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"A Mulher Que Ele Jurou Nunca Mais Ver" Capítulo 3 — A Rainha da Beleza Roubou Meu Lugar

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A notícia do divórcio saiu numa quinta-feira. O comunicado preparado pela assessoria de Leonardo Vasconcelos afirmava que o casal havia decidido seguir caminhos diferentes, mantendo respeito e admiração mútuos.

Marina leu a frase três vezes. Nenhum jornalista mencionava as noites de trabalho que haviam construído a empresa. Nenhum deles sabia das perdas, dos corredores de hospital ou das conversas interrompidas.

Uma semana depois, as fotografias apareceram. Leonardo deixava um hotel em Copacabana acompanhado de Verônica Albuquerque, modelo e candidata a um importante título nacional de beleza.

A jovem sorria para as câmeras. Leonardo não tentou esconder o rosto. Na manhã seguinte, um portal publicou que o empresário finalmente havia reencontrado a felicidade.

Marina estava na cozinha quando viu a notícia. A xícara de café permaneceu intocada. Não era apenas ciúme. Era a rapidez com que sua existência fora substituída por uma história mais conveniente.

Dona Lúcia telefonou de Sorocaba.

— Minha filha, não leia o que estão dizendo.

— Estão dizendo o quê, mãe?

Houve silêncio.

— Que você não queria formar uma família. Que ele tentou de tudo.

Marina fechou os olhos. Durante anos, protegera a intimidade das gestações interrompidas. Agora estranhos transformavam sua dor numa explicação para o abandono.

O primeiro encontro com Verônica aconteceu por acaso, num restaurante dos Jardins. Marina havia marcado uma conversa com Camila Ferreira, amiga da universidade que se tornara advogada.

Ao entrar, encontrou Leonardo e Verônica numa mesa próxima à janela. Ele se levantou por educação. Verônica permaneceu sentada, exibindo um anel novo.

— Marina! Que surpresa — disse a jovem. — Espero que não se importe de nos ver juntos.

— Vim encontrar uma amiga — respondeu Marina.

Verônica ergueu a mão para examinar o diamante.

— Leonardo tem sido maravilhoso. Algumas mulheres realmente nasceram para ser esposas. Outras parecem mais felizes sozinhas.

Marina sentiu o golpe, mas não lhe deu a reação desejada.

— Felicidade não se mede pelo tamanho de um anel.

Leonardo franziu a testa.

— Não precisamos criar uma situação desagradável.

Marina olhou para ele.

— Concordo. Poderia ter dito isso antes de ela começar.

Seguiu até a mesa de Camila. A amiga apertou sua mão com força.

— Você não merece passar por isso.

— Eu sei — respondeu Marina. E percebeu, surpresa, que começava a acreditar nessas palavras.

Camila examinou a documentação do divórcio. Explicou que algumas cláusulas poderiam ser contestadas, sobretudo se existissem provas de ocultação de direitos econômicos. Marina mostrou mensagens antigas, mas disse que precisava de tempo antes de iniciar qualquer disputa.

— Tempo para quê? — perguntou Camila.

— Para lembrar quem eu sou sem precisar falar dele todos os dias.

A resposta não resolveu os problemas. Entretanto, deu a Marina uma direção. Ela encerrou os compromissos sociais, alugou uma casa em Campos do Jordão e passou a trabalhar de forma independente.

A casa tinha janelas amplas e um jardim pequeno. Não era uma mansão, e isso a agradava. Pela primeira vez em anos, ninguém escolhia sua roupa ou lhe dizia como deveria sorrir.

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Marina acordava cedo, preparava café e analisava projetos de pequenas empresas. Investia recursos próprios, acumulados desde antes do casamento, em iniciativas de educação, saúde e tecnologia voltadas para mulheres.

Alguns negócios deram resultados rápidos. Outros exigiram paciência. Ela recusou propostas que prometiam lucros enormes à custa de salários injustos. Preferia crescer sem repetir os métodos que aprendera a desprezar.

À noite, às vezes, a tristeza voltava. Marina encontrava no fundo de uma mala o par de meias comprado durante a terceira gravidez. Sentava-se na cama e chorava, sem tentar convencer a si mesma de que já estava curada.

Em uma dessas noites, ligou para o pai.

— Pai, você já sentiu que perdeu tudo o que construiu?

