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"Os Gêmeos do Bilionário Chamaram a Empregada de Mamãe!" Capítulo 3 — A Madrasta Que Proibia as Crianças de Cantar

正文开头

O primeiro sinal de que alguma coisa estava errada apareceu durante o café da manhã. Miguel derrubou uma colher e se encolheu na cadeira antes mesmo que alguém reagisse.

Verônica ergueu os olhos do celular.

— Outra vez, Miguel? Você nunca aprende?

O menino abaixou a cabeça. Lucas empurrou discretamente sua própria colher para perto do irmão, como se quisesse resolver o problema antes que a repreensão piorasse.

Gabriel observou tudo da porta. A reação dos filhos não combinava com um acidente tão pequeno.

— Foi só uma colher — disse ele, aproximando-se.

Verônica sorriu.

— Estou tentando ensinar bons modos. Você sabe como eles precisam de disciplina.

Gabriel se abaixou ao lado de Miguel.

— Não aconteceu nada, filho. Vamos pegar outra.

O menino não respondeu. Só olhou para Verônica antes de aceitar a mão do pai.

Quando Marina entrou com uma jarra de suco, os ombros dos dois meninos relaxaram. Lucas estendeu a mão na direção dela.

— Marina, senta?

— Agora ela está trabalhando — respondeu Verônica, imediatamente.

Gabriel puxou uma cadeira.

— Pode ficar cinco minutos.

Verônica fechou o celular com força.

Depois do café, Gabriel telefonou à terapeuta de linguagem que acompanhava os meninos. Pediu uma reunião para entender o progresso recente e a melhor maneira de apoiar a comunicação deles.

A profissional explicou que avanços podiam ocorrer de forma irregular e que ambientes previsíveis, acolhedores e sem pressão ajudavam as crianças a se expressar.

— Não trate uma frase como obrigação de repetir outra — orientou. — Escute, responda e respeite o ritmo deles.

Gabriel anotou tudo. Pela primeira vez, não delegou a conversa a uma secretária.

No início da tarde, Marina encontrou Lucas sentado no chão do quarto, olhando para uma caixa de brinquedos fechada.

— Quer brincar? — perguntou.

O menino apontou para o armário alto.

Marina abriu a porta e viu um urso de pano antigo, com uma fita amarela no pescoço. Lucas o abraçou imediatamente.

— Era da mamãe? — ele perguntou, quase num sussurro.

Marina sentiu um aperto no peito.

— Não sei, meu amor. Podemos perguntar ao seu pai.

Miguel se aproximou e tocou a fita.

— Música — murmurou.

Marina sentou-se com eles no tapete. Não cantou de imediato. Perguntou se queriam ouvir uma história e esperou que ambos concordassem.

A porta se abriu antes que começasse.

Verônica ficou imóvel ao ver o urso.

— Onde você encontrou isso?

— Estava no armário, senhora — respondeu Marina.

— Eu mandei guardar esse brinquedo!

Ela avançou e puxou o urso dos braços de Lucas. O menino soltou um grito curto, assustado.

— Não! — disse Marina, levantando-se. — Por favor, devolva. Ele está com medo.

Verônica virou-se lentamente.

— Você está me dando ordens dentro da minha casa?

— Estou pedindo que não assuste as crianças.

— Você não sabe nada sobre educar meus filhos!

Lucas começou a chorar. Miguel se escondeu atrás da cama.

正文1

Marina manteve a voz baixa.

— Criança não precisa ter medo dentro da própria casa.

O tapa veio antes que ela pudesse se afastar.

Marina levou a mão ao rosto, atônita. Verônica parecia igualmente surpresa por ter perdido o controle, mas não pediu desculpas.

— Aprenda seu lugar — sibilou.

— Qual lugar, Verônica?

Gabriel estava à porta.

O silêncio seguinte foi tão pesado que até Lucas parou de chorar por um instante.

Gabriel entrou, pegou o urso das mãos da esposa e o devolveu ao filho.

— Eu vi o que você fez.

— Ela me provocou! Está colocando os meninos contra mim!

— Você acabou de agredir uma funcionária diante deles.

Verônica apontou para Marina.

— Essa mulher quer tomar o meu lugar!

— Ninguém está tomando seu lugar. Você está destruindo a confiança que deveria construir.

A esposa abriu a boca, mas Gabriel ergueu a mão.

— Saia do quarto. Vamos conversar depois.

Verônica lançou um olhar de ódio a Marina e saiu, batendo a porta.

Gabriel se ajoelhou ao lado dos meninos.

— Eu sinto muito por vocês terem visto isso.

Lucas apertou o urso. Miguel observou o pai com os olhos molhados.

