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"A Mulher Que Ele Jurou Nunca Mais Ver" Capítulo 1 — A Mulher Que Ele Jurou Nunca Mais Ver

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— Marina? Duvido que tenha coragem de aparecer.

Leonardo Vasconcelos soltou uma risada diante das câmeras. Ao seu lado, Verônica Albuquerque ergueu a mão esquerda para mostrar o diamante que brilhava sob os refletores. Os jornalistas se apertavam na entrada do Salão Imperial do Hotel Palácio Jardins, em São Paulo.

— E se ela aparecer? — perguntou uma repórter.

— Algumas pessoas precisam aprender a aceitar que o passado acabou — respondeu Leonardo, ajeitando o paletó azul-marinho.

Verônica, vinte e seis anos, campeã de um concurso nacional de beleza, aproximou-se do microfone. Seu vestido prateado parecia ter sido feito para capturar cada flash.

— Desejo que Marina encontre a felicidade — disse, com uma doçura ensaiada. — Mas esta noite é nossa.

A frase provocou risadas discretas. Leonardo sorriu. Não percebeu que, a poucos metros dali, uma mulher assistia à entrevista pela tela de segurança da entrada reservada.

Marina Almeida manteve o rosto imóvel. Usava um vestido de veludo preto, de corte elegante, que acompanhava a curva de sua barriga de cinco meses. A mão direita descansava sobre o tecido, como se protegesse uma pequena promessa.

Ao lado dela, Gabriel Montenegro fechou delicadamente o fecho de uma pulseira. Aos quarenta e seis anos, o fundador da Montenegro Capital não precisava elevar a voz para ser ouvido. Sua presença bastava para mudar o comportamento de uma sala inteira.

— Ainda podemos ir embora — disse ele. — Você não deve explicações a ninguém.

Marina observou Leonardo sorrindo na tela. Conhecia aquele sorriso melhor do que qualquer jornalista. Fora o mesmo sorriso que a convencera, muitos anos antes, a acreditar que construiriam um futuro juntos.

— Não vim para dar explicações — respondeu. — Vim porque também tenho o direito de estar aqui.

Gabriel assentiu, sem tentar convencê-la de nada. O telefone dele vibrou com uma mensagem da organização. A abertura oficial começaria em dois minutos.

— A equipe está pronta. Entramos quando você quiser.

Marina respirou fundo. Durante meses, evitara fotografias, entrevistas e lugares onde alguém pudesse reconhecê-la. Hoje, porém, tinha um projeto importante a apresentar. Não permitiria que o medo de encontrar o ex-marido roubasse mais uma oportunidade.

O baile beneficente Corações de Esperança reunia empresários, médicos, artistas e famílias tradicionais. A arrecadação daquela noite seria destinada a programas de atendimento materno e formação profissional para mulheres de baixa renda.

Marina conhecia o assunto de perto. Sua mãe passara a vida limpando casas. Seu pai, depois de um acidente numa fábrica, aprendera a contar moedas para comprar remédios. Ela jamais esquecera a sensação de depender da boa vontade alheia.

Quando as portas se abriram, um funcionário anunciou a chegada de Gabriel Montenegro. As conversas diminuíram. Alguns convidados se levantaram para cumprimentá-lo. Então perceberam a mulher que entrava de braço dado com ele.

— É a Marina Almeida? — sussurrou uma socialite.

— A ex-mulher do Leonardo?

— Ela está grávida?

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As perguntas correram pelo salão antes mesmo que Marina alcançasse a primeira mesa. Os fotógrafos se viraram. O brilho dos flashes atingiu seu rosto, mas ela continuou andando no próprio ritmo.

Leonardo estava perto do palco, conversando com dois investidores. Ao ouvir seu nome, virou a cabeça. Primeiro reconheceu o cabelo castanho de Marina. Depois, o rosto sereno. Por último, viu a barriga.

A taça em sua mão inclinou perigosamente. Algumas gotas de espumante atingiram o punho da camisa.

— Não pode ser — murmurou.

Verônica acompanhou a direção de seu olhar. O sorriso desapareceu por um instante, mas ela o recuperou assim que percebeu uma câmera próxima.

— Leonardo, querido, não fique olhando — cochichou. — Ela quer chamar atenção.

Ele não respondeu. Fazia quase seis meses desde o divórcio. Na última conversa, Marina chorara de raiva, mas saíra sem pedir que ele ficasse. Depois desaparecera dos eventos sociais. Leonardo concluíra que ela não suportara a humilhação.

Agora ela estava diante dele, grávida e acompanhada por um homem cuja influência superava a sua.

Gabriel parou para cumprimentar a presidente da instituição. Apresentou Marina pelo nome, sem chamá-la de acompanhante ou protegida.

— Esta é Marina Almeida, minha parceira no novo fundo de investimentos sociais.

A presidente abriu um sorriso genuíno.

— Finalmente! Li sua proposta sobre financiamento para empreendedoras. É um prazer conhecê-la pessoalmente.

Marina agradeceu. Pela primeira vez naquela noite, sentiu os ombros relaxarem. A mulher à sua frente estava interessada em seu trabalho, não em seu casamento fracassado.

