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"A Mulher Que Ele Jurou Nunca Mais Ver" Capítulo 7 — O Homem Que Ficou Quando Todos Foram Embora

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Marina tentou ignorar o incômodo na parte baixa da barriga durante toda a manhã. Estava revisando a apresentação de uma empresa de educação infantil quando precisou interromper a leitura e apoiar as mãos sobre a mesa.

A dor não era intensa, mas o medo veio imediatamente. Três perdas anteriores haviam ensinado seu corpo a reagir antes mesmo que a razão encontrasse explicações.

Ela telefonou para a doutora Helena Azevedo, descreveu o sintoma e recebeu orientação para procurar avaliação médica.

Antes de sair, avisou a equipe de que adiaria as reuniões. Não queria repetir o antigo hábito de colocar o trabalho acima da própria saúde.

Gabriel estava no mesmo prédio para uma reunião com investidores. Encontrou Marina esperando o elevador, pálida e com a bolsa apertada contra o peito.

— Você está bem?

— Vou ao hospital. A médica quer me examinar.

Ele hesitou por um instante.

— Quer que eu a acompanhe ou prefere ir sozinha?

Marina pensou em dizer que não precisava de ninguém. Era uma resposta antiga, construída depois de tantas decepções. Mas naquele momento queria companhia.

— Pode vir comigo?

— Claro.

No carro, Gabriel cancelou a própria reunião e pediu ao motorista que seguisse diretamente para a maternidade. Não tentou tranquilizá-la com promessas que não podia cumprir. Ofereceu água e deixou que ela permanecesse em silêncio.

Na recepção, Marina explicou que estava com cinco meses de gestação e relatou o histórico obstétrico. A equipe a encaminhou para avaliação. Gabriel aguardou onde foi orientado, sem reivindicar acesso por ser influente.

Quando Helena autorizou a presença de um acompanhante, Marina pediu que ele entrasse. O exame e a ultrassonografia indicaram que o bebê estava bem naquele momento. A médica recomendou repouso relativo, hidratação e acompanhamento dos sintomas.

Marina chorou assim que ouviu os batimentos cardíacos. Gabriel segurou sua mão depois que ela a estendeu. Nenhum dos dois disse nada até o exame terminar.

— O quadro está estável — explicou Helena. — Mas quero que me procure imediatamente se a dor voltar, piorar ou surgir qualquer outro sinal de alerta.

No corredor, Marina ficou olhando a imagem impressa do ultrassom. Gabriel perguntou se ela gostaria de comer alguma coisa. Ela balançou a cabeça e pediu apenas alguns minutos sentada.

— Na terceira vez, eu estava sozinha — contou, sem olhar para ele.

Gabriel sentou-se ao lado, esperando que ela continuasse.

— Eu tinha perdido o bebê. Leonardo ficou na porta do banheiro olhando o telefone. Disse que não podia faltar a uma reunião. Depois, no hospital, ninguém veio.

As palavras saíram devagar. Marina lembrava do lençol frio, da enfermeira perguntando por um familiar e da vergonha que sentira por não ter ninguém para chamar.

— Durante muito tempo, achei que talvez eu estivesse exigindo demais — confessou. — Como se pedir companhia naquele momento fosse uma fraqueza.

— Você não precisava ter passado por aquilo sozinha — respondeu Gabriel.

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Ela enxugou o rosto. Não queria que ele transformasse sua dor numa promessa de vingança. Gabriel pareceu compreender. Em vez de falar sobre Leonardo, perguntou se poderia avisar Camila de que as reuniões seriam remarcadas.

Nos dias seguintes, Marina trabalhou de casa, com horários reduzidos. Gabriel enviou documentos apenas quando ela solicitou. Algumas tardes, aparecia com sopa feita por sua cozinheira e aceitava ir embora se Marina estivesse cansada.

A simplicidade daqueles gestos a desconcertava. Leonardo costumava oferecer presentes caros depois de desaparecer por dias. Gabriel perguntava se ela tinha dormido bem e ouvia a resposta.

Quando Helena autorizou uma breve viagem de descanso, Gabriel mencionou sua casa em Campos do Jordão. Era uma propriedade tranquila, com quartos separados e espaço para que Marina recebesse quem desejasse.