— Bravo? — perguntou baixinho.

Gabriel demorou um segundo para entender.

— Não estou bravo com vocês. Nunca por causa de uma colher, um brinquedo ou uma música.

Miguel se aproximou e encostou a testa no ombro dele. Gabriel o abraçou com cuidado, sem exigir mais palavras.

Quando os meninos se acalmaram, Gabriel voltou-se para Marina.

— Você está machucada?

— Estou bem.

— Não precisa dizer isso para me tranquilizar.

Ela baixou a mão do rosto.

— Já passei por coisas piores. Mas eles não deveriam passar.

Gabriel concordou. Pediu que Joana acompanhasse as crianças enquanto conversava com Rafael sobre as câmeras da casa.

Queria entender havia quanto tempo aquele clima de medo existia. A mansão tinha câmeras nos corredores e áreas comuns, mas não nos quartos e banheiros.

Rafael verificou o sistema e voltou com uma notícia inquietante.

— Senhor, há lacunas nos arquivos. Algumas gravações foram apagadas manualmente.

— Quem autorizou?

— A conta de administração usada pela senhora Verônica.

Gabriel sentiu a mandíbula endurecer.

— Preserve tudo o que ainda existe. Não altere nenhum arquivo.

— Sim, senhor.

Naquela noite, Joana encontrou Gabriel na biblioteca. Trazia uma bandeja de chá que ele não pedira.

— Posso falar uma coisa, senhor?

— Claro.

Ela colocou a bandeja na mesa, mas não se sentou.

— Eu deveria ter falado antes. Tive medo de perder meu emprego.

Gabriel fechou o computador.

— Estou ouvindo.

Joana contou que Verônica proibira certas músicas logo após o casamento. Também retirara fotografias de Helena das áreas comuns e mandara guardar os brinquedos recebidos quando os meninos eram bebês.

— Ela dizia que era para evitar lembranças dolorosas — explicou.

— E você acreditou?

— No começo, sim. Depois percebi que as crianças ficavam tensas quando ela entrava. Mas sempre me diziam que era por causa das dificuldades de comunicação.

正文2

Gabriel olhou para a janela escura.

— Por que ninguém me contou?

Joana hesitou.

— Porque o senhor quase nunca estava aqui. E quando estava, a senhora Verônica falava por todos.

A resposta doeu mais do que qualquer acusação.

— Continue.

Joana recordou uma noite em que ouvira Miguel chorando no corredor. Verônica ordenara que ninguém o pegasse no colo até que parasse.

— Eu desobedeci — confessou. — Fiquei com ele até adormecer.

Gabriel apertou os dedos contra a mesa.

— Nunca mais esconda algo assim de mim.

— Não vou esconder.

Ele respirou fundo.

— Vou providenciar acompanhamento adequado e garantir que meus filhos estejam seguros. Você pode me ajudar a reconstruir a rotina deles?

— Posso, senhor.

Enquanto isso, Verônica estava em seu quarto, falando ao telefone em voz baixa.

— A empregada está se aproximando demais. Gabriel começou a fazer perguntas.

Do outro lado da linha, um homem respondeu com irritação.

— Eu avisei que aquela história não podia voltar.

— Então resolva o problema.

— Não sou seu empregado, Verônica.

Ela desligou antes que ele terminasse. Em seguida, abriu uma gaveta trancada e retirou um pequeno aparelho antigo, usado para reproduzir gravações.

Por um instante, hesitou. Depois apertou um botão.

A voz de Helena encheu o quarto com a mesma melodia que Marina cantara.

Verônica interrompeu a reprodução imediatamente, como se tivesse tocado numa brasa.

No quarto das crianças, Marina ajeitava o cobertor de Lucas. Gabriel estava sentado perto da janela, observando os dois filhos.

— Eles sempre foram assim? — perguntou ele.

— Assim como?

— Com medo de fazer barulho.

Marina pensou antes de responder.

— Não sei como eram antes. Mas sei que, quando alguém escuta sem ameaçar, eles tentam se comunicar.

Gabriel olhou para Lucas, que acariciava a fita amarela do urso.

— Quero aprender a fazer isso.

Marina sorriu discretamente.

— Então comece ficando.

Mais tarde, quando todos dormiam, Gabriel recebeu uma mensagem de Rafael. O segurança conseguira recuperar um trecho de gravação de semanas anteriores.

No vídeo, Verônica aparecia no corredor, ordenando que uma funcionária desligasse uma música que vinha do quarto das crianças.

Gabriel ouviu a frase repetidas vezes.

— Nunca mais deixem esses meninos ouvir a voz daquela mulher!

Ele desligou a tela, incapaz de ignorar o que acabara de descobrir.

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