as crianças sem as salvaguardas necessárias.

— Você não pode simplesmente me expulsar! — protestou ela.

— Não vou agir fora da lei — respondeu Gabriel. — Ricardo vai cuidar dos procedimentos. Mas não continuaremos fingindo que nada aconteceu.

Verônica se levantou abruptamente e saiu. O som dos saltos ecoou pelo corredor até desaparecer.

Marina esperava no jardim com os meninos. Gabriel não lhe contou os detalhes diante deles. Apenas se sentou ao lado dos vasos de girassol e ajudou Miguel a regar a terra.

Mais tarde, quando as crianças dormiam, encontrou Marina na varanda.

— Os documentos confirmam que Helena era a mãe deles — disse. — Existem indícios sérios de fraude.

Marina apoiou as mãos na grade.

— Então a verdade finalmente está aparecendo.

— Ainda falta descobrir o que aconteceu naquela noite.

Ela olhou para ele.

— E o senhor vai continuar procurando, mesmo que doa?

— Principalmente porque dói.

Naquela mesma hora, Verônica entrou num apartamento reservado em seu nome. Trancou a porta e ligou para Otávio Ferraz.

— Gabriel descobriu os registros. Ricardo tem cópias das transferências.

O médico soltou uma exclamação abafada.

— Eu disse que você deveria ter deixado aquilo no passado!

— Se eu cair, você cai comigo.

— Você não entende — respondeu Otávio, com a voz trêmula. — Ainda existe uma testemunha daquela noite.

Verônica apertou o telefone.

— Célia?

— Não. Alguém que viu o que aconteceu depois que todos pensaram que Helena já não podia falar.

A ligação caiu. Verônica permaneceu imóvel, percebendo que o segredo que guardara por quatro anos talvez fosse ainda maior do que imaginava.

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