"Os Gêmeos do Bilionário Chamaram a Empregada de Mamãe!" Capítulo 6 — A Verdade Sobre a Noite do Parto
Na manhã seguinte ao jantar, Gabriel encontrou a mansão estranhamente silenciosa. A notícia da falsa acusação já circulava entre os funcionários, mas ninguém se atrevia a comentá-la perto de Verônica.
Gabriel havia suspendido as funções da esposa na organização da casa. Pediu a Joana que cuidasse da rotina das crianças e garantiu a Marina que nenhuma decisão sobre seu emprego seria tomada sem ouvi-la.
Verônica se recusara a pedir desculpas. Insistia que entrara no quarto para procurar uma toalha e que tudo não passava de uma coincidência. A gravação, porém, mostrava a caixa em suas mãos.
— Você vai acreditar numa empregada em vez de acreditar na mulher com quem se casou? — perguntou ela no café.
— Vou acreditar nas imagens e nos fatos — respondeu Gabriel. — E quero uma explicação sobre Helena.
— Já expliquei. Você está obcecado por uma mulher morta.
Gabriel se levantou.
— Não use a morte dela para fugir das minhas perguntas.
Na biblioteca, Ricardo aguardava com uma pasta e uma expressão grave. A enfermeira aposentada que concordara em conversar se chamava Célia Nascimento. Ela trabalhara na maternidade durante o parto dos gêmeos.
— Célia não quer aparecer aqui — explicou Ricardo. — Vamos encontrá-la num escritório reservado, com autorização dela e tudo documentado.
Marina pediu para acompanhá-los. Reconhecia o nome da enfermeira, embora não soubesse se ela se lembraria de uma auxiliar de apoio que deixara o hospital tão depressa.
Gabriel concordou. Antes de sair, entrou no quarto dos filhos. Lucas construía uma torre de blocos enquanto Miguel organizava carrinhos por cor.
— O papai vai resolver uma coisa importante e volta para o almoço — prometeu.
Lucas levantou o rosto.
— Marina volta?
— Volta comigo.
Miguel entregou ao pai um carrinho azul. Gabriel guardou o brinquedo no bolso, como se carregasse um pequeno compromisso de voltar para casa.
No escritório de Ricardo, Célia aguardava com as mãos entrelaçadas. Era uma mulher de cabelos grisalhos, olhar atento e postura de quem passara anos aprendendo a observar sem interromper.
Quando viu Marina, levantou-se imediatamente.
— Eu conheço você. Trabalhava no apoio da maternidade.
— A senhora se lembra de mim?
— Lembro porque desapareceu do plantão depois daquela noite.
Marina sentiu as pernas enfraquecerem. Ricardo ofereceu água e explicou que ninguém era obrigado a responder perguntas que não desejasse responder.
Célia começou pelo que presenciara. Helena dera entrada com sinais de trabalho de parto e grande ansiedade. Perguntava repetidamente se Gabriel havia sido avisado.
— Eu mesma pedi à recepção que tentasse localizar o pai — contou. — Depois soube que a ligação não tinha sido completada.
— Quem impediu? — perguntou Gabriel.
— Não vi quem cancelou o aviso. Mas ouvi Verônica discutindo com o doutor Otávio no corredor.
Célia explicou que Helena apresentara uma complicação grave após o nascimento dos bebês. A equipe precisava agir depressa, mas houve atrasos e ordens contraditórias.
— Não posso afirmar sozinha o que causou a morte — disse. — Os registros médicos e a avaliação de especialistas precisam esclarecer isso.
Gabriel assentiu, embora cada palavra lhe custasse.
— O que a senhora viu?
— Vi a equipe procurar o médico responsável. Vi Verônica entrar numa área restrita. E ouvi Helena pedir que avisassem você.
Marina fechou os olhos. Uma lembrança atravessou sua mente: Helena estendendo a mão da cama, pedindo que guardasse um envelope para os filhos.
— Ela me disse que tinha medo — murmurou Marina.
Célia olhou para ela.
— Você estava com ela antes de eu chegar. Eu me lembro agora.
— Ela segurou meu braço e pediu que eu não deixasse a carta desaparecer.
Gabriel levou a mão ao rosto. Não queria chorar diante das duas mulheres, mas a imagem de Helena esperando por ele era insuportável.
Célia continuou. Depois do parto, os bebês permaneceram sob observação e recebiam cuidados de uma equipe especializada. Helena havia gravado uma canção que os profissionais usavam para acalmá-los.
