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"O Bilionário Se Disfarçou de Mendigo Para Testar Sua Empregada… Mas Foi Ele Quem Aprendeu Uma Lição!" Capítulo 4 — A Empregada Acusada de Roubo

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Marina passou a noite quase sem dormir. A caixa de veludo azul aparecia em seus pensamentos sempre que fechava os olhos.

Não sabia quem colocara a pulseira no armário. Sabia apenas que, sem salário, teria dificuldade até para comprar os medicamentos que a mãe tomava diariamente.

Lúcia percebeu seu rosto abatido quando ela chegou em casa.

— Filha, você está pálida. Sente aqui.

Marina tentou sorrir, mas desabou em lágrimas antes de conseguir falar.

Contou sobre a acusação, a ameaça de demissão e a ordem para retirar seus pertences do alojamento. Não escondeu que tudo começara depois de ajudar um homem faminto.

Lúcia ouviu sem interromper. Quando Marina terminou, segurou as mãos da filha.

— Você não fez nada errado ao alimentar alguém. O erro foi de quem usou sua bondade para humilhá-la.

— Mas como vou pagar seus exames, mãe?

— Nós vamos encontrar uma saída. Não quero que você se ajoelhe diante de uma mentira.

Marina abraçou a mãe. Precisava daquela coragem emprestada, embora o medo continuasse apertando seu peito.

Na manhã seguinte, voltou à mansão para buscar as roupas e pedir o pagamento dos dias trabalhados. Levava uma bolsa de viagem e uma pasta com comprovantes de suas escalas.

Na guarita, Valdir abriu apenas a passagem de pedestres.

— Veio confessar?

— Vim pegar minhas coisas.

— Não pense que vai sair daqui sem responder pelo que fez.

Marina ignorou a provocação e seguiu até a área de serviço. Joana a esperava com um abraço apertado.

— Passei a noite pensando nisso. Não acredito que aquela pulseira apareceu do nada.

— Também não. Alguém quer me tirar daqui.

Joana hesitou, olhando para o corredor.

— Ontem vi dona Verônica conversando com o irmão dela, Otávio. Ele não costuma entrar na área dos empregados.

Marina conhecia Otávio Albuquerque apenas de vista. Era responsável por compras e contratos do grupo e aparecia na mansão em reuniões com fornecedores.

— Você ouviu alguma coisa?

— Só uma frase. Ele disse que ela precisava resolver um problema antes que o patrão voltasse.

Marina sentiu um arrepio, mas não queria acusar ninguém sem provas.

Enquanto isso, Henrique observava o jardim de um ponto afastado, ainda usando o disfarce. Na noite anterior, havia conseguido acessar discretamente seus registros pessoais e comparado fotografias da joia da família.

O fecho não correspondia. A pulseira encontrada no armário podia ser uma imitação ou outra peça semelhante, mas não era possível afirmar que fosse a joia desaparecida.

Henrique também solicitara a Ricardo, por mensagem criptografada, que preservasse as gravações das câmeras internas e os registros de entrada da mansão.

Não explicou tudo. Pediu apenas que ninguém avisasse Verônica e que os arquivos fossem copiados antes de qualquer alteração.

Ricardo respondeu com uma pergunta: “Você está bem?”

Henrique olhou para o curativo improvisado no próprio ombro e digitou: “Estou aprendendo coisas que deveria ter sabido há anos.”

Na área de serviço, Marina apresentou à governanta uma folha com as horas trabalhadas.

正文1

— Dona Verônica, preciso receber pelos dias deste mês. Está tudo anotado aqui.

Verônica nem tocou no papel.

— Seu pagamento está retido até esclarecermos o desaparecimento da joia.

— A senhora não pode fazer isso. Eu trabalhei esses dias.

— Você prefere que eu chame a polícia agora?

Marina ficou em silêncio por um instante. Depois colocou a folha sobre a mesa.

— Não vou assinar uma confissão por algo que não fiz. E vou procurar orientação sobre meu salário.

Verônica estreitou os olhos.

— Está me ameaçando?

— Estou dizendo que preciso receber o que é meu.

A governanta bateu a palma da mão na mesa.

— Você sempre teve esse jeito insolente. Primeiro desafia o segurança, depois traz um mendigo para dentro, agora quer me ensinar a administrar a casa!

— Eu nunca trouxe ninguém para dentro da mansão — respondeu Marina. — Dei comida do lado de fora.

— Pouco importa. Pegue suas coisas e desapareça.

Joana ajudou a amiga a retirar os pertences do armário. Havia poucas roupas, um par de chinelos, uma caneca lascada e um retrato antigo de Lúcia sorrindo numa festa de bairro.

Marina colocou a fotografia cuidadosamente entre duas camisetas. Era o objeto que mais temia perder.

— Vou sentir sua falta — disse Joana.

— Você ainda vai me ver. Não vou deixar que essa mentira seja a última palavra sobre mim.

Do lado de fora, Henrique encontrou Joana carregando uma caixa de utensílios. A cozinheira reconheceu o homem a quem dera pão no dia anterior.