Antônio demorou a responder. Sua voz estava cansada, mas firme.

— Quando sofri o acidente, achei que tinha deixado de ser útil. Sua mãe me mostrou que uma pessoa vale mais do que o trabalho que consegue fazer.

Marina apertou o telefone contra o ouvido.

— Eu não sei se consigo começar de novo.

— Você já começou, filha. Só ainda não percebeu.

Na semana seguinte, recebeu a notícia de que Verônica vencera o concurso de beleza. A cerimônia havia contado com patrocinadores ligados a grandes fundos de investimento, e Leonardo aparecera na primeira fila, aplaudindo orgulhoso.

A imprensa publicou fotografias dos dois abraçados. Em entrevistas, Verônica insinuava que logo haveria um casamento inesquecível.

Marina desligou o celular. Não queria acompanhar a vida deles. Tinha reuniões para preparar e uma visita marcada a uma empresa de equipamentos médicos em Campinas.

Foi durante essa viagem que sentiu o primeiro enjoo. Atribuiu o mal-estar à estrada. Dois dias depois, o cheiro do café que sempre amara a fez correr até o banheiro.

Ela consultou o calendário. Contou os dias uma vez. Depois outra. Sentiu as mãos ficarem frias.

A última noite com Leonardo voltou à memória. O abraço desesperado, a promessa que nenhum dos dois fez, a manhã seguinte. Marina havia acreditado que aquela despedida não deixara nada além de mais uma ferida.

Saiu de casa usando um casaco simples e foi até uma farmácia. Comprou três testes de gravidez. A atendente perguntou se precisava de mais alguma coisa. Marina negou, incapaz de confiar na própria voz.

Em casa, colocou os testes sobre a pia. Esperou os minutos indicados, olhando para o relógio como se pudesse impedir o tempo de avançar.

O primeiro resultado foi positivo. O segundo também. Quando o terceiro confirmou a gravidez, Marina se sentou no chão.

— Meu Deus — sussurrou. — Meu Deus, por favor.

Chorou de alegria, medo e lembranças. Não sabia se conseguiria suportar outra perda. Não sabia como explicaria aquela criança ao mundo. Sabia apenas que, pela primeira vez em muito tempo, uma possibilidade de futuro crescia dentro dela.

Na manhã seguinte, marcou uma consulta com a doutora Helena Azevedo, especialista em gestação de risco. A médica ouviu seu histórico sem interrompê-la e solicitou exames e acompanhamento cuidadoso.

Durante o ultrassom, Marina prendeu a respiração. A médica movimentou o aparelho, observou a tela e finalmente sorriu.

— Aqui está o coraçãozinho.

Um som rápido preencheu a sala. Marina levou a mão à boca. Não ousava acreditar que podia ouvir aquilo outra vez.

— Está tudo bem? — perguntou.

— Hoje, os sinais são bons. Vamos acompanhar cada etapa com atenção.

Marina saiu da clínica segurando a primeira imagem do bebê. Sentou-se num banco do jardim e ligou para Dona Lúcia.

— Mãe, preciso contar uma coisa.

A mãe ouviu em silêncio. Depois começou a chorar.

— Você não está sozinha, minha filha. Nem por um minuto.

Marina pensou em Leonardo. Ele tinha o direito de receber informações sobre a paternidade, mas ela temia que transformasse a gravidez numa nova disputa pública. Decidiu primeiro organizar o acompanhamento médico e procurar orientação jurídica.

Camila concordou que seria necessário tratar o assunto com responsabilidade, sem colocar a saúde da mãe e do bebê em risco. Não prometeu que seria simples. Prometeu que Marina teria apoio para tomar decisões informadas.

Enquanto isso, a vida continuava. Os contratos chegavam por e-mail, os clientes telefonavam, e Marina começava a construir uma rotina que respeitava o cansaço do próprio corpo.

Certa tarde, ao revisar uma proposta de investimento, recebeu um convite para participar de um fórum financeiro na avenida Faria Lima. Seu primeiro impulso foi recusar. Depois leu a programação e percebeu que conhecia melhor aquele mercado do que muitos palestrantes.

Aceitou o convite. Não sabia que, naquele encontro, um empresário chamado Gabriel Montenegro faria uma pergunta que mudaria o rumo de sua vida.

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