— A gravação foi reproduzida muitas vezes — explicou. — Não apenas naquela noite. Durante semanas, quando os meninos estavam sob acompanhamento.
Marina ergueu os olhos.
— Então é por isso que eles reconhecem a melodia.
— É possível. Mas eu não posso dizer exatamente como cada criança guarda uma lembrança — respondeu Célia.
A enfermeira contou que uma colega preservara uma cópia da gravação e a levara, mais tarde, à equipe de cuidadoras dos meninos. A música continuou fazendo parte da rotina deles durante algum tempo.
— Até Verônica descobrir — acrescentou.
Gabriel lembrou-se da ordem gravada no corredor da mansão. A esposa proibira que os filhos ouvissem a voz de Helena. Agora aquela proibição adquiria um significado ainda mais cruel.
Ricardo perguntou se Célia guardara documentos. Ela abriu uma bolsa e retirou um pequeno dispositivo de armazenamento, junto de uma anotação feita anos antes.
— Eu copiei uma gravação porque temia que a original desaparecesse. Não sabia a quem entregar.
— A senhora ouviu o conteúdo? — perguntou Ricardo.
— Apenas uma parte. Não é só a canção.
O advogado conectou o dispositivo a um computador isolado e verificou os arquivos sem alterá-los. Havia uma gravação curta com a voz de Helena, enfraquecida, falando entre pausas.
— Se eu morrer... foi porque alguém quis me calar.
Gabriel fechou os olhos. Marina segurou a borda da cadeira. A frase não identificava um culpado, mas mostrava que Helena temia uma ameaça real.
— Precisamos preservar o arquivo e verificar sua autenticidade — disse Ricardo. — Também precisamos entender quando e em que circunstâncias foi gravado.
Célia assentiu.
— Eu quero ajudar. Só não quero que outra pessoa seja ameaçada por causa disso.
Antes de encerrar a reunião, Ricardo perguntou a Célia se havia testemunhas da circulação da gravação. Ela mencionou duas profissionais que trabalharam no acompanhamento dos bebês depois da alta hospitalar.
— Uma delas levava um pequeno aparelho com a canção — recordou. — Dizia que os meninos ficavam mais tranquilos quando ouviam a voz da mãe.
Gabriel pediu os nomes. Ricardo anotou as informações, explicando que faria contato sem revelar detalhes desnecessários do caso.
Marina quis saber se Célia se lembrava de quem ordenara sua dispensa. A enfermeira negou, mas recordou ter visto a supervisora administrativa conversando com Otávio no mesmo dia.
— Eu era nova e tinha medo de perder meu trabalho — confessou Marina. — Quando me disseram que a família inteira tinha morrido, não tive coragem de insistir.
Célia segurou sua mão.
— Você guardou a carta. Isso pode ser importante agora.
Marina respirou profundamente. Durante anos, acreditara que sua impotência naquela noite significava covardia. Pela primeira vez, enxergou que preservar o envelope fora uma escolha corajosa diante de ameaças reais.
Na volta, Gabriel permaneceu calado. Marina observava as ruas de São Paulo pela janela, pensando na jovem mãe que conhecera e no homem que agora descobria o tamanho da perda.
— Não precisa fingir que está bem — disse ela finalmente.
— Eu a abandonei quando mais precisava de mim.
— O senhor tomou decisões erradas. Mas quem falsificou informações também precisa responder pelo que fez.
Gabriel olhou para Marina.
— Você não me desculpa facilmente.
— Não seria justo com Helena nem com seus filhos.
Ele aceitou a resposta. Pela primeira vez, entendeu que o respeito de Marina não poderia ser comprado com presentes ou promessas.
Ao chegarem à mansão, Miguel correu até Gabriel. O pai o ergueu nos braços e mostrou o carrinho azul que guardara no bolso.
— Eu disse que voltaria.
Lucas aproximou-se e apontou para Marina.
— Música hoje?
Marina se agachou.
— Se vocês quiserem. Mas primeiro vamos almoçar.
Gabriel observou os três e decidiu que não permitiria mais que os meninos fossem usados numa disputa entre adultos.
No escritório, Ricardo enviou uma última mensagem. O hospital confirmara a existência de alterações em registros antigos e informara que colaboraria com uma requisição formal.
Pouco depois, chegou outro aviso: Otávio Ferraz solicitara acesso urgente aos arquivos de quatro anos antes.
Gabriel encarou a tela. O médico sabia que a investigação estava chegando perto demais.
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