— Não precisa aceitar — disse. — É apenas uma opção. Você também pode ficar onde se sentir melhor.

Marina decidiu ir por um fim de semana. Convidou Camila para visitá-los no sábado, e Gabriel providenciou que tudo fosse organizado sem alterar a rotina da equipe doméstica.

Na primeira manhã, Marina caminhou devagar pelo jardim. O ar fresco e o cheiro das árvores lhe trouxeram lembranças dos meses em que tentara reconstruir a vida naquela mesma região.

Gabriel apareceu com duas xícaras de chá. Ela contou que, quando descobriu a gravidez, comprara três testes e ficara sentada no chão do banheiro sem conseguir acreditar no resultado.

— Eu estava feliz — disse. — Mas também estava apavorada.

— Ainda está?

— Todos os dias um pouco. Só que agora consigo sentir alegria também.

No almoço, discutiram um projeto de capacitação para mulheres que haviam interrompido os estudos. Gabriel discordou de uma estimativa financeira. Marina mostrou os dados e defendeu seu cálculo. Ele pediu tempo para rever os números.

Mais tarde, voltou com um sorriso.

— Você estava certa. Minha equipe não considerou os custos de transporte.

Marina riu. Havia passado anos ouvindo Leonardo tratar suas correções como ataques pessoais. Com Gabriel, uma divergência não ameaçava o afeto nem o respeito.

No sábado, Camila chegou trazendo livros e um bolo de fubá. Observou os dois conversando durante o café e, quando ficou sozinha com Marina, fez uma pergunta discreta.

— Você está gostando dele?

Marina demorou a responder.

— Estou começando a gostar de quem sou quando estou perto dele.

Camila sorriu, mas lembrou que Leonardo ainda poderia buscar reconhecimento de paternidade depois do nascimento. Marina disse que estava preparada para tratar do assunto legalmente. Não confundiria a criança com o casamento que terminara.

Naquela noite, uma chuva fina cobriu as janelas da sala. Gabriel acendeu a lareira, e Marina se acomodou numa poltrona com uma manta sobre os joelhos.

Conversaram sobre os pais dela, sobre a infância dele em Belo Horizonte e sobre o modo como o sucesso às vezes tornava as pessoas incapazes de ouvir um não. Quando o silêncio chegou, não pareceu constrangedor.

— Posso lhe dizer uma coisa sem esperar uma resposta? — perguntou Gabriel.

Marina assentiu.

— Estou me apaixonando por você, Marina.

Ela sentiu o rosto aquecer. Por um instante, quis se aproximar e esquecer todos os receios. Depois, lembrou-se das promessas que um dia acreditara eternas.

— Tenho medo — admitiu. — Não de você. De acreditar novamente e perder tudo.

Gabriel apoiou a xícara na mesa.

— Não precisa me responder hoje. Nem amanhã. Quero que continue livre para decidir.

Marina deixou escapar um sorriso emocionado. Gabriel aproximou-se apenas quando ela estendeu a mão. Os dedos se encontraram sobre o braço da poltrona, e aquele contato bastou.

Um ruído de carro interrompeu a conversa. O funcionário da portaria telefonou para informar que um visitante insistia em entrar. Gabriel perguntou o nome e ouviu a resposta com expressão séria.

— É Leonardo Vasconcelos — disse. — Quer falar com você.

Marina levantou-se devagar. Não desejava recebê-lo dentro da casa. Pediu que informassem sua recusa. Mas Leonardo já havia saído do carro e gritava perto do portão, sob a chuva.

Gabriel acompanhou Marina até a varanda coberta, mantendo distância da entrada. Ela pediu que Leonardo fosse embora e marcasse qualquer conversa necessária com os advogados.

Leonardo não escutou. Viu Gabriel retirar o próprio casaco e colocá-lo sobre os ombros de Marina. Quando Gabriel beijou delicadamente a testa dela, a expressão do visitante mudou.

— Ela ainda é a mãe do meu filho! — gritou Leonardo.

Marina sentiu a mão apertar o casaco. Pela primeira vez, ouviu o ex-marido chamar aquela criança de filho diante de outra pessoa. E percebeu que ele pronunciava a frase como uma reivindicação, não como uma pergunta.

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