Leonardo atravessou o salão antes de pensar nas consequências. Verônica o seguiu, segurando a barra do vestido.

— Marina.

A voz dele interrompeu a conversa. Ela se virou devagar.

— Boa noite, Leonardo.

Ele olhou novamente para sua barriga. Era incapaz de disfarçar o choque.

— Você está grávida.

— Estou.

— De cinco meses? Seis?

Marina estreitou os olhos.

— Não é uma pergunta apropriada para este lugar.

Verônica soltou uma risadinha.

— Que surpresa emocionante! E acompanhada do senhor Montenegro. São tantas novidades que nem sabemos por onde começar.

Gabriel a encarou com educação fria.

— Podemos começar respeitando a privacidade de Marina.

Verônica ficou vermelha. Sabia perfeitamente quem ele era. Sua vitória no concurso havia contado com o patrocínio de um instituto financiado pela Montenegro Capital. Jamais imaginara encontrar o empresário defendendo a ex-esposa de Leonardo.

Leonardo ignorou a advertência.

— Você podia ter me contado.

— Contado o quê? — Marina perguntou, embora soubesse.

— Que estava reconstruindo a vida com outro homem.

Ela sentiu uma pontada de indignação. Durante o casamento, Leonardo a tratara como alguém sem vontade própria. Depois do divórcio, continuava convencido de que podia exigir relatórios sobre seus passos.

— Minha vida não é um assunto que você administra.

Um garçom passou entre os convidados. Perto deles, alguém fingiu observar os arranjos florais para ouvir melhor. Marina percebeu os celulares discretamente apontados em sua direção.

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Gabriel se inclinou um pouco.

— Quer que eu peça à segurança para abrir caminho?

— Ainda não — respondeu ela.

Marina não desejava uma cena. Tinha ensaiado mentalmente aquele encontro durante dias, mas nenhuma preparação tornava simples encarar o homem que estivera ausente nos momentos mais dolorosos de sua vida.

Leonardo abaixou a voz, sem conseguir conter a ansiedade.

— Nós precisamos conversar. Em particular.

— Não esta noite.

— Marina, por favor.

A palavra a surpreendeu. Leonardo raramente dizia por favor quando acreditava ter algum direito sobre alguém.

A presidente da instituição aproximou-se, avisando que Gabriel seria chamado ao palco. Ele olhou para Marina, esperando sua decisão. Ela fez um pequeno gesto afirmativo.

— Vamos — disse.

Quando se afastaram, Verônica agarrou o braço de Leonardo.

— Você vai deixar que ela nos humilhe assim?

— Solte meu braço.

— Ela apareceu grávida com um bilionário! Isso foi planejado!

Leonardo não sabia o que pensar. Recordou a última noite em que Marina estivera em seu apartamento, quando ambos tentaram conversar sem advogados. Houve lágrimas, uma aproximação desesperada e uma manhã em que nenhum dos dois soube o que dizer.

Na época, ele classificara aquilo como um erro. Agora fazia contas que não queria terminar.

No palco, Gabriel falou sobre a necessidade de investir em mulheres que haviam sido ignoradas pelas instituições financeiras. Depois anunciou o nome da profissional responsável pela estratégia do novo fundo.

— Marina Almeida.

Ela subiu os degraus sob aplausos. Leonardo a observou receber o microfone. Aquela era a mesma mulher cujas apresentações ele utilizara durante anos sem mencionar a autoria.

— Nenhuma mulher deveria precisar provar que merece ser ouvida — começou Marina. — Oportunidade não é favor. É o reconhecimento de uma capacidade que sempre existiu.

Sua voz não tremeu. Falou de crédito, autonomia e famílias que sobreviviam com salários insuficientes. Não citou o ex-marido uma única vez. Ainda assim, Leonardo sentiu que cada palavra desmontava uma certeza antiga.

Ao descer do palco, Marina encontrou um corredor de convidados querendo conversar sobre o projeto. Gabriel permaneceu próximo, mas deixou que ela conduzisse as apresentações.

Leonardo esperou até que a multidão diminuísse. Então surgiu diante dela outra vez, agora sem Verônica.

— Eu me lembro da nossa última noite — disse, quase num sussurro.

Marina ficou imóvel.

— Leonardo, não faça isso aqui.

Ele apontou com os olhos para a barriga dela.

— Preciso saber. Esse filho é meu?

Gabriel percebeu a mudança no rosto de Marina, mas não respondeu por ela. A decisão pertencia somente à mulher que estava ao seu lado.

Marina pousou a mão sobre o ventre. O bebê se moveu suavemente, como se lembrasse que, apesar de todas as vozes ao redor, havia uma vida que merecia paz.

— Você vai receber as informações necessárias, pelo caminho certo — respondeu. — Mas não vai transformar meu filho em espetáculo.

Leonardo abriu a boca para insistir. Nesse instante, um flash iluminou os três. Alguém havia registrado a pergunta, a mão de Marina sobre a barriga e a expressão do homem mais poderoso do salão.

E, antes que a noite terminasse, aquela fotografia já começava a circular pela cidade.

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