— Seu Hélio? O senhor ainda está por aqui?

— Queria saber se Marina está bem.

Joana soltou um suspiro.

— Está sendo mandada embora por uma coisa que não fez.

Henrique falou baixo:

— Você acredita que alguém armou tudo?

Joana olhou ao redor antes de responder.

— Eu não tenho prova. Mas dona Verônica anda muito nervosa desde que o irmão dela começou a aparecer aqui.

— O irmão?

— Otávio. Trabalha com compras na empresa. Os dois vivem cochichando sobre notas e contratos.

Henrique sentiu a atenção despertar. Na última reunião de diretoria, Ricardo mencionara diferenças em alguns pagamentos a fornecedores, mas Henrique encerrara o assunto antes de ouvir os detalhes.

Agora percebia que podia ter ignorado um sinal importante.

— Obrigado por me contar — disse.

Joana deu de ombros.

— Não quero que Marina pague por uma sujeira que não é dela.

Henrique caminhou até a guarita e examinou a posição das câmeras. Uma delas apontava para a entrada dos vestiários. Outra cobria o corredor que levava à sala da governanta.

Se as gravações estivessem intactas, talvez mostrassem quem entrara ali antes da busca.

O celular escondido sob seu casaco vibrou. Ricardo informava que os arquivos haviam sido preservados e que o carro chegaria em vinte minutos.

Henrique respirou fundo. O momento de encerrar a farsa se aproximava.

Na sala de serviço, Verônica continuava pressionando Marina.

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— Quero que assine este documento confirmando que a pulseira foi encontrada no seu armário.

Marina leu a folha. O texto afirmava que ela reconhecia ter guardado a joia sem autorização.

— Não vou assinar isso. Não fui eu que coloquei a pulseira lá.

— Então não receberá um centavo.

Marina devolveu a folha.

— Prefiro sair sem dinheiro a admitir uma mentira.

Verônica perdeu a paciência. Chamou Valdir e ordenou que levasse a mala da empregada até o portão.

O segurança pegou a bagagem com uma das mãos e a lançou sobre a calçada. A mala se abriu, espalhando roupas limpas perto de uma poça d'água.

Marina correu para recolhê-las. Joana se ajoelhou ao seu lado, indignada.

— Isso é desumano! — protestou a cozinheira.

Valdir deu uma risada.

— Quem manda aqui decide como as coisas funcionam.

Henrique apareceu junto ao portão. Viu Marina tentando proteger a fotografia da mãe da água suja.

A imagem o atingiu com uma força inesperada. Na noite anterior, ela havia lhe dado seus últimos vinte reais. Agora estava sendo expulsa de sua casa por uma acusação sem prova.

— Deixe que eu ajude — disse ele, abaixando-se.

Marina levantou o rosto, surpresa.

— Seu Hélio! O senhor não deveria estar aqui. Eles podem machucá-lo de novo.

— Não se preocupe comigo.

Henrique pegou uma camiseta caída e a colocou na mala. Marina tentou conter as lágrimas.

— Desculpe não poder ajudar mais. Eu prometi encontrar um lugar para o senhor, mas agora nem sei o que vou fazer.

Henrique sentiu a garganta apertar. Mesmo humilhada, ela ainda se preocupava com ele.

— Você já fez mais do que imagina, Marina.

Verônica saiu pela porta principal e encontrou os dois ajoelhados perto da bagagem.

— Que cena comovente! A ladra e o mendigo. Combinaram até na falta de vergonha.

Marina se levantou devagar.

— A senhora pode me mandar embora. Mas não tem o direito de me chamar de ladra.

— Tenho o direito de dizer o que quiser dentro desta propriedade.

Henrique ergueu os olhos. Aquela frase, pronunciada em sua própria casa, tornou impossível continuar em silêncio.

— Não — respondeu, firme. — Não tem.

Verônica riu.

— E quem é você para me contrariar?

Antes que Henrique respondesse, ouviu-se o ruído de um motor. Um sedã preto entrou pela alameda e parou diante do portão principal.

Valdir endireitou a postura. Reconheceu o veículo usado pela diretoria do grupo.

A porta traseira se abriu. Ricardo Almeida desceu com uma pasta de couro e olhou diretamente para o homem de casaco rasgado.

Marina acompanhou a cena sem compreender. Verônica ajeitou os cabelos, preparando um sorriso profissional.

Ricardo ignorou a governanta. Caminhou até Henrique, parou a poucos passos e inclinou respeitosamente a cabeça.

— Senhor Montenegro, o carro está pronto.

O silêncio que se seguiu pareceu engolir todo o jardim.

Valdir ficou imóvel. Verônica perdeu o sorriso. Marina olhou de Ricardo para o mendigo, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.

Henrique retirou lentamente o boné encardido. Seus olhos, agora sem o esforço de parecerem cansados, encontraram os de Marina.

E ela compreendeu que o homem a quem dera seu último dinheiro talvez nunca tivesse precisado dele.

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